Amazônia Destaques Educação Saúde Sustentabilidade
Escrito por Neo Mondo | 7 de dezembro de 2017
POR - IRENE SANTANA / NEO MONDO

Projeto Bem Diverso, realizado em parceria pela Embrapa e PNUD, também ajudará a cumprir metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU

O que a gastronomia pode fazer para a biodiversidade
O jornalista, ambientalista e chef de cozinha Renato Smeraldi fez a palestra de abertura do evento. Autor de ensaios e livros sobre desenvolvimento, sustentabilidade, políticas públicas, Amazônia, florestas, viagem e gastronomia, Smeraldi compartilhou as experiências do Centro Global de Gastronomia e Biodiversidade, do Instituto Atá (do famoso chef Alex Atala). Ele falou de temas como a inserção e valorização de produtos da biodiversidade brasileira pelo mercado.
“É preciso ter capacidade instalada nos territórios de onde são extraídos os produtos, como laboratórios que garantam questões sanitárias e a própria qualidade do produto”, disse.
Além de melhorar a infraestrutura dos locais de coleta, Smeraldi ressaltou a importância da formação periódica de pessoas para a criação e o desenvolvimento de produtos, da necessidade de serem ofertados mais espaços para o empreendedorismo e coworking e da socialização como forma de proteção do conhecimento tradicional. “Na hora em que a sociedade se apropria dos saberes, eles passam a ser reconhecidos e a ter autoria”, disse. “A própria marca é um exercício de reconhecimento coletivo”, concluiu.
Que o diga Luís Carrazza, diretor e fundador da Central do Cerrado, uma central de cooperativas que reúne 21 empreendimentos e comercializa mais de 220 produtos e artesanatos da biodiversidade do Cerrado. “O problema não é que falta mercado, mas que a produção e o mercado não se encontram”, disse Carrazza.
Em Juazeiro, na Bahia, parte desse problema já foi resolvido com a construção do Armazém da Agricultura Familiar, que vende os produtos da Central da Caatinga, fundada no ano passado. Talvez o único lugar do mundo onde se pode saborear uma autêntica “Cerveja de Umbú”.
E as mulheres, onde ficam?
Dados levantados pelo projeto Bem Diverso mostram que boa parte das atividades agroextrativistas no Brasil é realizada por mulheres. Sejam indígenas, quilombolas ou geraizeiras, a história e a experiência delas na luta por autonomia no campo ajudam na construção do conhecimento almejado pelo projeto.
“As mulheres ainda tem participação na economia 70% menor que os homens”, contou Ismália Afonso, que atua no Programa Gênero e Etnia do PNUD.
Mas o Bem Diverso quer mudar essa realidade e, por isso, estimula o protagonismo feminino por meio da capacitação e do empoderamento das mulheres.
“O que as mulheres precisam? De acesso ao crédito e ao mercado? Precisamos estar atentas às necessidades delas”, lembrou a pesquisadora da Embrapa Amapá Ana Margarida Euler.
A jovem Joaquina Malheiros, representante da Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da Ilha das Cinzas, em Gurupá – PA (ATAIC) e do Grupo Mulheres em Ação, já sabe que se organizar e compartilhar conhecimentos com outras comunidades pode ser um dos caminhos para o empoderamento feminino.
O projeto Manejo Comunitário de Camarão de Água Doce, por exemplo, venceu o Prêmio FINEP Inovação em 2011 na categoria Tecnologia Social. “Somos extrativistas de açaí, coletoras de sementes, mulheres, mães, amazônicas e nortistas. Não temos nem internet, mas até as redes de televisão de outros países já vieram nos entrevistar”. Aos poucos, o mundo vai conhecendo e se encantando com o poder dessas mulheres.
O Brasil quer liderar a bioeconomia global. Mas ainda não sabe o que ela é
O Brasil aprovou a sua própria bomba-relógio ambiental
Terras raras: entre Washington, Pequim e Brasília, quem controla o futuro