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Escrito por Neo Mondo | 22 de outubro de 2025
Tereza Giannini, pesquisadora do Instituto Tecnológico Vale - Foto: Divulgação
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DO PORTAL NEO MONDO
Cientistas do Instituto Tecnológico Vale mostram que ciência, biodiversidade e agroflorestas caminham juntas para garantir o futuro da Amazônia – e que a liderança feminina é a chave para essa transformação
Quando penso na Amazônia, lembro que cada fruto, cada sombra fresca e cada história contada pelos rios tem algo em comum: a presença silenciosa — e poderosa — de quem cuida. E, hoje, esse cuidado tem rosto de mulher. Na ciência, elas avançaram como nunca: em duas décadas, a participação feminina na autoria de artigos no Brasil saltou de 38% para 49%, colocando o país entre os três com maior representatividade feminina na pesquisa, segundo o estudo “Em direção à equidade de gênero na pesquisa no Brasil” (Elsevier Bori, 2024). Não é só número — é transformação.
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No coração dessa virada está Tereza Giannini, bióloga e pesquisadora do Instituto Tecnológico Vale (ITV), referência no estudo dos impactos das mudanças climáticas sobre polinizadores e na conexão entre biodiversidade, agroflorestas e produção agrícola. Em conversa com a reportagem, Tereza foi direta: “Proteger a biodiversidade é também proteger as agroflorestas.” É uma frase-síntese de um raciocínio mais amplo: sem diversidade biológica, não há segurança alimentar, não há economia da floresta em pé — e, claro, não há futuro.
A Amazônia que dá certo é a que poliniza saberes, cultivos e renda. Tereza reforça essa lógica quando explica que o cacau — símbolo da agricultura amazônica — depende do equilíbrio entre floresta e produção. E ela detalha o mecanismo com a clareza de quem vive o tema no campo e no laboratório:
“Quando você tem biodiversidade, regula o clima, protege os polinizadores e cria um ambiente mais adequado para o cultivo. As agroflorestas são um exemplo vivo disso.”
Traduzindo: mais polinizadores = mais frutos = mais renda para quem planta e cuida. É ciência aplicada ao cotidiano de comunidades que dependem da floresta — e que precisam que essa floresta continue de pé.

Esse olhar ganhou tela e trilha na nova produção da Vale, “O Tempo da Floresta”, terceiro filme da campanha protagonizada por Gaby Amarantos com direção de Bob Wolfenson. A peça destaca a importância dos polinizadores para o equilíbrio do ecossistema e para o fortalecimento da bioeconomia amazônica — exatamente no ano em que o mundo volta os olhos para Belém, sede da COP30. É quando a arte encontra a ciência e as duas falam a mesma língua: esperança.
Em Belém, o Instituto Tecnológico Vale atua de forma integrada em pesquisa, educação e empreendedorismo, produzindo conhecimento para a Amazônia e outros biomas com uma pegada interdisciplinar e colaborativa. A diretriz é clara: soluções baseadas na natureza que gerem impacto social e ambiental positivo. Como resume Patrícia Daros, diretora de Soluções Baseadas na Natureza da Vale:
“Nosso objetivo é buscar as infinitas soluções baseadas na natureza, promovendo cada vez mais impacto positivo para as pessoas que vivem da floresta e na floresta. Nós entendemos que a bioeconomia e a biotecnologia são muito importantes do ponto de vista socioambiental, porque podem gerar uma economia mais justa e equitativa, alcançando ganhos relevantes para a biodiversidade. Valorizar o conhecimento, os saberes e conectar a potência da Amazônia com os mercados reconhecendo os seus ativos é fundamental.”
No caminho para a COP30, a Amazônia precisa de pautas concretas: proteger polinizadores, ampliar sistemas agroflorestais, garantir renda digna, valorizar o conhecimento local, investir em P&D e educação científica com recorte de gênero. Não é teoria — é estratégia de desenvolvimento.
E aqui volto à síntese que Tereza nos oferece. Ao dizer que “proteger a biodiversidade é também proteger as agroflorestas”, ela nos dá uma bússola que aponta para três coordenadas simples e poderosas:
No fim do dia, o que fica é a sensação de que o tempo da floresta é, sim, feminino — no método, na escuta, no cuidado e na coragem de construir pontes entre a natureza e a economia real. E é nessa frequência que ciência, arte e bioeconomia se encontram para contar a mesma história: a Amazônia que floresce é a Amazônia que tem mulheres no centro.
Sobre o ITV-DS
Inaugurado há 15 anos, o Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável, instituição sem fins lucrativos mantida pela Vale, atua como centro de pesquisa multidisciplinar com foco na geração de conhecimento e valor para a Vale e a Amazônia. O ITV-DS busca contribuir com o Pará e o Brasil no desenvolvimento de soluções tecnológicas e científicas para os desafios da cadeia da mineração e da sustentabilidade para as futuras gerações.
Sua atuação é focada em uma postura ativa e inovadora em pesquisa e educação, abrangendo diversas áreas estratégicas. Biodiversidade, serviços ambientais, recursos hídricos, socioeconomia, genômica ambiental, reflorestamento com espécies nativas, recuperação de áreas degradadas, ocupação e uso da terra, mudanças climáticas são apenas alguns dos campos para os quais o ITV-DS direciona seus esforços.
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