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Escrito por Neo Mondo | 25 de novembro de 2019
O Brasil ainda se caracteriza como um país das grandes queimadas e aumento do desmatamento, com chances de que a floresta, em poucos anos, se torne um ecossistema menos denso. Mudanças permanentes, crimes de grilagem de terras, ocupações ilegais, licenças obtidas de forma fraudulenta e violência contra as comunidades e povos indígenas não podem ser justificadas ou compensadas nem pela atividade econômica, nem pela geração de empregos ou subterfúgio do crescimento.
Num contexto em que dados do Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal, o Prodes - do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais- e do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real são desqualificados e desacreditados e em que se somam cortes aos orçamentos do IBAMA e ICMBio e em que são suspensos convênios, parcerias, termos de colaboração e termos de fomento com organismos do terceiro setor, o Brasil perde aos poucos a capacidade de monitorar, fiscalizar e prevenir crimes ambientais e práticas empresariais irresponsáveis.
A pressão pela expansão agrícola, da pecuária, da mineração e da madeira conta com algum grau de coadjuvância de empresários e governos e com um forte lobby que já foi justificado até por uma gestão de “harmonização de interesses”.
Para além da pressão desses setores, a região Amazônica oferece ao Brasil a possibilidade de o país assumir a dianteira de um modelo de descarbonização, de convivência com a floresta em pé, de combate à corrupção na área ambiental, e de uso responsável da biodiversidade.
Sociedade civil, empresas e governos podem encontrar soluções para um modelo próprio de desenvolvimento da região amazônica, com valor agregado e valor econômico superior ao modelo atual de substituição e desmatamento da floresta. Precisamos de uma modelo produtivo atualizado e conectado com a trajetória para a descarbonização no século XXI.
É neste sentido que a Conferência Ethos pretende promover a cada ano o conhecimento sobre os fluxos econômicos, produtivos e políticas públicas que, da floresta às cidades amazônicas, possam concretizar os arranjos locais, nacionais e internacionais pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia.
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