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Escrito por Neo Mondo | 8 de outubro de 2025
Rodrigo Gerhardt, gerente de vida silvestre da Proteção Animal Mundial - Foto: Divulgação
POR - REDAÇÃO NEO MONDO
Conclusão da primeira etapa da reforma foi possível a partir do acordo firmado pelo Ibama e a Proteção Animal Mundial. Acordo de cooperação técnica da autarquia com a UFRA vai fortalecer ações de ensino, pesquisa e extensão
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) inaugurou o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Benevides (PA). O espaço foi reformado como resultado do Acordo de Cooperação firmado entre o instituto federal e a organização não-governamental Proteção Animal Mundial. A intenção é que, ao longo dos próximos anos, o centro possa ser referência nacional para a Rede Cetas, formada por 25 unidades em 21 estados do país.
Para o presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, a inauguração do Cetas Benevides, primeiro espaço para receber e realizar tratamento de saúde e reabilitação da fauna silvestre no Pará, representa um marco histórico para a proteção da biodiversidade amazônica.
“O estado abriga uma fauna riquíssima, com espécies como araras, macacos, quelônios e felinos que sofrem com o desmatamento, a expansão das cidades e os efeitos das mudanças climáticas. O Cetas surge para preencher essa lacuna, visando receber animais vítimas de atropelamentos, apreendidos em operações contra o tráfico ou encontrados em áreas urbanas”, afirma.
Agostinho destaca que dispor de uma estrutura especializada para receber, reabilitar e devolver esses animais à natureza é fundamental para garantir sua sobrevivência. “Com o novo Cetas, o Ibama reforça seu compromisso de enfrentar o tráfico de animais silvestres e de assegurar que a riqueza natural do Pará continue sendo um patrimônio do povo brasileiro e das futuras gerações”.
O local poderá receber cerca de 5 mil animais por ano, a maioria de espécies ameaçadas de extinção, a exemplo do gavião real, da jaguatirica e do peixe-boi amazônico.

Parceria com a UFRA
Outra novidade é a oportunidade de aprendizado e desenvolvimento científico por meio da parceria com a Universidade Federal Rural da Amazônia, que fica em Belém.
“O Cetas de Benevides foi construído em um terreno cedido pela UFRA, e é um prazer e missão realizar essa cessão por conta dessa parceria histórica. Estamos finalizando um Acordo de Cooperação Técnica com o Ibama que visa institucionalizar a parceria e viabilizar a inclusão dos programas de residência médica veterinária no Cetas e fortalecer a parceria com o Hospital Veterinário e o CETRAS/UFRA. O espaço do Cetas será de vivência para os nossos alunos de graduação e pós-graduação”, avalia a Reitora da Ufra Janae Gonçalves.
Estrutura
O Cetas Benevides é formado por quatro instalações divididas em:
- 8 salas de quarentena;
- 12 recintos de reabilitação de animais;
- Alojamento para os funcionários (com dois quartos e cozinha e salas administrativas).
Peixes-boi
Destaque ainda para espaços que irão receber peixes-boi para tratamento e reabilitação desses mamíferos aquáticos. O Cetas paraense terá tanques especiais para receber um dos maiores mamíferos aquáticos de água doce do planeta.
“Nós temos uma unidade no Pará especializada na reabilitação e soltura de peixes-boi, o Programa de Conservação do Peixe-boi da Amazônia que foi desenvolvido aqui na superintendência devido aos mais de 60 animais recuperados e resgatados, principalmente filhotes, encontrados no período da seca. Então o Programa foi criado para possibilitar essa devolução”, explica o superintendente do Ibama Pará, Alex Lacerda, que avalia o novo Cetas como um avanço na proteção da fauna. “Atualmente, outras instituições ambientais estaduais e municipais apreendem animais, mas a destinação final é limitada. Com a inauguração do Cetas, será possível reabilitar os animais, recuperá-los e prepará-los para o retorno seguro à natureza”.
Participação da sociedade civil
A cooperação com a Proteção Animal Mundial inclui capacitação de equipes, aprimoramento de estruturas e atividades que envolvam o monitoramento pós-soltura das ações de refaunação. A reforma ainda prevê outras etapas de construção, sendo: construção de um prédio administrativo, criação de um túnel de voo para a reabilitação de aves, além de novos recintos e de um laboratório veterinário.
“Os Cetas recebem aqueles animais que são vítimas do tráfico, do desmatamento, das queimadas, da perda de habitat e de várias situações que deixam esses animais muito vulneráveis. É um esforço conseguir que eles tenham uma segunda chance de voltar para natureza, então para a Proteção Animal Mundial, que preza muito o bem-estar do animal em todas as suas possibilidades, é muito importante que a gente consiga garantir esse retorno à vida livre. Por isso, valorizamos muito essa oportunidade de apoiar o trabalho do Ibama”, explica Rodrigo Gerhardt, gerente de vida silvestre da Proteção Animal Mundial.
Em 2024, o estado do Pará registrou resgates de dezenas de aves como papagaios, bicudo, curió e rouxinol, além de jacarés, cobras, jabutis e aranhas-caranguejeiras. Outro desafio é a proteção dos animais silvestres capturados pela população para viverem em gaiolas, como papagaios e curiós ou para consumo, como os tracajás.
Cetas do Ibama
Os 25 Cetas do Ibama no Brasil recebem, em média, mais de 65 mil animais por ano. A maioria são aves (72%), seguida por répteis (15%) e mamíferos (12%). Após triagem, tratamento, recuperação e reabilitação nestes espaços, os animais aptos são soltos em biomas do seu habitat. Os que não atingem condições físicas ou comportamentais necessárias ao retorno para a vida livre, são encaminhados para outras destinações, conforme previstas em lei.

Histórico do peixe-boi amazônico
O peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis) é um dos maiores mamíferos aquáticos exclusivamente de água doce do planeta e símbolo da biodiversidade da Amazônia. Pode atingir até 3 metros de comprimento e pesar cerca de 400 quilos. Apesar do tamanho, é um animal dócil e herbívoro, alimentando-se de plantas aquáticas que ajudam a manter o equilíbrio ecológico dos rios.
A espécie está ameaçada de extinção, principalmente pela caça ilegal, que historicamente ocorreu em busca de carne e couro, e pela perda de habitat decorrente do desmatamento, da poluição dos rios e da expansão urbana. Além disso, mudanças climáticas e longos períodos de seca reduzem a disponibilidade de alimento e dificultam a sobrevivência da espécie.
Entre as curiosidades, destaca-se o fato de que o peixe-boi amazônico precisa subir à superfície a cada poucos minutos para respirar, apesar de conseguir ficar submerso por até 20 minutos. Ele é um dos símbolos da luta pela conservação na Amazônia e figura na lista oficial de espécies ameaçadas do Brasil.
O trabalho de resgate, reabilitação e soltura desses animais em centros especializados, como os Cetas do Ibama, é fundamental para evitar o desaparecimento do peixe-boi e garantir que continue desempenhando seu papel essencial nos ecossistemas aquáticos amazônicos.
O Ibama no Pará lançou esse ano o Projeto de Conservação de Peixes-Boi no Estado do Pará. A iniciativa é executada pelo Instituto Bicho D’água (IBD), coordenado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), com apoio do diversos entes públicos e privados, como a SEMAS-PA, SEGUP-PA, através do GRAESP (Grupamento Aéreo de Segurança Pública), Universidades públicas e privadas, instituições de pesquisa e entes municipais de meio ambiente.
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