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Escrito por Neo Mondo | 7 de maio de 2023
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POR - REDAÇÃO NEO MONDO
Impactada por fatores como mudanças climáticas, agroindustrialização e redução do alívio geracional, cadeia agroalimentar passa por processo de digitalização cada vez mais avançado
Inovação tornou-se palavra de ordem em meio à nova onda de transformação digital que tem ganhado força no setor agroalimentar. Isso porque, sem ela, empresas do segmento estão fadadas à estagnação e à perda de competitividade, em um cenário marcado não só pela incerteza, mas também pelo surgimento de novos players de mercado e por mudanças nos hábitos de consumo. É o que mostra o relatório “Tendências Alimentares em Agritech e Foodtech em 2023”, produzido pela Fundación Europea para la Innovación y Aplicación de la Tecnología (INTEC), em parceria com a Minsait, uma empresa Indra, líder em transformação digital e Tecnologia da Informação.
De acordo com Alberto Bernal, diretor de Territórios Phygital da Minsait, a transformação digital focada na sustentabilidade tem se mostrado uma ferramenta básica para responder aos desafios da cadeia agroalimentar de forma inteligente, responsável e inclusiva: “A capacidade de fornecer soluções tecnológicas de alto valor é o que permitirá ao setor avançar em direção a uma operação mais sustentável e competitiva”, afirmou.
O relatório elaborado pela INTEC e Minsait identificou alguns desses desafios que têm atraído a atenção do mercado global, em especial por sua importância para o crescimento de uma indústria que vem se mostrando cada vez mais necessária para o futuro. Em primeiro lugar, as mudanças climáticas e a intensificação de fenômenos naturais adversos têm afetado não só o rendimento dos cultivos agrícolas, mas todos os demais aspectos da produção alimentar, agravando o problema da escassez de água.
Nesse sentido, têm sido desenvolvidas novas tecnologias que contemplam práticas como irrigação inteligente, uso da água na economia circular e regeneração de águas residuais, chorume e demais detritos. Inovações como a inteligência artificial (IA) também permitem monitorar e prever o tempo, a fim de mitigar os impactos causados por eventos climáticos extremos, incluindo secas, granizo e enchentes.
Já no setor energético, o avanço da tecnologia em geração de eletricidade tem se voltado para fontes renováveis, como eólica ou solar fotovoltaica, bem como para o fornecimento de soluções para comunidades energéticas inteligentes, gerenciamento de redes e eficiência energética. “A inovação, aliada à tecnologia, será a chave para o enfrentamento dos principais desafios impostos à cadeia agroalimentar na atualidade”, destaca Juan Francisco Delgado, diretor do relatório e vice-presidente executivo da INTEC.
Segurança alimentar, agroindustrialização e logística
Outro tópico abordado pelo estudo da INTEC e da Minsait é a agroindustrialização, para a qual a companhia aloca tecnologias como sensores, drones e sistemas de análise de dados capazes de melhorar a eficiência da produção, seja reduzindo os índices de utilização de recursos naturais ou contribuindo para a saúde e o bem-estar animal. Já as soluções de rastreabilidade fornecidas pela empresa contribuem tanto para a promoção da transparência dos processos como quanto para o enfrentamento de mais um desafio imposto ao setor: a segurança alimentar.
Nesse ponto, a agricultura de precisão é um bom exemplo do impacto positivo que as tecnologias disruptivas podem exercer sobre a cadeia agroalimentar, por meio do uso de diversas soluções de comunicação, operação e análise de dados. Equipamentos como sensores de campo, capazes de coletar dados a respeito do solo, do clima, da umidade e do crescimento das lavouras, bem como sistemas de automação da irrigação e estufas inteligentes são outros casos exemplares do emprego da tecnologia na melhoria da produção agrícola.
Vale enfatizar, ainda, a importância da logística para a cadeia agroalimentar. Trata-se de uma etapa incontornável no funcionamento do setor, que pode se tornar mais sustentável e eficiente por meio de recursos como inteligência artificial (IA), IoT e Cloud, que podem contribuir para o monitoramento da temperatura e umidades dos produtos transportados, além de permitir uma visibilidade completa, e em tempo real, de toda a cadeia de abastecimento.

Semear para as novas gerações
Outro ponto de atenção para a Minsait é a falta de alívio geracional observada no sistema de produção primária da agricultura e pecuária. “Para enfrentar a baixa proporção de jovens agricultores e pecuaristas, conforme registrado pelo relatório, acreditamos na adoção de um modelo de território rural inteligente, que tem entre seus pilares o desenvolvimento do setor por meio da aplicação de tecnologias e práticas sustentáveis, além da promoção da comercialização local de produtos e da troca de recursos entre produtores”, aponta Alberto Bernal.
A expertise da companhia, nesse sentido, também se volta para tecnologias como a automação e a robótica avançada enquanto soluções para suprir a falta de mão de obra, uma vez que geram melhorias na eficiência operacional, aumentam a produção e ainda contribuem para o crescimento da receita em toda a cadeia de abastecimento alimentar.
Dez tendências para o setor agroalimentar em 2023
O relatório “Tendências Alimentares em Agritech e Foodtech em 2023”, elaborado pela INTEC, em parceria com a Minsait, destaca a relevância da inovação na transformação da cadeia agroalimentar, revelando dez macrotendências que devem se consolidar no setor ao longo dos próximos anos:
De acordo com Juan Francisco Delgado, diretor do relatório, as tendências destacadas pelo levantamento não só refletem a necessidade de inovação no setor agroalimentar, como também apontam os avanços que esse segmento de mercado está experimentando: “Foram percebidas mudanças tanto na produção primária, com a introdução de diversas inovações tecnológicas, quanto na indústria de transformação e na logística de distribuição, com a chegada da inteligência artificial, que trará um impacto bastante significativo ao longo dos próximos anos”, finaliza.

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