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Coca-Cola FEMSA e SPVS mostram como investir na natureza garante o futuro dos negócios

Escrito por Neo Mondo | 12 de novembro de 2025

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O projeto Neutralidade Hídrica, da Coca-Cola FEMSA Brasil em parceria com a SPVS, é um exemplo inspirador da nova mentalidade corporativa - Foto: Ilustrativa/Freepik

Por - Claudia Guadagnin*, especial para Neo Mondo

Projeto de reposição hídrica conserva 1.200 hectares em São Paulo, capacita professores e fortalece políticas públicas, unindo conservação da biodiversidade e estratégia empresarial

A relação entre empresas e natureza tem se tornado cada vez mais estratégica. Se antes a conservação da biodiversidade era vista apenas como uma obrigação legal, hoje já é reconhecida como um ativo essencial para a busca pela sustentabilidade dos negócios e a prosperidade das comunidades.

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Um exemplo concreto desse movimento é o projeto de compensação hídrica desenvolvido pela Coca-Cola FEMSA Brasil, em parceria com a SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental), que vem transformando a forma como o setor privado enxerga os serviços ecossistêmicos, que são os benefícios que a natureza oferece, direta e indiretamente, à economia e à sociedade.

Criado em 2022, o projeto Neutralidade Hídrica é considerado uma das maiores ações corporativas de reposição hídrica do país. Por meio de pagamentos por serviços ambientais (PSA), ele garante a conservação de 1.200 hectares de áreas naturais, sendo 488 hectares em Mogi das Cruzes e região e 712 hectares em Botucatu e entorno, ambos em São Paulo. Além de contribuir para a segurança hídrica, as ações ampliam a resiliência climática e geram benefícios diretos para o território, fortalecendo comunidades, escolas e Unidades de Conservação locais.

Educação e políticas públicas também fazem parte da estratégia

Entre os resultados alcançados pelos esforços até o momento, destacam-se a capacitação de 375 professores da rede pública de ensino e a produção de materiais didáticos de apoio, que ampliam o alcance da educação ambiental nos municípios envolvidos. O projeto também consolidou uma rede de parceiros interinstitucionais, com termos de cooperação firmados com oito organizações do poder público e do terceiro setor.

Além disso, minutas de políticas públicas para conservação vêm sendo discutidas nos territórios de atuação, incluindo projetos de lei sobre Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e ações de articulação para fortalecer as áreas protegidas. Essas medidas reforçam o papel das empresas na indução de políticas sustentáveis e na valorização dos ecossistemas.

Fortalecimento de Unidades de Conservação e espécies ameaçadas

Outro avanço importante do projeto é o apoio à gestão e ao fortalecimento das Unidades de Conservação (UCs) públicas locais, como a Estação Ecológica Barreiro Rico, a Estação Ecológica do Itapety e o Parque Estadual da Serra do Mar. Essas áreas, cuja responsabilidade de gestão é da Fundação Florestal, são fundamentais para a manutenção da biodiversidade e para a proteção de espécies ameaçadas, entre elas o muriqui e o sagui-da-serra-escuro.

Segundo Nicholas Kaminski, biólogo e coordenador de projetos da SPVS, o modelo adotado pela Coca-Cola FEMSA demonstra que a conservação pode, e deve, ser vista como parte fundamental da estratégia empresarial.

“Ao enxergar a natureza como parceira estratégica, e não apenas como recurso, as empresas têm a oportunidade de transformar riscos em vantagens competitivas e de construir um legado que vá além dos resultados financeiros imediatos”, destaca Kaminski.

foto de muriqui, remete a matéria Coca-Cola FEMSA e SPVS mostram como investir na natureza garante o futuro dos negócios
Coca-Cola FEMSA Brasil em parceria com a SPVS, protegem 1.200 hectares de áreas naturais que abrigam espécies ameaçadas, como o muriqui - Foto: Divulgação

Um novo olhar sobre o papel das empresas

Para Clóvis Borges, diretor-executivo da SPVS, iniciativas como essa representam uma mudança de paradigma: investir em conservação não é gasto, mas estratégia de sobrevivência e competitividade. “Os sinais que a natureza nos envia são claros: seus serviços têm limites, e já estamos próximos deles. A diferença estará entre as corporações que reconhecem isso a tempo”, reforça o diretor.

Com resultados tangíveis e multiplicadores, o projeto reforça, portanto, que natureza e economia caminham lado a lado. A conservação do patrimônio natural, antes vista como responsabilidade do poder público, agora ganha novas frentes de protagonismo empresarial — e mostra que a busca pela sustentabilidade é, acima de tudo, uma decisão inteligente de gestão.

*Claudia Guadagnin, assessora de imprensa da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS). 

 claudia@spvs.org.br

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