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Um porto para os sonhos da floresta na Ilha do Combu

Escrito por Neo Mondo | 1 de agosto de 2025

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Quando o futuro atraca na beira do rio - Foto: Carlos Borges

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

Sebrae inaugura agência na Ilha do Combu e firma compromisso com o futuro sustentável das comunidades ribeirinhas — de olho na COP30 e além

Às margens sinuosas dos rios amazônicos, onde o tempo corre no ritmo da maré e o aroma de cacau fresco embriaga os sentidos, nasce uma nova promessa. No dia 30 de julho, foi inaugurada a Agência Sebrae Ilhas, a primeira unidade do Sebrae/PA instalada na região insular de Belém. E o endereço escolhido não poderia ser mais simbólico: a encantadora Ilha do Combu, a apenas 1,5 km da capital paraense, mas com alma e paisagem de um outro mundo.

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Mais do que um ponto de atendimento, a nova agência é uma declaração de intenções: fortalecer o empreendedorismo ribeirinho, impulsionar a bioeconomia e fomentar o turismo sustentável com raízes locais e vocação global. Tudo isso em perfeita harmonia com o espírito da COP30, que terá Belém como sede em 2025.

Construída com madeira reaproveitada, ventilação natural, painéis solares e tratamento da água do rio, a agência foi pensada para respeitar o território — e não apenas ocupar espaço. Os atendentes? Gente da própria ilha. O projeto? Feito com a comunidade, não para ela. Um gesto raro de coerência entre discurso e prática.

“Damos mais um passo para transformar o Combu em uma referência para o mundo”, afirma Rubens Magno, diretor-superintendente do Sebrae no Pará.

Do cacau à criatividade: onde o futuro floresce em silêncio

O que antes era apenas um vilarejo escondido entre as mangueiras e as águas escuras do rio Guamá, hoje pulsa como um laboratório vivo de inovação amazônica. De três estabelecimentos formais no ano 2000, a Ilha do Combu já abriga cerca de 70 empreendimentos locais — cafés, chocolaterias, restaurantes, pousadas, experiências culturais e gastronômicas com identidade ribeirinha.

Com o apoio do Sebrae, foram estruturados roteiros turísticos voltados ao chocolate artesanal, oficinas de turismo de experiência, projetos de capacitação em marketing, hospitalidade e educação ambiental, além da construção coletiva da Rota Turística Combu, que já caminha para conquistar a certificação internacional de sustentabilidade.

E tudo isso com uma lógica simples e poderosa: ouvir quem vive ali. São os próprios empreendedores que decidem os rumos dos projetos, com base em sua vivência, saberes e aspirações. Nada mais justo para uma região que resiste e cria há séculos, mesmo quando o progresso urbano lhe virou as costas.

O legado começa na margem

A COP30 vai colocar Belém — e a Amazônia — no centro do debate climático global. Mas, como nos lembra a história, o verdadeiro legado de grandes eventos não está nos discursos de cúpula, mas nas transformações silenciosas que germinam no chão.

Ao instalar a Agência Sebrae Ilhas na região insular de Belém, o Sebrae envia uma mensagem clara: não existe sustentabilidade sem território, sem inclusão, sem escuta e sem protagonismo local. E é esse tipo de desenvolvimento — descentralizado, sensível e inteligente — que pode, de fato, mover a bússola da história.

foto de duas mulheres brancas na Agência Sebrae Ilhas, remete a matéria Um porto para os sonhos da floresta na ilha do combu
Domingas Ribeiro (esquerda), diretora técnica do SEBRAE no Pará e Cássia Costa, diretora operacional do SEBRAE no Pará - Foto: Carlos Borges

Na Ilha do Combu, o futuro não chega de helicóptero nem em SUVs blindados. Ele vem de barco, atraca no trapiche, fala com sotaque de quem nasceu ali e carrega no olhar a certeza de que é possível empreender sem desmatar, crescer sem excluir, encantar sem explorar.

E agora, com a chegada do Sebrae, esse futuro tem endereço certo.

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