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Escrito por Neo Mondo | 17 de novembro de 2021
“Porque as pessoas não podem pagar por alimentos orgânicos.” Foi assim que, há alguns anos, uma colega de trabalho tentou me convencer de que o debate da comida sustentável não era para o Brasil.
O ano era 2017. Naquela época a cesta básica custava R$ 431,66 contra os R$ 650,50 de 2021. De lá para cá, a inflação, o desemprego e os cortes em políticas públicas de segurança alimentar aumentaram a pobreza no Brasil, colocando-nos novamente no mapa da fome. A pandemia e a consequente crise econômica global agravam o cenário. Hoje, uma em cada duas pessoas no país tem dificuldade de colocar comida na mesa, muitas destas estão em situação de fome. E agora? Já é hora de falar sobre comida sustentável no Brasil?
Talvez você pense como minha colega, que não é hora. Apesar de não concordar, entendo o porquê de algumas pessoas pensarem desta forma. O mercado transmite a mensagem de que a sustentabilidade é um produto reservado às pessoas e nações que podem pagar por ele.
Na década de 80, o relatório “Nosso Futuro Comum” apresentou para o mundo o conceito moderno de sustentabilidade. Volte e leia novamente o título do relatório. Mais recentemente, com o lançamento da Agenda 2030 da ONU, a mensagem central continua sendo clara: “não deixar ninguém para trás”. Para que isso seja possível, as soluções para o futuro sustentável não podem ser tratadas como produto.
O conceito de sustentabilidade apresentado no relatório é fundamentado na satisfação das necessidades do hoje e no compromisso coletivo com as gerações futuras. Como nação, somos vítimas de uma mentira fundamental: a de que não temos o bastante para todos. Nesta lógica, precisamos produzir mais, a todo custo social e ecológico, para garantir a comida na mesa hoje. Pensar no amanhã é privilégio dos que podem pagar por orgânicos.
A questão que se põe é: como garantir o acesso de todos, no presente e no futuro, à comida que seja saudável para as pessoas e para o planeta?
Foto - Pixabay
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