POR – CENTRAL PRESS
Desafio ainda é definir prioridades na hora de estabelecer programas atrelados à estratégia de sustentabilidade.
Desafio ainda é definir prioridades na hora de estabelecer programas atrelados à estratégia de sustentabilidade.
Na pesquisa Estilo de Vida Sustentável, realizada no Rio de Janeiro em 2015, 80% dos entrevistados disseram estar dispostos a pagarem mais por produtos que sejam ambientalmente responsáveis e produzidos por empresas que mantém práticas comerciais éticas. Tal comportamento por parte do consumidor está fazendo um número cada vez maior de empresários enxergarem que ser sustentável e socialmente correto garante à marca um diferencial que pode colocá-la à frente da concorrência. Organizações mundo afora têm firmado compromissos atrelados à sustentabilidade e estão trabalhando de forma a buscar alternativas para que suas ações minimizem impactos negativos e potencializem os positivos. Daí a preocupação com gestão de resíduos, eficiência energética, reaproveitamento de água, governança, contratação de fornecedores, além de investimentos em favor da comunidade e meio ambiente.
Segundo o engenheiro florestal Miguel Milano, diretor da Permian Brasil, presidente do conselho diretor do Instituto LIFE e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, uma parte considerável das empresas já tem projetos na área de sustentabilidade, algumas com iniciativas acertadas, outras com processos “equivocados”, mas é um número menor de empresas que conduz o assunto de forma consistente. “Temos poucas empresas na ponta, de vanguarda neste campo, mas elas têm um impacto muito significativo, seja por causa de sua representativa participação direta no mercado, seja por influenciar fornecedores e a concorrência”, ou como inspiração geral, afirma Milano, que cita como exemplo a iniciativa da Unilever, que processa 1% da soja produzida no planeta, mas compra soja produzida em áreas de desmatamento.
Certificado em prol do meio ambiente
A Certificação LIFE reconhece organizações que desenvolvem ações favoráveis e efetivas à conservação da biodiversidade, colaborando assim com a manutenção de áreas naturais e a oferta dos serviços ecossistêmicos. Antes de se tornar a primeira indústria brasileira a receber a certificação, a Posigraf escalou vários patamares de gestão, alcançando certificações nos campos da gestão da qualidade, gestão ambiental e procedência florestal do papel usado na produção industrial. A adoção da Mata do Uru pela Posigraf, garantindo a preservação da área, foi a mais importante ação para que a gráfica obtivesse a Certificação LIFE. O foco da adoção está em manter a biodiversidade da floresta, mas também abre espaço para o desenvolvimento de pesquisas e atividades educativas no local.
O foco é manter a biodiversidade da floresta na Mata do Uru
Crédito: Rodolfo Buhrer
A empresa também pratica algo muito comum hoje no mercado: a preferência a parceiros que atendam a determinados padrões e requisitos sociais e ambientais. E na posição de fornecedora, ela também é auditada por parceiros comerciais que desenvolvem programas de sustentabilidade e precisam garantir o cumprimento de alguns padrões em todas as fases do processo produtivo. “Na Posigraf buscamos praticar a estratégia de sustentabilidade de forma integrada, com processos geridos por meio de indicadores e metas, com orientação para longo prazo e foco no engajamento de stakeholders. Do ponto de vista da gestão da cadeia de suprimentos, acreditamos na construção de relações fundamentadas pela integridade, transparência e atendimento à requisitos legais” afirma a supervisora do Sistema Gestão Integrado da Posigraf, Andréa Luiza Silva Arantes.
A Posigraf foi a primeira indústria brasileira a obter a certificação LIFE
Crédito: Divulgação
A sustentabilidade também é preocupação na construção civil. Com o slogan “Economize e não desperdice”, a A.Yoshii Engenharia lançou, em 2016, uma campanha de incentivo às práticas sustentáveis nas obras. A construtora iniciou um trabalho de conscientização junto aos colaboradores, nos empreendimentos espalhados pelo Sul e Sudeste do Brasil, que está resultando em economia de água, energia e destinação correta de resíduos. O projeto realiza análises quantitativas nos índices de uso de água, energia e geração de resíduos, premiando a obra mais econômica e sustentável a cada trimestre. Segundo o engenheiro da A.Yoshii, Bruno Villasboa Grosso, os resultados positivos são alcançados por meio de informações e orientações passadas aos colaboradores de como reduzir o consumo de energia e água, por exemplo. “É um benefício para a empresa, para o meio ambiente e para os funcionários, que são recompensados com a premiação”, destaca Bruno.
Para chegar aos resultados, a construtora adotou práticas como a utilização de sensores de presença para iluminação, reutilização de água para limpeza de ferramentas e equipamentos, sistema de automação para desligamento da alimentação de energia e água, entre outros. Além das obras, a A.Yoshii também coloca o projeto em ação dentro dos escritórios e dos showrooms, nos quais, além dos itens de energia e água, são avaliados o consumo de telefone, materiais de limpeza e materiais de escritório. A construtora também alia a sustentabilidade e cidadania com o Projeto Criando Arte. Por meio dessa ação, as sobras da construção civil e os resíduos domésticos se transformam em artesanato. O objetivo é capacitar a comunidade, estimulando a geração de renda e a conscientização do reaproveitamento. Seja qual for o ramo da economia ou o público que se pretende atingir, toda essa preocupação é sinal de novos tempos e mostra que quem souber enxergar e se adaptar às exigências do mundo estará sempre um passo à frente.
As equipes das obras da A.Yoshii Engenharia competem entre si para otimizar uso de recursos
Crédito: Divulgação
Novas perspectivas: integração entre a empresa e a comunidade
Novas tendências também têm surgido quando a abordagem de sustentabilidade está atrelada às ações voltadas para a comunidade. Diversas empresas têm buscado alinhar as estratégias dos seus investimentos sociais com o negócio. Uma das razões desse alinhamento é o entendimento que as empresas podem contribuir para além dos investimentos financeiros, envolvendo a sua rede de parceiros e oferecendo as suas habilidades em prol da comunidade. Segundo a diretora do Instituto Positivo, Eliziane Gorniak, para potencializar o impacto social, cultural ou ambiental é importante que sejam estabelecidos programas estruturados, com objetivos claros, metas e compromissos de longo prazo, de preferência, utilizando o know-how da própria empresa para potencializar os resultados.
Tendo a melhoria da educação pública brasileira como principal foco, o Instituto Positivo presta assessoria a municípios que desejam atuar em regime de colaboração para melhorar seus indicadores educacionais. No entanto, em meados de 2016, observando uma oportunidade, estabeleceu uma parceria com a Editora Positivo e, juntos, alinharam numa única ação propósitos sociais e ambientais. No início do ano, após mais de seis meses de preparação, 85 mil kits com livros didáticos da Editora Positivo foram doados a prefeituras em regiões com baixo IDH e para instituições que trabalham com crianças e jovens em todo o país. Segundo Mauro Monteiro, diretor de Operações da Editora Positivo, as doações fazem parte de um programa de gestão de estoque da instituição, que possibilita que os materiais remanescentes tenham um destino mais nobre. “Ao mesmo tempo, mais de 25 mil crianças de 14 municípios brasileiros tiveram a oportunidade de estudar com material didático de referência nas melhores escolas do país”, ressalta Monteiro.