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Novo edital do Floresta Viva destina R$ 6,3 milhões para restaurar a Bacia do Xingu

Escrito por Neo Mondo | 22 de setembro de 2025

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Rio Xingu, sobrevoo Usina Hidrelétrica Belo Monte - Foto: Divulgação/Norte Energia

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

Uma virada para o futuro: recursos que unem ciência, comunidades e esperança na Amazônia

O Xingu como palco de transformação

Às vésperas da COP30, a Amazônia volta a ser protagonista de uma boa notícia. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) acaba de lançar o edital Bacia do Rio Xingu 2, por meio da iniciativa Floresta Viva, com a meta de selecionar até seis projetos que vão recuperar áreas estratégicas desse território vital para o equilíbrio climático global. São R$ 6,3 milhões que poderão financiar ações de restauração ecológica em Unidades de Conservação, Áreas de Preservação Permanente, Reservas Legais de pequenos produtores, assentamentos da reforma agrária e territórios indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.

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Esse não é apenas mais um edital. É uma convocação para acelerar a restauração ecológica em um momento decisivo. Afinal, o Xingu é um dos rios mais icônicos da Amazônia e seu entorno concentra desafios ambientais, sociais e econômicos que precisam de soluções criativas e colaborativas.

Quem pode participar e por que isso importa

As portas estão abertas para associações civis, fundações privadas e cooperativas que atuem há pelo menos dois anos. E o recado é claro: não basta plantar árvores. É preciso restaurar ecossistemas, fortalecer cadeias produtivas e envolver as comunidades locais no processo. No mínimo 50% dos recursos de cada projeto devem ir diretamente para atividades de restauração ecológica, garantindo que a regeneração seja o centro da ação.

Essa exigência é poderosa, porque evita iniciativas superficiais e prioriza o impacto real. Imagine a diferença de um projeto que capacita agricultores, cria viveiros comunitários de mudas nativas, restaura nascentes e, de quebra, gera renda para famílias ribeirinhas. É disso que estamos falando: de regeneração que transforma paisagens e vidas.

Parcerias estratégicas que somam forças

O edital conta com recursos do Fundo Socioambiental do BNDES e de parceiros como a Norte Energia (concessionária da Usina Hidrelétrica Belo Monte), a Energisa e o Fundo Vale. Para Silvia Cabral, diretora de Regulação, Comercialização e Sustentabilidade da Norte Energia, essa é uma prioridade estratégica:

“Apoiar o Floresta Viva significa somar esforços pela restauração da Amazônia e pela valorização do bioma. Essa é uma prioridade para nós: gerar energia limpa com responsabilidade socioambiental e contribuir para a preservação do território onde atuamos.”

Esse tipo de parceria público-privada é o que precisamos multiplicar. Quando empresas, bancos de fomento e sociedade civil se juntam, o impacto é exponencial. E o fato de termos o Funbio (Fundo Brasileiro para a Biodiversidade) como parceiro gestor dá segurança e credibilidade ao processo.

Uma segunda chance para o Xingu

O novo edital busca aplicar os recursos remanescentes do primeiro chamado, lançado em 2023, que destinou R$ 20,3 milhões a quatro projetos transformadores:

  • Xingu Sustentável – fomento ao cacau orgânico no Médio Xingu
  • Na Trilha da Floresta Viva – restauração ecológica socioprodutiva
  • Sempre Vivas, Sempre Verdes – inclusão socioprodutiva na Resex Verde para Sempre
  • Resset Assurini – inovação em restauração ecológica conduzida pela Fundação Guamá

Essas experiências já vêm mostrando resultados concretos e agora o desafio é ampliar o alcance. Essa continuidade é essencial porque restauração florestal não acontece da noite para o dia – precisa de anos de monitoramento, de cuidado com o solo, de manejo de espécies e de acompanhamento das comunidades

foto do rio xingu
Sobrevoo Usina Hidrelétrica Belo Monte - Foto: Divulgação/Norte Energia
Um chamado à ação

As propostas devem ser apresentadas até 7 de novembro, no site do Funbio. É hora de mobilizar universidades, ONGs, cooperativas e lideranças locais para que tragam projetos ousados e bem estruturados. Cada hectare recuperado é um passo na direção de um futuro mais resiliente para o Brasil e para o planeta.

E, convenhamos, precisamos de boas notícias. Em tempos de queimadas e desmatamento recorde, falar em restauração ecológica é quase um ato de resistência – e de esperança. É como se disséssemos em coro: “ainda dá tempo de mudar essa história”.

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