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Escrito por Neo Mondo | 30 de abril de 2021
O uso do mercúrio na busca pelo ouro traz uma série de problemas ambientais para os rios amazônicos - Foto: © Adriano Gambarini/ WWF-BrasilImpactos negativos nos povos indígenas “A liberação das TIs para terceiros, prevista em projetos de lei e instruções normativas, causa desmatamento, destruição ambiental e desorganização social. É um perigo afrouxar a legislação ambiental”, afirmou Elcio Manchineri, indígena e representante da Coiab. Manchineri destacou o PL 191/2020 que libera a exploração de recursos minerais e hidrográficos nas terras indígenas para terceiros e indica que apenas 1% dos recursos financeiros gerados pela atividade seriam destinados aos seus habitantes: “voltamos ao século XVIII, quando os éramos considerados incapazes". Manchineri também mencinou o PL 510 que beneficia a grilagem. “Por esse texto, vale declaração de próprio punho de pessoas que invadiram terras indígenas afirmando que são residentes há anos. Isso ameaça gravemente a existência futura de todos os quilombolas, povos indígenas e extrativistas”, afirmou. Impacto na saúde das pessoas e animais Segundo Marcelo Oliveira, diversos estudos mostraram que mais de 80% das pessoas que vivem em áreas próximas ao garimpo estão contaminadas: “mesmo habitando em Áreas Protegidas, as pessoas estão sendo expostas à contaminação por mercúrio por conta do consumo de peixes. Algumas têm 30 vezes mais mercúrio no corpo do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS)”. O especialista do WWF-Brasil lembrou que as populações ribeirinhas têm no peixe sua principal fonte de proteína. “Pedir para que essas comunidades mudem a sua dieta tradicional não é a solução. A Amazônia é gigantesca e para atuar em todas as áreas precisamos de apoio do governo, mas na situação atual eles não ajudam, pelo contrário, favorecem o genocídio dos povos tradicionais do Brasil”, afirmou. Oliveira recordou ainda um estudo elaborado pelo WWF que revelou contaminação de botos por mercúrio e outro, de 2013, que mostrou que onças da Amazônia continham em seu organismo os maiores níveis de mercúrio jamais encontrados em animais. Soluções para mitigar os efeitos negativos do garimpo O Projeto de Lei 836/2021, que prevê o controle de comercialização do ouro, foi apontado como uma solução positiva pelos especialistas. Deborah Goldemberg, do WWf-Brasil, apresentou outras, como: “não comprar de origem desconhecida; estreitar os vínculos entre a mina e o mercado (eliminando intermediários); conceder incentivos financeiros; realizar uma reforma tributária; estabelecer um Pacto pelo Ouro Responsável (que identifica as conexões estratégicas da cadeia de produção e a rastreabilidade do produto) e campanhas de conscientização”. “Existe no mercado um dispositivo que monitora onde as máquinas estão e quando entram em área ilegal indicam ao motorista que não deve entrar; insistindo, a máquina para. É um dispositivo quase gratuito e de fácil instalação. Queremos propor isso às empresas como forma de impedir a ilegalidade”, disse Deborah.
Elcio Manchineri finalizou sua participação com um apelo para que toda a sociedade se aproxime mais da floresta e seus povos. “O brasileiro precisa conhecer mais a sua terra, suas riquezas naturais para que perceba que esse patrimônio é dele também. É nosso”, afirmou.
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