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Escrito por Neo Mondo | 20 de outubro de 2025
Foto: Ilustrativa/Freepik
POR - REDAÇÃO NEO MONDO
Instituição superou o BNDES; resultado evidencia crescimento dos investimentos na região
A Agência de Fomento do Amazonas (AFEAM) conquistou o primeiro lugar geral no ranking de atuação socioambiental das instituições financeiras de desenvolvimento. A agência obteve 38,93 pontos, resultado de uma gestão de riscos cuidadosa, que leva em conta critérios setoriais. Em segundo e terceiro ficaram, respectivamente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com 28,88 pontos (o primeiro entre os bancos de desenvolvimento), e o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), com 28,29 pontos.
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A AFEAM se destacou pela profundidade da gestão de riscos socioambientais, inclusive com ferramentas específicas para cada setor econômico. Com esse resultado, superou os bancos de desenvolvimento tradicionais, como o BNDES e o BDMG. Segundo Luciane Moessa, Diretora Executiva e Técnica da Associação Soluções Inclusivas Sustentáveis (SIS), organização que criou e implementou o ranking, o objetivo desse tipo de avaliação é entender as Políticas, Ações e Portfólios dos bancos de desenvolvimento e agências de fomento no que diz respeito aos impactos no desenvolvimento sustentável.
“As instituições financeiras de desenvolvimento desempenham papel estratégico no financiamento de projetos que impulsionam a economia regional e nacional. O mais recente ranking do setor evidencia a força e a diversidade dessas agências no Brasil, revelando quais Estados vêm se destacando na gestão de riscos e na oferta de linhas de crédito com impacto ambiental, social ou climático positivo", explicou. O levantamento avaliou todas as 20 instituições financeiras de desenvolvimento do país.
O resultado também mostra a crescente importância das agências estaduais no ecossistema de financiamento do desenvolvimento, sobretudo em um contexto de busca por soluções mais descentralizadas e alinhadas às realidades locais. "Nosso objetivo é reconhecer as instituições que mais contribuem para o desenvolvimento sustentável, fortalecendo ao mesmo tempo o microempreendedorismo local e a atuação dos Municípios, já que muitos buscam crédito para saneamento, habitação, iluminação pública e outros temas de infraestrutura com essas instituições", afirma Luciane Moessa.
Este é o sétimo ciclo do RASA (Ranking da Atuação Socioambiental de Instituições Financeiras), e a segunda vez em que as IFDs são avaliadas – a primeira foi no início de 2023. O ranking leva em consideração a proporção das carteiras de crédito e de investimentos realizados em títulos privados. Após a coleta de informações públicas, as instituições são convidadas a fornecerem informações adicionais, sendo que mais da metade delas enviaram dados complementares neste ciclo.
Os resultados finais foram apresentados por Luciane Moessa em uma live, que contou com a participação de três debatedores: Christianne Maroun, Coordenadora-geral do Climate Finance Hub Brasil, Rariany Monteiro, head de Regulação Financeira Positiva para a Natureza no WWF-Brasil, e Fernanda Westin, Gerente de Projeto do Centro Brasil no Clima.
Segundo Christianne Maroun, o levantamento feito pela SIS apresentou um panorama claro sobre o setor, que permite às instituições identificar seus pontos fortes e fracos e onde ainda precisam avançar. “As mudanças climáticas já estão acontecendo e tendem a se intensificar com processos sociais que não conseguimos interromper de um dia para o outro, mesmo com as iniciativas e políticas existentes”, afirmou.
“Os resultados mostram notas baixas em itens fundamentais, especialmente na adaptação às mudanças climáticas. Atualmente, cerca de 80% dos investimentos do setor financeiro vão para mitigação e apenas 20% para adaptação – uma proporção que precisamos reequilibrar. Houve avanços em relação a 2023, quando comparamos os resultados, mas seguimos com desafios importantes pela frente”, concluiu.
Rariany Monteiro explicou que o WWF-Brasil conta com duas metodologias internacionais que complementam e fortalecem a análise do setor. Uma delas, o SUSREG, monitora o avanço da regulação, oferecendo um panorama sobre as práticas de reguladores bancários e bancos centrais, sendo que o Brasil está bem posicionado. Já o SUSBAN avalia, de uma maneira mais geral, o desempenho dos bancos, sendo que os bancos brasileiros tiveram um desempenho ruim no cenário global.
Para ela, “a sustentabilidade precisa estar no centro do negócio. A sociobiodiversidade e suas atividades ainda são subdimensionadas, e é fundamental avançar da simples due diligence para uma gestão de risco mais estratégica, que gere impacto positivo. Por isso, fiquei positivamente surpresa com o papel das agências de fomento, ainda que os recursos aplicados sejam pequenos e possam ser melhor explorados”, disse.

Ela também destacou o rigor metodológico e científico do RASA. “O sistema financeiro precisa agir com mais agilidade diante das mudanças climáticas e construir uma estrutura sólida, comprometida com a sustentabilidade. Essa agenda é desafiadora, mas essencial. Há evidências claras, inclusive no setor agrícola, de que quanto maior o risco socioambiental e climático, maior tende a ser a inadimplência. Ou seja, sustentabilidade não é um obstáculo ao desempenho financeiro; é, na verdade, um fator que o fortalece. Por isso, precisamos de colaboração e parcerias para avançarmos juntos nessa direção.”
Fernanda Westin finalizou o debate apresentando os resultados do Anuário Estadual de Mudanças Climáticas, publicado pelo Centro Brasil no Clima, que avalia a governança climática e a capacidade institucional dos órgãos ambientais estaduais, abrangendo suas Políticas de Mudanças Climáticas, sua política fiscal, seus orçamentos (e o grau de transparência nessa matéria), os fundos em matéria ambiental e as linhas de crédito de instituições financeiras de desenvolvimento estaduais voltadas a gerar impactos climáticos positivos. O evento contou com a participação das duas agências de fomento que ficaram em primeiro lugar no segmento S4, que inclui as instituições de menor porte. Para consultar o ranking geral, clique aqui.
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