Amazônia Destaques Meio Ambiente Saúde Segurança
Escrito por Neo Mondo | 17 de novembro de 2020
“A Estratégia delineia as duas metas que a Rede WWF planeja alcançar para 2030: estabilizar ou aumentar as populações de onça-pintada e aumentar ou estabilizar a distribuição do felino, as populações de suas presas e a conectividade de seus habitats dentro das 15 paisagens prioritários”, explica Roberto Troya, Diretor Regional do WWF na América Latina e Caribe.
A Estratégia de Conservação da Onça-Pintada 2020-2030 está sendo lançada quando a conexão entre a nossa saúde e a da natureza está mais evidente que nunca. Hoje sabemos que a perda de biodiversidade está ligada à aparição de vírus como o SARS-CoV-2, que causa o COVID-19. “Ao conservar a onça-pintada e seu habitat, o WWF contribui em reverter a perda de espécies e em diminuir a probabilidade de surgirem novas enfermidades de origem animal”, disse Troya.
O documento também delineia as contribuições do WWF a outros esforços internacionais de conservação, como o Plano Onça-pintada 2030, lançado na CoP-14 de Diversidade Biológica, em 2018. Entre as contribuições, destacam-se o fortalecimento da cooperação transfronteiriça, o impulsionamento de modelos de desenvolvimento sustentável compatíveis com a conservação da onça-pintada nas paisagens prioritárias e melhorar a sustentabilidade financeira das ações dirigidas à conservação da onça-pintada e de seu habitat.
Atuação do WWF-Brasil
Ao longo da história do WWF-Brasil, já desenvolvemos projetos pela conservação da onça-pintada em alguns biomas brasileiros e nas regiões compartilhadas com outros países da América do Sul.
Marcelo Oliveira, especialista em conservação do WWF-Brasil, explica que na Amazônia as ações priorizam a geração de conhecimento científico. “Assim temos melhor entendimento sobre o estado de conservação das populações desse felino nas áreas protegidas, incluindo os territórios indígenas, que são refúgios importantíssimos para manutenção da maior população de onças-pintadas do mundo”, comenta.
Já na Mata Atlântica, um exemplo de atuação do WWF-Brasil é o projeto de conservação de onças-pintadas no corredor trinacional, em parceira com Argentina e Paraguai. Dentro desta cooperação, pesquisadores brasileiros e argentinos realizam juntos desde 2015 o censo populacional de onças-pintadas (Parque Nacional do Iguaçu, Brasil, e Corredor Verde, Argentina).
O último censo, divulgado em novembro de 2019, apontou crescimento do número de onças-pintadas na região. O total estimado passou de 71 a 107, em 2016, para entre 84 e 125 no ano passado. Foram 217 pontos de amostragem, 600 mil hectares amostrados e mais de 10 mil km percorridos pelas equipes dos dois países. De carro, a pé, de barco e helicóptero, armadilhas fotográficas foram instaladas para que a densidade das onças-pintadas pudesse ser amostrada.
Felipe Feliciani, analista de conservação do WWF-Brasil, explica que, no Brasil, os trabalhos são focados no Parque Nacional do Iguaçu (PR) e no Parque Estadual do Turvo (RS). “Os resultados obtidos nos últimos anos são animadores e demonstram que os esforços de conservação estão surtindo efeito. A população de onças-pintadas no Parque Nacional do Iguaçu, por exemplo, é a única na Mata Atlântica, que comprovadamente está em uma curva crescente”, comenta.
Um novo censo deveria ter sido feito no primeiro semestre de 2020, mas foi adiado por conta da pandemia de Covid-19. Ainda assim, o projeto Onças do Iguaçu e outros parceiros locais continuam atuando na região pela conservação das onças. Ficou curioso para saber mais sobre essa parceria? Escute o podcast Barulho da Onça!
“A Estratégia regional para a conservação de onças-pintadas vai fortalecer ainda mais esse trabalho conjunto entre países vizinhos, além de promover de forma mais intensa a troca de experiências entre os diversos projetos que atuam em todo o território de ocorrência da espécie”, reflete Felipe Feliciani.
De acordo com a IUCN, existem apenas 64.000 espécimes na natureza, 90% deles na Amazônia - Foto: © Paulo Behar / WWF-BrasilAmazônia: incêndios, secas e tempestades de vento tornam vegetação menos diversa
Dia da Terra: o que precisa mudar para que continuemos aqui
Secas mais longas e mudanças nas chuvas já ocorrem na Amazônia, apontam pesquisas