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Escrito por Neo Mondo | 4 de julho de 2025
Organizações sociais entregam plano para financiamento da Amazônia à presidência da COP30. — Foto: Isa Castilho/COP30
POR - OSCAR LOPES*, PUBLISHER DE NEO MONDO
Sociedade civil entrega à presidência da COP30 propostas para ampliar o financiamento em larga escala a soluções baseadas na natureza e impedir o colapso da maior floresta tropical do planeta
Às vésperas da COP30 — a mais simbólica e decisiva conferência climática das últimas décadas — um grupo diverso e influente de organizações da sociedade civil, centros de pesquisa, povos indígenas e instituições internacionais entrega à presidência do evento um conjunto de recomendações robustas, com um único objetivo: evitar que a Amazônia ultrapasse seu ponto de não retorno.
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A proposta é clara e audaciosa: mobilizar US$ 7 bilhões anuais, redirecionar subsídios destrutivos e garantir que os recursos cheguem diretamente às mãos daqueles que protegem a floresta — os povos indígenas e as comunidades tradicionais. O documento, intitulado “Ampliando o Grande Financiamento para Soluções Baseadas na Natureza para Proteger a Amazônia”, chega em um momento decisivo da história ambiental e climática do Brasil e do mundo.
A ciência é categórica: se entre 50% e 70% da floresta amazônica for perdida, cerca de 300 bilhões de toneladas de carbono serão liberadas na atmosfera. Isso inviabilizaria as metas do Acordo de Paris e colocaria em risco a estabilidade climática do planeta. Com 17% da floresta já desmatada e mais de 30% degradada, a margem de segurança se estreita perigosamente. Evitar o colapso exige ação coordenada, ousada e urgente.
Embora a Amazônia tenha potencial para entregar até 30% da mitigação climática necessária até 2030, apenas 3% do financiamento climático global é destinado a soluções baseadas na natureza para mitigação. A proposta entregue à presidência da COP30 busca justamente reverter essa lógica: canalizar recursos de forma estratégica para conservação, restauração e economia inclusiva de baixo carbono na região.

Entre os instrumentos recomendados estão:
A floresta amazônica não é apenas um símbolo da biodiversidade global — é infraestrutura ecológica crítica. Com seus 6,5 milhões de km², abriga 13% da diversidade biológica mundial e influencia o regime de chuvas em toda a América do Sul. Sua proteção não é um gesto ambiental: é uma estratégia climática, econômica e geopolítica de sobrevivência coletiva.
Nas palavras da secretária nacional de Mudança do Clima e diretora-executiva da COP30, Ana Toni:
“A COP30 será um ponto de virada no debate de financiamento para a natureza. Soluções financeiras inovadoras, como o Florestas Tropicais para Sempre, são prioridades para a presidência brasileira em nosso mutirão global para acelerar a ação climática.”
Esse esforço coletivo encontra eco também na articulação da sociedade civil. Para Livia Pagotto, da rede Uma Concertação pela Amazônia:
“A união de esforços para garantir recursos financeiros para soluções baseadas na natureza é essencial para que a Amazônia gere prosperidade e bem-estar a todos seus habitantes com a floresta em pé.”
Realizar a COP30 em Belém do Pará, coração da Amazônia, é mais do que uma escolha geográfica: é uma convocação simbólica ao planeta. O Brasil tem agora a chance de liderar uma coalizão global pelo financiamento da natureza, reunindo governos, bancos multilaterais, filantropias e setor privado em um novo pacto climático.
Como resume Rachel Biderman, vice-presidente sênior da Conservação Internacional para as Américas:
“A solução está ao alcance da presidência brasileira da COP30 e pode começar a ser implementada já em Belém.”
A proteção da Amazônia é, acima de tudo, uma escolha política. Com investimento estratégico, vontade coletiva e respeito à ciência e aos povos da floresta, ainda é possível evitar o colapso. Mas a janela está se fechando. A COP30 será o palco dessa encruzilhada — e a história cobrará de todos nós a resposta que dermos.
As organizações listadas abaixo estão disponíveis para apoiar a Presidência e o escritório dos Campeões Climáticos de Alto Nível nessas solicitações. Com expertise em áreas-chave relacionadas
à conservação, financiamento climático e desenvolvimento sustentável, essas instituições podem contribuir significativamente para a implementação de estratégias que promovam a proteção do bioma Amazônia, fortaleçam as economias locais e alinhem as ações climáticas às metas globais de sustentabilidade.
*Com informações da AVIV Comunicação.

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