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Uma jornada pela Grande Reserva Mata Atlântica: ecoturismo, vida selvagem e encantos do Paraná

Escrito por Neo Mondo | 25 de agosto de 2025

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A Grande Reserva Mata Atlântica não é apenas um destino turístico. É um convite para refletirmos sobre o nosso papel na preservação do planeta - Cachoeira Salto Morato - Foto: Maria Clara Rolim

POR - OSCAR LOPES*, PUBLISHER DE NEO MONDO

Entre os dias 20 e 22 de agosto, vivi uma das experiências mais transformadoras da minha trajetória como jornalista dedicado à sustentabilidade e ao meio ambiente. A convite da SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental) e da Grande Reserva Mata Atlântica, mergulhei em três dias intensos de descobertas, aprendizados e conexões profundas com a floresta, a cultura local e o ecoturismo regenerativo que pulsa no Paraná.

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Não foi apenas uma press trip. Foi uma imersão em um território onde a floresta encontra o mar, onde tradições centenárias se mantêm vivas e onde a biodiversidade é celebrada como patrimônio da humanidade.

Ekôa Park: natureza, arte e inovação em Morretes

A primeira parada da viagem foi o Ekôa Park, em Morretes, uma cidade encantadora já famosa pelo barreado e pelas paisagens serranas. Logo na chegada, fomos recebidos com um acolhimento caloroso e conduzidos ao auditório, onde conhecemos a visão do parque e o papel estratégico que Morretes vem assumindo no turismo sustentável.

O Ekôa é muito mais do que um parque. É um espaço de experiências sensoriais que unem arte, ciência e educação ambiental. Percorremos o Corredor dos Sentidos, onde os aromas, texturas e sons da floresta despertaram nossa atenção para os detalhes invisíveis do cotidiano. Em seguida, visitamos a Alameda das Artes, repleta de intervenções criativas que dialogam com a natureza.

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Alameda das artes - Ekôa Park - Foto : Gabriel Marchi

Mas o que mais me marcou foi participar de atividades como o Circuito de Aventura, com arvorismo e tirolesa em meio às copas das árvores.

Outro momento marcante foi a vivência em Bioconstrução. Produzimos juntos um tijolo de adobe, aplicando técnicas ancestrais que unem inovação e baixo impacto ambiental. Entre as mãos cobertas de barro, senti a força da coletividade e da regeneração — como se estivéssemos deixando um símbolo do futuro erguido com respeito à terra.

Antonina: um mergulho na cultura e na hospitalidade caiçara

Ao final do dia, seguimos para Antonina, cidade que mais parece uma viagem no tempo. Suas ruas de paralelepípedo, casarões coloridos e o aroma salgado vindo do mar nos receberam em um clima nostálgico e acolhedor.

Antonina faz parte do Portal Vale do Gigante da Grande Reserva Mata Atlântica e se destaca pela forte identidade cultural e gastronômica. Durante o city tour, ficou evidente como a cidade tem conseguido aliar o turismo ao fortalecimento da produção local. Produtos agroecológicos, mel de abelhas nativas, artesanato e atividades como rafting, canoagem e caminhadas reforçam o espírito de pertencimento e sustentabilidade.

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Baía de Antonina - Foto: Gabriel Marchi

Conversando com Thiago Afonso de Souza, Secretaria Municipal de Turismo, Cultura e Patrimônio Histórico de Antonina, percebi o orgulho dos Antoninenses em preservar tradições como o fandango e a hospitalidade caiçara. Essa essência comunitária é o que torna Antonina tão especial: não é apenas um destino, é um convite a sentir-se parte de algo maior, onde cada visitante é tratado como amigo de longa data. Thiago falou também sobre o Antonina Blues Festival (05 a 08 de setembro), um evento cultural gratuito que ocorre em Antonina, no litoral do Paraná. Em 2025, chega à sua 9ª edição, consolidando-se como um dos principais festivais internacionais de blues da região que combina música de qualidade com valorização cultural, turismo, história e participação da comunidade. Um verdadeiro marco no calendário cultural do Paraná, capaz de atrair amantes do blues e valorizar a memória e a natureza de Antonina.

