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Escrito por Neo Mondo | 14 de abril de 2021
87% das exportações vieram do SemiáridoA região do Vale do São Francisco, situada em pleno Semiárido Nordestino, é a grande responsável pelos números expressivos da exportação da manga nacional, com 212,2 mil toneladas no último ano, correspondendo a 87% do total exportado da fruta do Brasil. As águas do Rio São Francisco que abastecem os distritos de irrigação fazem da manga a fruta mais cultivada e com maior importância econômica e social na região. Segundo informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), a área plantada em 2020 foi de 49 mil hectares, a maior do Brasil. Devido ao uso da irrigação e à disponibilidade de sol, a região consegue manter a produção da fruta durante todos os meses, abastecendo os mercados interno e externo. As variedades mais plantadas são Palmer, Tommy, Kent e Keitt, apesar de se encontrar outras, como Haden, Ataulfo, Rosa e Espada Vermelha. A mangicultura do Semiárido também é conhecida pelos altos rendimentos alcançados e pela qualidade da fruta. Mesmo sendo uma atividade altamente intensiva em tecnologia, é cultivada na região por pequenos e grandes produtores, um resultado favorecido pela ampliação dos investimentos e linhas de crédito e também pela pesquisa agropecuária, com a disponibilização de pacotes tecnológicos cada vez mais precisos. |
Foto - Pixabay
Manga ganha um observatório especializadoO Observatório do Mercado de Manga da Embrapa Semiárido foi implantado em 2020 visando oferecer subsídios à tomada de decisão estratégica dos produtores da fruta no Vale do São Francisco. Para isso, disponibiliza semanalmente as informações de preços na forma de gráficos, ajudando na compreensão da evolução do comportamento do mercado, com dados que contemplam o período de janeiro de 2012 até o presente. As bases de dados sobre exportações utilizam informações do ComexStat, do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Para cada mês, o volume exportado, receita de exportação e preço de caixa com quatro quilos são organizados de forma a se ter dados de mínimo, máximo, média e os valores de 2020. Com todas as informações, gráficos são gerados para cada uma das três variáveis. Também são disponibilizados dados do mercado interno, organizados em diferentes gráficos - um para a variedade Tommy e outro para Palmer. As informações utilizadas são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP). Os dados são deflacionados pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI), o mais utilizado para a agropecuária, e assim são gerados os relatórios com o preço mais baixo encontrado, o máximo, a média dos últimos anos e o preço da semana corrente. "Os produtores demandam muitas informações de mercado, e um forte problema com os dados disponíveis é que eles não são muitos e estão dispersos em várias fontes", declara Lima, responsável pela iniciativa. Ele explica que nem sempre a periodicidade com que os números são informados atende à demanda do produtor. No caso do mercado interno da manga, por exemplo, os dados são mensais, embora o preço semanal seja mais relevante, visto que ocorrem muitas mudanças de preços ao longo do mês. Já no caso das exportações, a periodicidade mensal ainda é aceitável. |
Impacto da Covid-19 no mercado internoApesar de a fruticultura tropical ter sido um dos setores menos afetados pela pandemia da Covid-19 no Brasil, no caso da manga, os valores históricos nas exportações não se refletiram no mercado interno, o principal cliente da fruta. Para se ter uma ideia, apenas cerca de 15% da manga que é produzida no Vale do São Francisco é exportada. A maior parte é vendida para a Região Sudeste, mais especificamente para a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Assim, a análise se concentra nas informações obtidas com os atacadistas dessa Central de Abastecimento. Em 2020, a Ceagesp comercializou 86 mil toneladas de manga e em 2019 o número foi de 88 mil t. Isso indica uma redução de 1,62%, mas que não reflete, necessariamente, um cenário negativo, explica o pesquisador João Ricardo Lima. "Esse movimento já vem acontecendo desde anos anteriores. Em 2017, foram 95 mil toneladas e em 2018, 93 mil t. Ou seja, o volume destinado à Ceagesp já vem sendo reduzido, pois os produtores estão aumentando a venda de manga para outros lugares como o Rio de Janeiro e Minas Gerais”, explica. A comercialização por variedades também se alterou na central paulista. A Palmer, que é a mais produzida no Vale do São Francisco, passou de 43 mil toneladas em 2019 para 41 mil toneladas em 2020, uma queda de 5,38%. No caso da Tommy, por outro lado, houve um leve crescimento de 0,25% entre 2019 e 2020. “É um aumento pequeno, porém importante, pois vinha caindo a cada ano e agora estabilizou, mesmo com a pandemia”, interpreta Lima. O pesquisador esclarece que houve um primeiro momento de crescimento da demanda interna da manga, logo no início da quarentena: “As famílias se abasteceram de alimentos, pois não sabiam quanto tempo iriam demorar a voltar aos supermercados”, explica. Depois desse boom inicial, a demanda apresentou redução, inclusive com dificuldade de produtores em encontrar compradores para as frutas e alguns cancelamentos de pedidos. No entanto, esse período foi curto e o mercado voltou para um novo equilíbrio ligado aos hábitos de consumo. "As pessoas passaram a ir menos aos supermercados, comprando em maiores quantidades. Contudo, nas médias mensais analisadas, as vendas não diferem muito de períodos anteriores à quarentena”, completa. |
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