Amazônia COPs Destaques Economia e Negócios Emergência Climática Meio Ambiente Oceano Política Saúde Segurança Sustentabilidade

COP30 — Dia 9: O Oceano ocupa tudo — dados abertos, planos globais, economia azul, cinema ambiental e o Brasil de volta ao centro das decisões

Escrito por Neo Mondo | 19 de novembro de 2025

Compartilhe:

A cada dia da COP30, a pauta oceânica cresce — mas hoje ela transbordou - Imagem gerada por IA do navio científico norueguês “REV Ocean” - Foto: Ilustrativa/Divulgação

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

foto do logo da cop30

No nono dia da conferência, Alexander Turra revela uma COP em ebulição: o Oceano aparece em todos os pavilhões, em todos os painéis e nas falas das principais lideranças globais

Hoje foi o dia em que a frase — repetida em corredores, painéis e mesas redondas — finalmente ganhou corpo:
esta é, oficialmente, a COP do Oceano.

E não fomos nós que dissemos.
Quem afirmou, com todas as letras, foi Peter Thomson, o enviado especial da ONU para os oceanos — o maior diplomata da agenda azul no planeta.

E quando ele diz isso, não é exagero. É constatação.
Porque no nono dia da conferência, como descreveu Alexander Turra no boletim diário para o Portal Neo Mondo, o Oceano estava literalmente em todo lugar.

Leia e assista também: COP30 — Dia 8: A Carta de Belém, microplásticos em nossos alimentos e o oceano como potência de captura de carbono

Leia e assista também: COP30 — Dia 7: O Brasil lança a Estratégia Nacional do “Oceano Sem Plástico” e reforça que contar histórias é também uma ação climática

O Oceano transborda os limites do pavilhão: está em todos os eventos

Turra começou o dia destacando algo que ele mesmo pareceu surpreso — não existe mais um pavilhão do oceano.

Há oceano:

  • no pavilhão da Noruega,
  • no Hub Ocean,
  • nos eventos paralelos,
  • nos side events,
  • no BNDES,
  • no cinema ambiental,
  • nos planos de sustentabilidade,
  • no planejamento espacial marinho,
  • nos discursos diplomáticos,
  • nas mesas sobre economia, ciência, clima e inovação.

É como se o mar tivesse, finalmente, rompido a muralha das COPs.

E que bom que rompeu.

Noruega abre o dia discutindo um dos temas mais sensíveis: dados oceânicos compartilhados

A primeira atividade do dia veio com força: dois eventos organizados pela Noruega, um dentro e outro fora da Blue Zone.

Tema:
Como criar um movimento global de compartilhamento de dados oceânicos?

Turra explicou o conceito de forma simples e poderosa:

“Em vez de cada empresa guardar seus dados para si, elas compartilham. E quando todas fazem isso, o volume de informação é gigantesco.”

E isso tem efeitos imediatos:

✔ melhor previsão climática e oceânica
✔ base para políticas públicas
✔ criação de áreas marinhas protegidas
✔ redução de acidentes e riscos
✔ novos negócios
✔ mais segurança para navegação e logística

Tudo isso está sendo articulado pelo Hub Ocean, que está criando um pacto global empresarial pela transparência e pelos dados abertos.

Chega ao Brasil, em 2027, o navio norueguês que fará história

Turra trouxe uma novidade emocionante:

📍 Em abril de 2027, na Conferência da Década do Oceano, no Rio de Janeiro, o navio norueguês REV Ocean — com 200 metros de comprimento — atracará no Brasil.

Ele virá para iniciar uma série de pesquisas em cooperação com o Instituto Oceanográfico da USP.

Será um marco científico e diplomático.

Governança global: países discutem Planos de Sustentabilidade do Oceano

Outro momento-chave do dia foi a mesa sobre Sustainable Ocean Plans, um conceito articulado no High Level Panel for a Sustainable Ocean Economy — capitaneado pela Noruega e promovido pela UNESCO.

A ideia é simples e revolucionária:

100% das áreas marinhas sob jurisdição nacional devem ser gerenciadas de forma sustentável, com base na abordagem ecossistêmica.

Turra descreveu a mesa com brilho:

  • delegações do mundo todo
  • especialistas internacionais
  • gestores públicos
  • cientistas
  • formuladores de políticas
  • representantes da ONU

E o anúncio mais importante:

📌 O Brasil entrou no High Level Panel.

O Brasil aceitou o convite para participar do fórum que define as diretrizes internacionais da economia azul.

É simbólico.
É estratégico.
E reposiciona o país na governança global do Oceano.

BNDES Azul: o banco que financia o futuro do mar

O dia também teve um destaque nacional importante: um painel comandado pelo BNDES Azul, programa dedicado à proteção de:

  • manguezais
  • recifes de corais
  • ilhas oceânicas
  • ecossistemas costeiros
  • planejamento espacial marinho

Turra reforçou que o papel do BNDES precisa ser replicado em bancos de desenvolvimento ao redor do mundo:

“Sem investimento, a agenda oceânica não se implementa.”

Simples e direto.

Cinema para transformar: "Amazônia" e "Ondas Limpas"

O dia terminou com arte.
Dois documentários foram lançados:

  • Amazônia
  • Ondas Limpas

Ambos produzidos pela equipe do Pedro Saad, que tem se dedicado a levar conteúdos ambientais a mais de 240 canais — abertos, fechados e de streaming — em todo o país.

Turra disse emocionado:

“O oceano está chegando na casa de todo mundo.”

E essa é a verdadeira virada civilizatória: quando a pauta deixa de ser técnica e passa a ser cultural.

O Oceano não vai mais sair da COP — e nem das nossas vidas

Antes de encerrar o boletim, Turra disse com brilho nos olhos:

“O oceano está aqui — e daqui nunca mais vai sair.”

E é isso.
Com dados, ciência, governança, financiamento, arte, comunicação e política, o Brasil e o mundo começam a entender que não existe futuro sem um oceano vivo.

E nós, do Neo Mondo, seguimos contando essa história — dia após dia.

Série especial “Boletins da COP30 | Horizontes Azuis”

A cada novo dia da COP30, o portal Neo Mondo publica um boletim em vídeo direto da Blue Zone, apresentado por Alexander Turra — professor da USP, coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano com a parceria estratégica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Os vídeos são incorporados às matérias escritas por Oscar Lopes, publisher do portal, conectando o olhar da ciência e da comunicação no maior evento climático do planeta.

foto de alexander turra, “COP30 deve pactuar sequestro de carbono em florestas e no oceano”, afirma Alexander Turra
Alexander Turra - Foto: Divulgação

Biólogo, educador, pesquisador e comunicador. Professor titular do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, dedica-se a promover a aproximação entre o oceano e a sociedade.

logo da cátedra do oceano, na cop30

Compartilhe:


Artigos anteriores:

Dia da Terra: o que precisa mudar para que continuemos aqui

Secas mais longas e mudanças nas chuvas já ocorrem na Amazônia, apontam pesquisas

Quando o crédito passa a vigiar a floresta


Artigos relacionados