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Escrito por Neo Mondo | 10 de setembro de 2020
Cerrado - Foto: © WWF-Brasil/Bento VianaOutra oportunidade é a restauração da vegetação nativa, com o desenvolvimento de modelos financiáveis para a recomposição de áreas naturais, utilizando espécies de interesse econômico para trazer retorno sobre o investimento. Os mecanismos financeiros para o produtor já existem, mas precisam ser ampliados, com novas linhas “verdes” de crédito. Não se trata de obrigação legal, tampouco de despesa: a recuperação e reabilitação de áreas produtivas no Cerrado podem trazer retorno financeiro positivo. Estimativas indicam que 30% das pastagens do Cerrado (mais de 23 milhões de hectares de acordo com Lapig/2017) estão altamente degradadas e subutilizadas. A degradação das áreas representa prejuízos anuais em torno de R$9,5 bilhões aos produtores (estimativas do Rally da Pecuária, 2018). Para cada produtor, há uma redução patrimonial de ao menos 50%, considerando o preço da terra com pastagens de alta capacidade de produção com baixa capacidade de produção (dados baseados em Anaulpec, 2019). Neste contexto quem mais sofre é o pequeno produtor, com áreas menores, eles perdem proporcionalmente mais, inviabilizando o negócio. Os produtores esbarram nos custos iniciais de transição e no acesso às linhas de créditos disponíveis. Assim, para que a reabilitação de pastagens ganhe a escala necessária no Cerrado, é preciso criar mecanismos financeiros e ampliar aqueles que já existem. O Programa ABC Recuperação, por exemplo, é hoje a principal linha de crédito rural para apoio à reabilitação de pastagens degradadas. Ele oferece até cinco anos de carência, permite amortização da dívida em até 10 anos e possui taxas de juros prefixadas em 6% ao ano. Os mecanismos financeiros disponíveis ainda não bastam para enfrentar o desafio de recuperar milhões de hectares de pastagens. O valor aproximado para esta recuperação (apenas pastagens) seria de aproximadamente R$ 9.05 bi, sendo R$ 5,4 bi para Centro-Oeste Cerrado e mais R$ 4,05 bi para Nordeste Cerrado (MATOPIBA) até 2030. Grande parte desses recursos poderiam vir do Programa ABC e Fundos Constitucionais. Por isso é indispensável colaboração entre instituições financeiras públicas e privadas." A colaboração de instituições financeiras, como bancos, seguradoras, investidores e securitizadoras, de empresas da cadeia de valor, como traders e frigoríficos e de produtores rurais pode criar arranjos financeiros que beneficiam a todos. Isso traria segurança e transparência para a aplicação financeira na produção agropecuária, criando um círculo virtuoso, com o aumento de oportunidades financeiras e ambientais. Dentre os aspectos favoráveis destacam-se o maior aproveitamento do potencial produtivo das terras, resgate dos serviços ecossistêmicos perdidos ao longo do processo de ocupação do Bioma e o aumento de proteção aos recursos hídricos e sequestro de carbono. O Cerrado pode atender a demanda por commodities sem precisar desmatar novas áreas. Além da recuperação de áreas degradadas, já existem técnicas como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e Integração Lavoura-Pecuária, que promovem maior eficiência, maior produção e menor pressão pelo desmatamento. Ao ignorar estas ferramentas estamos perdendo um grande potencial produtivo, destruindo áreas novas, nos afastando das NDCs acertadas pelo Acordo de Paris e acumulando prejuízos da subutilização. Pensar na eficiência do uso da terra – aplicar a lógica econômica de fato – pode salvar o Cerrado.
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