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Escrito por Neo Mondo | 12 de junho de 2026
Fórum Lavouras e vegetação nativa compartilham a mesma paisagem no Tocantins. A integração entre produção, conservação e uso eficiente da terra está no centro das discussões do FAST - Foto: João Oliveira/CI-Brasil
POR - REDAÇÃO NEO MONDO
Lançado em junho, fórum está conectado ao Grupo Gestor Estadual (GGE) do Plano ABC+ TO e vai apoiar os agricultores locais com encontros anuais e uma plataforma com biblioteca digital
Agricultores do Tocantins vão ganhar, a partir deste mês, um espaço qualificado que amplia o debate acerca dos desafios e da construção compartilhada de soluções: o FAST (Fórum de Agricultura Sustentável do Tocantins). Com um modelo de governança multissetorial, o fórum coloca diferentes atores na mesma mesa, tanto física como digital: governo, produtores rurais, pesquisadores, empresas, instituições financeiras e a sociedade civil.
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Idealizado pela Conservação Internacional (CI-Brasil) e implementada em conjunto com a Secretaria de Agricultura do Tocantins, PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), Embrapa e Associação Novilho Precoce, o FAST contribuirá para o debate e o intercâmbio de conhecimentos e experiências sobre práticas produtivas que visam a sustentabilidade da produção rural, que já vem acontecendo dentro do Grupo Gestor do Plano ABC+ Tocantins, amplificando a discussão para outros atores.
O FAST vai atuar em dois ambientes, um digital, como um meio permanente de interação contínua, conectado aos grupos de trabalho do GGE ABC, apoiado por mecanismos digitais de diálogo, e um encontro anual presencial. A ideia é que a plataforma tenha ferramentas para interlocução assíncrona, com biblioteca digital e outras funcionalidades. Além do evento que vai ocorrer todos os anos, haverá oportunidades de interação presencial por meio dos Grupos de Trabalho, organizados por temas prioritários. Esses grupos serão a interface entre o GGE e os participantes do FAST.
De acordo com Beto Mesquita, diretor de Paisagens Sustentáveis da CI-Brasil, o foco é superar a distância entre as políticas públicas, os incentivos e o que acontece, de fato, dentro das propriedades. “O FAST pretende fortalecer a transparência e contribuir com o desenvolvimento de soluções compartilhadas para os principais desafios enfrentados pelo agronegócio, além de fortalecer iniciativas já existentes como, por exemplo, o Grupo Gestor Estadual (GGE) do Tocantins, responsável pela implementação e monitoramento da Política ABC+ (Agricultura de Baixo Carbono)”, destaca.
Vanguarda da agropecuária sustentável
Desde 2017, a CI-Brasil atua no Tocantins, fomentando a implementação do Código Florestal e, desde 2019, em parceria com a Embrapa, tem disseminado o Plano de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) no estado. Esse plano foi idealizado para apoiar os agricultores que querem fazer a transição para sistemas agrícolas sustentáveis, promovendo o aumento da produtividade e da renda, a resiliência climática, a redução das emissões e o aumento das remoções de gases de efeito estufa.
As práticas Agricultura de Baixo Carbono (ABC) incluem plantio direto, sistemas integrados (como Lavoura-Pecuária-Floresta, por exemplo), fixação biológica de nitrogênio, uso de bioinsumos, sistemas irrigados e intensificação de pastagens. Esse trabalho, realizado em colaboração com a Embrapa, já capacitou 63 produtores e 55 extensionistas , apoiando a implementação de práticas sustentáveis em mais de 93 mil hectares .
Os resultados são expressivos: as fazendas assistidas alcançaram uma produtividade média de 27 @ (15kg de carcaça) por hectare ao ano, dentro das URT`s (Unidade de referência tecnológica), desempenho significativamente superior à média brasileira de pouco mais de 5 @ por hectare (ABIEC, Beef Report 2025). Isso demonstra que a intensificação do uso da terra permite elevar a produção e o armazenamento de carbono simultaneamente.
O aumento da eficiência produtiva, por meio de várias iniciativas que estimulam a adoção de tecnologia, permitiu que, entre 2018 e 2023, o rebanho estadual crescesse de 6,08 milhões para 9,35 milhões de cabeças, enquanto a área de pastagem diminuiu de 7,13 milhões para 6,54 milhões de hectares.
Em 2024, com o apoio da Fundação Walmart, do Governo Suíço e em colaboração com o PNUD, a CI-Brasil expandiu sua atuação para acelerar a adoção de tecnologias regenerativas e a conservação do Cerrado. O projeto estabelece metas de sustentabilidade em municípios prioritários, criando modelos de sucesso que integram a produtividade agropecuária à proteção da vegetação natural e à resiliência climática.
A CI-Brasil e a Secretaria de Agricultura e Pecuária do Tocantins (Seagro) assinaram um Termo de Cooperação Técnica para impulsionar a agropecuária de baixo carbono no Tocantins. A parceria fortalece o Plano ABC+ TO e busca unir produção rural, conservação ambiental e aumento de renda para os produtores.
Essa parceria dá continuidade a um trabalho iniciado em 2024 que visa implementar Soluções Baseadas na Natureza (SBN) – como manejo sustentável do solo, recuperação de pastagens e sistemas integrados – para combater os impactos das crises climática e de biodiversidade até 2030.
“O Tocantins é uma região estratégica para se tornar resiliente e atender a um mercado global cada vez mais atento à procedência e ao impacto climático da produção agrícola", explica Beto Mesquita. "Como faz parte da fronteira agrícola conhecida como Matopiba, segue suscetível à expansão da soja e da pecuária, gerando pressões sobre a vegetação nativa, a biodiversidade e os recursos hídricos de regiões sensíveis. Para reverter esse cenário é preciso combinar medidas eficientes de comando e controle com políticas públicas e incentivos econômicos e financeiros", finaliza.

O lançamento oficial do FAST aconteceu quarta-feira (10/06), no Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE), em Palmas.
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