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Escrito por Neo Mondo | 19 de novembro de 2025
A COP30 vai entrando na reta final, mas a agenda do oceano segue pulsando forte - Imagem gerada por IA - Foto: Ilustrativa/Divulgação
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

No décimo dia da conferência, Alexander Turra revela como ciência, tecnologia e colaboração global estão moldando o futuro do oceano — mesmo quando o boletim atravessa fronteiras e volta para casa
O dia 19 de novembro começou com movimento intenso dentro da Blue Zone, mas terminou de forma simbólica às margens do Rio Guamá, no hotel Vila Galé, onde lideranças, cientistas e aliados do oceano se reuniram para um jantar de confraternização — um respiro no meio da reta final da COP30. Foi ali que Alexander Turra gravou o boletim de hoje, contando o que viu, ouviu e sentiu ao longo desse dia cheio de nuances e significados.
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Mesmo fora do Pavilhão do Oceano — apoiado pela FAPESP e onde ele passou a maior parte do dia — Turra manteve o brilho de sempre na voz ao dizer que este foi mais um capítulo decisivo da COP do Oceano.
O dia começou com um painel de alto nível dedicado à inovação, reunindo representantes de vários países para discutir como conectar tecnologia, negócios, conhecimento e novas formas de relacionamento com o oceano.
Segundo Turra, foi um encontro marcado por:
🔹 diplomatas,
🔹 cientistas,
🔹 empreendedores,
🔹 instituições multilaterais,
🔹 e países que apresentaram soluções ousadas para o futuro azul.
Ele contou:
“Foi um evento de alto nível, com representações diplomáticas e muitos exemplos concretos do que cada país está fazendo para integrar tecnologia e negócios na agenda do oceano.”
A tônica do painel foi clara:
inovar não é apenas desenvolver ferramentas — é criar novas linguagens de diálogo com o mar.
Mais tarde, Turra participou de uma atividade na Casa da Ciência, criada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação dentro do Museu Emílio Goeldi, em Belém.
Um espaço histórico, rodeado por árvores, animais, pesquisa e tradição.
Um símbolo vivo do encontro entre conhecimento ancestral e ciência contemporânea.
Ali, o tema central foi a diplomacia científica — a capacidade de produzir ciência de forma integrada, colaborativa e transnacional.
Os debates abordaram:
Amazônia Verde – as florestas, seus ciclos, seus povos e sua resiliência.
Amazônia Azul – o oceano, suas correntes, sua biodiversidade e sua ciência.
Ciência compartilhada – como países, universidades e instituições podem trabalhar juntos.
Turra resumiu com uma frase que traduz perfeitamente o clima da mesa:
“Para superar os desafios da COP30, vamos precisar conversar, trocar e construir juntos.”
Foi mais que um painel: foi uma declaração sobre o futuro do conhecimento brasileiro — e sobre como ciência e diplomacia precisam caminhar de mãos dadas.
O boletim de hoje não termina no plenário, nem no pavilhão, nem em uma sala técnica.
Termina à beira do rio, com pessoas chegando para o jantar dos Amigos do Oceano — uma confraternização que encerra o ciclo presencial do Turra na COP30.
Ele diz:
“O boletim não acaba aqui. Eu volto para São Paulo esta noite e continuo as atividades remotamente, acompanhando as negociações.”
Há algo bonito, quase poético nisso.
Porque a COP é feita de painéis e decretos, sim.
Mas também é feita de vínculos, alianças, encontros e afetos.
E Turra, ao fechar o dia nesse espaço de convivência, mostra que o Oceano também se faz de gente.
O boletim termina com um convite:
“Vem comigo, amanhã tem mais.”
E nós seguimos dessa forma — conectados entre Belém, São Paulo e o Atlântico inteiro, cobrindo cada movimento dessa que entrou para a história como a COP do Oceano, e que segue, até o último dia, moldando caminhos de inovação, ciência, diplomacia e futuro.
Série especial “Boletins da COP30 | Horizontes Azuis”
A cada novo dia da COP30, o portal Neo Mondo publica um boletim em vídeo direto da Blue Zone, apresentado por Alexander Turra — professor da USP, coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano com a parceria estratégica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Os vídeos são incorporados às matérias escritas por Oscar Lopes, publisher do portal, conectando o olhar da ciência e da comunicação no maior evento climático do planeta.

Biólogo, educador, pesquisador e comunicador. Professor titular do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, dedica-se a promover a aproximação entre o oceano e a sociedade.

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