Recorte da Nuvem de pontos Lidar – Foto: Cristiano Rodrigues Reis
Reis explica que, após mapear as clareiras, foi calculada a frequência das clareiras nas suas respectivas áreas para cada faixa e ajustada a função chamada
Power-law, pela qual se obteve o coeficiente de escala da função que apresentou uma alta sensibilidade, a ponto de diferenciar as florestas intactas daquelas com indícios de perturbação antrópica, próximas a zonas de desmatamento (arco do desmatamento). Entre as métricas utilizadas, a função se destacou, o que reforça a importância de se obter esse parâmetro para estudos de clareiras, segundo o pesquisador.
Efeito contágio
Os resultados mostraram que as florestas com indício de perturbação antrópica apresentavam maior quantidade de clareiras e essas eram maiores, quando comparadas às florestas intactas, mais distantes das zonas de desmatamento. De acordo com o cientista, o que explica esse dado pode não ser apenas a retirada artificial das árvores para fins econômicos, mas também uma espécie de efeito contágio gerado pela alteração no ambiente dessas estruturas. “A abertura de clareiras e a ascendência do sub-bosque por quedas de árvores são naturais, mas é um processo lento e que modifica as condições microclimáticas do ambiente. Quando a abertura do dossel é forçada pelo homem, abrem-se grandes espaços rapidamente e a mudança drástica no ambiente favorece a morte das árvores ao redor, gerando um efeito cadeia”, completa.
Quanto às florestas sem indícios de perturbação antrópica, quando analisadas as estruturas dos dosséis e comparadas às variáveis ambientais de cada região, observou-se que maior fertilidade do solo, velocidade do vento, intensidade de queda de raios e déficit hídrico são fatores relacionados com um aumento, tanto em número como em tamanho, na abertura das clareiras. Com exceção da fertilidade do solo — que quanto maior, acelera a dinâmica florestal e logo, também a abertura de clareiras — os demais fatores preocupam os cientistas por estarem ligados às mudanças climáticas. Um exemplo é a mudança no regime de chuvas, que acentua o déficit hídrico e, consequentemente, a morte de árvores. “Se continuarmos neste ritmo de mudanças climáticas, as florestas sem perturbação podem apresentar clareiras semelhantes às modificadas pelo homem, sendo pouco diferenciadas”, afirma.
Os dados também revelaram que regiões com árvores maiores também possuem clareiras maiores, o que é explicado pela ausência da copa da árvore que veio ao solo, por exemplo, e pelo impacto que ela causa ao redor pelo seu tamanho. Além disso, dosséis mais altos apresentam um número menor de clareiras. Isso se dá, segundo Reis, pelo fato de que a vegetação do sub-bosque dessas áreas mascara a queda das árvores e, consequentemente, as aberturas.
“A distribuição de grandes clareiras no dossel florestal varia substancialmente ao longo da Amazônia brasileira. Os resultados deste trabalho mostram a importância de se calcular o coeficiente de escala para identificar áreas intactas e modificadas pelo homem”, completa.
Modelo digital de dossel evidenciando as aberturas (clareiras) – Foto: Cristiano Rodrigues Reis