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Escrito por Neo Mondo | 17 de maio de 2021
Esses foram os locais escolhidos para uma ação do ministro de “controle do desmatamento ilegal” com o auxílio da Força Nacional. Salles chegou a mudar o seu gabinete e o dos presidentes do Ibama e do Instituto Chico Mendes para a região entre terça-feira e sábado desta semana a fim de supervisionar pessoalmente os trabalhos.
Em dois anos e cinco meses de governo, esta é a primeira vez que Salles passa tanto tempo numa operação de fiscalização no terreno. Suas outras visitas à Amazônia foram, em sua maior parte, para afagar criminosos ambientais: o ministro já esteve em terra indígena com plantação de soja embargada pelo Ibama em Mato Grosso; já foi a Rondônia após um ataque ao Ibama chamar madeireiros de “pessoas de bem”; já foi suspender uma operação contra garimpo ilegal no Pará – os garimpeiros investigados depois foram a Brasília em avião da FAB reunir-se com ele; e, mais recentemente, foi duas vezes ao Pará para liberar madeira apreendida pela Polícia Federal, o que lhe rendeu uma notícia-crime no STF.
A súbita mudança de propósitos ocorre enquanto o ministro tenta fechar um acordo com os Estados Unidos no qual o “regime de Bolsonaro“, nas palavras do czar do clima americano John Kerry, poderia receber dinheiro à guisa de proteger a floresta. O acordo foi frustrado até agora porque os EUA desejam ver o desmatamento cair antes de assinar um cheque para Salles.
O ministro nem precisaria ter feito o sacrifício de ir até a Amazônia: com base nos alertas do MapBiomas foram disponibilizados gratuitamente ao Ibama laudos sobre os desmatamentos, que incluem o detalhamento completo dos polígonos desmatados, a localização exata das propriedades e registro de cada uma no Cadastro Ambiental Rural. Se quisesse, o órgão ambiental poderia ter enviado as multas pelo correio, como chegou a fazer em 2018, na chamada Operação Controle Remoto.
Dos 2.258 km2 de desmatamento detectado nesses municípios no período, pelo menos 2.150 km2 têm indício de irregularidade e poderiam ser autuados e embargados. No entanto, nem o Ibama, nem o ICMBio agiram. Em todo o Estado do Pará, a média de alertas atendidos é menor que 2% no governo Bolsonaro.
“Não é por falta de informação que o desmatamento não cai; as autoridades ambientais sabem onde está o problema e na maioria das vezes quem é responsável por ele. O que falta é disposição do governo para agir. Toda área irregular deve ser embargada de imediato”, disse Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas Alerta.
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