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Escrito por Neo Mondo | 3 de agosto de 2018
Recife de corais - Foto: Shaun Wilson[/caption]
Os cientistas descobriram que os ecossistemas tropicais abrigam quase todos os corais de águas rasas e mais de 90% das espécies de aves do mundo. “Muitas delas não encontradas em nenhum outro lugar”, alerta Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental(PA), coautora do trabalho.
Não é novidade no meio científico que os ecossistemas tropicais abrigam uma vasta diversidade de espécies de plantas e animais e que são fundamentais para o bem-estar de milhões de pessoas em todo o planeta. A novidade é que o grupo internacional de pesquisadores quantificou a biodiversidade presente em regiões tropicais e os resultados suscitam um alerta global para a necessidade de evitar a perda de espécies nos trópicos e de reverter danos já causados.
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Rio Negro - Foto: Jos Barlow[/caption]
“Para se ter uma ideia da importância dessas regiões, mesmo as aves que não são nativas dos trópicos, se abrigam nesses ecossistemas por longos períodos em função do movimento migratório de determinadas espécies”, conta Cecília Leal, coautora do estudo, do Museu Paraense Emilio Goeldi.
Floresta amazônica - Foto: Adam Ronan[/caption]
Rã amarela (Osteopilus pulchrilineatus) - Foto: Alexander Lees[/caption]
Para Joice Ferreira, da Embrapa, parte da solução está no fortalecimento da capacidade das instituições de pesquisa nos trópicos. “Apesar de algumas exceções notáveis, como a Embrapa, a grande maioria dos dados e pesquisas está concentrada em países fora dos trópicos”, afirma a pesquisadora. O que, para ela, é uma fragilidade. “Espera-se que quem vive no Brasil, e particularmente na Amazônia, tenha o domínio do conhecimento sobre a região, mas não é o que acontece na maioria das vezes”, completa. Já o pesquisador Jos Barlow, da Universidade de Lancaster, afirma que os mercados externos têm um papel crítico no futuro dos trópicos e que as pressões precisam ser equilibradas pela ajuda internacional.
Os autores enfatizam ainda a dimensão internacional da pesquisa e a necessidade de ampliar e aprofundar redes e colaborações que combinem especialistas de diferentes países e disciplinas, tanto de instituições públicas quanto privadas. “Governos, empresas, investidores e organizações da sociedade civil têm na construção coletiva recursos preciosos para ações de conservação”, avaliam os pesquisadores, que trabalham em uma rede colaborativa de pesquisa na Amazônia há quase dez anos.
A Rede Amazônia Sustentável é um consórcio de instituições brasileiras e internacionais de pesquisa, que atua na avaliação da sustentabilidade dos usos da terra no leste da Amazônia desde 2010. A iniciativa reúne mais de 30 instituições parceiras, entre elas Embrapa Amazônia Oriental e Embrapa Territorial (SP), contando com quase 100 pesquisadores e estudantes de diversos países.
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