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Rumo a um futuro sustentável na Amazônia

Escrito por Neo Mondo | 7 de julho de 2025

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Katyana Xypaia, Silvia Cabral (Norte Energia), Marina Grossi (CEBDS), Thomas Sottili (Norte Energia) - Foto: Divulgação

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

Norte Energia apresenta soluções inovadoras em renda indígena e mobilidade elétrica no Congresso CEBDS 2025, em Belém

Com foco na construção de um novo modelo de desenvolvimento sustentável para a Amazônia, a Norte Energia — concessionária da Usina Hidrelétrica Belo Monte — marcou presença no Congresso Sustentável CEBDS 2025 – Brasil de Soluções, promovido pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), nos dias 1º e 2 de julho, no Teatro Gasômetro, em Belém (PA). A empresa apresentou iniciativas que aliam geração de renda, valorização da cultura indígena, mobilidade elétrica e conservação da floresta em pé — apontando caminhos concretos para o Brasil que emerge da transição ecológica.

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Empreendedorismo ancestral: a floresta como potência econômica

Durante o painel “Raízes da Prosperidade: o Brasil e a nova economia da floresta”, que reuniu empresários, jornalistas e pesquisadores, os desafios de harmonizar desenvolvimento e preservação na Amazônia foram abordados sob uma nova ótica: a da economia de base florestal com protagonismo indígena.

Katyana Xipaya, liderança indígena que participou dos programas Belo Monte Empreende e Belo Monte Comunidade, compartilhou sua experiência inspiradora como empreendedora amazônida. Ela defendeu a importância de ativar a economia da floresta com protagonismo dos povos originários, combinando conhecimento ancestral, inovação e geração de valor.

“A floresta nos dá tudo: castanha, cacau, embalagens biodegradáveis. A questão é: como gerir isso e levar adiante? É através dos apoiadores”, destacou Katyana. “Nosso chocolate, o Sidjä Wahiü, só se tornou realidade porque recebeu investimento da Norte Energia. Com iniciativas como essa, os produtos indígenas vindos da floresta deixam de ser apenas uma ideia — e viram realidade.”

Poraquê: um novo caminho para a mobilidade elétrica na Amazônia

Outro ponto alto da participação da Norte Energia foi a apresentação do catamarã elétrico Poraquê, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), como parte de um projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A embarcação é o carro-chefe do primeiro corredor verde de transporte da Amazônia, que inclui ainda dois ônibus elétricos — um deles intermunicipal —, eletropostos para recarga e um aplicativo de geolocalização. Com capacidade para 23 passageiros e dois tripulantes, o Poraquê tem autonomia de 8 horas e funcionamento 100% elétrico, contando com 22 placas solares no teto, responsáveis por geração auxiliar de energia.

foto do catamarã elétrico Poraquê, A embarcação faz parte do primeiro corredor verde de transporte da Amazônia, remete a matéria Rumo a um futuro sustentável na Amazônia
A embarcação faz parte do primeiro corredor verde de transporte da Amazônia - Foto: Divulgação

“É um catamarã de dois cascos, eficiente e de baixa resistência”, explicou o professor Pedro Lameira, vice-diretor da Faculdade de Engenharia Naval da UFPA. “Com dois motores de apenas 12 kW, atinge 8 nós com 25 passageiros. Isso representa inovação energética e redução drástica na emissão de poluentes, substituindo os motores a combustíveis fósseis.”

A estimativa é que o corredor verde evite a emissão de 161 toneladas de CO₂ por ano — o equivalente a 30 carros populares em circulação contínua. Somente o catamarã contribui com a redução de 100 toneladas de gases de efeito estufa anualmente.

Desde 2019, o projeto mobilizou cerca de 30 alunos, professores e pesquisadores da UFPA, em uma construção coletiva de tecnologia com identidade amazônica e compromisso ambiental.

Brasil de soluções possíveis

A presença da Norte Energia no Congresso CEBDS 2025 reforça o papel estratégico que empresas podem exercer na construção de soluções locais para desafios globais. Seja apoiando o protagonismo de mulheres indígenas empreendedoras, seja investindo em inovação limpa para os rios da floresta, a mensagem é clara: o futuro sustentável da Amazônia depende de parcerias, tecnologia, equidade e respeito aos saberes ancestrais.

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