Paranaguá: a porta de entrada para a história e a biodiversidade marinha

O segundo dia começou em Paranaguá, a cidade mais antiga do Paraná, fundada em 1648. Passear por seu Centro Histórico foi como abrir um livro vivo da colonização brasileira. O casario colonial, as igrejas e o Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR (MAE) guardam fragmentos de uma história de mais de 370 anos.

Mas não é apenas história que Paranaguá revela. A cidade integra o Portal Guaraguaçu da Grande Reserva Mata Atlântica e é abraçada pela imensa Baía de Paranaguá, considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Ali, a biodiversidade explode em cores e sons: guarás voando em revoada, papagaios-de-cara-roxa anunciando sua presença, botos-cinza deslizando pelas águas.

O trajeto de barco até Guaraqueçaba foi um espetáculo à parte. A cada curva, um novo cenário de manguezais, restingas e florestas de planície. Tive a sensação de que estávamos navegando por uma joia rara, onde a vida marinha e terrestre se encontram em um equilíbrio frágil, mas poderoso.

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Botos-cinza - Foto: Gabriel Marchi

Salto Morato: a majestade da natureza protegida

Em Guaraqueçaba, chegamos a um dos pontos altos da viagem: a Reserva Natural Salto Morato, mantida pela Fundação Grupo Boticário. Localizada a apenas 17 km da sede do município, a reserva protege uma das áreas mais bem preservadas de Mata Atlântica do Brasil.

Logo na chegada, fomos recebidos com um almoço preparado pelo famoso Marinho, cozinheiro local que trouxe para nossa mesa o sabor da cultura caiçara. O robalo na folha de bananeira foi uma verdadeira celebração da simplicidade e da riqueza gastronômica regional.

Na parte da tarde, iniciamos a Trilha da Figueira e do Salto, que nos levou até a imponente cachoeira de cerca de 100 metros de altura. A força da água, caindo sem cessar em meio ao verde exuberante, foi arrebatadora. Diante daquela cena, entendi por que o local já serviu de cenário para documentários internacionais, como Our Planet, da Netflix.

À noite, participamos da Corujada, uma caminhada noturna para observar aves raras. Foi mágico perceber como a floresta se transforma quando a escuridão chega e outros sons tomam conta do ambiente.

Dormir no Salto Morato foi um privilégio. A sensação de acordar ao som da floresta, com a luz tímida da manhã atravessando as copas, é algo que levarei para sempre.

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Pessoal que participou da press trip - Reserva Natural Salto Morato - Foto: @vlishow - Allison

Guaraqueçaba: tradição caiçara e a força da conservação

O último dia foi dedicado a explorar mais de Guaraqueçaba, cidade que carrega o peso e a beleza de ser um dos berços da história paranaense. Suas ruas simples, os casarios antigos e a vista para a baía revelam uma comunidade que mantém viva a cultura caiçara — presente nos barcos tradicionais, nas rodas de fandango e na forma de lidar com a natureza de maneira respeitosa e integrada.

O município é porta de entrada para algumas das florestas mais intactas da Mata Atlântica, onde ainda vivem espécies ameaçadas como a onça-pintada, a anta e o queixada. Ao caminhar pela praça central, diante do mar, senti um profundo respeito pela resistência dessas comunidades e pela importância da conservação que garante a sobrevivência de tantas espécies e modos de vida.

O retorno para Curitiba foi silencioso. Cada um de nós parecia absorvido pelas experiências vividas, pelas histórias ouvidas e pela beleza grandiosa que ainda resiste na Grande Reserva Mata Atlântica.

Baía de Guaraqueçaba - Foto: Gabriel Marchi

Reflexões de uma viagem transformadora

Essa imersão me mostrou que a Mata Atlântica não é apenas um bioma, é um universo vivo que pulsa em cada detalhe: no canto dos pássaros, no sabor da culinária caiçara, na sabedoria das plantas e na força das cachoeiras.

Volto para casa com a convicção de que o ecoturismo de base comunitária e a conservação da biodiversidade são caminhos não só possíveis, mas urgentes para construirmos um futuro sustentável.

A Grande Reserva Mata Atlântica é um território que nos ensina a olhar para a natureza não como um recurso, mas como um espelho daquilo que somos: frágeis, diversos, resilientes.

E foi exatamente isso que senti durante esses três dias — uma mistura de encantamento, aprendizado e gratidão.

É impossível não sair transformado depois de conviver com tanta vida selvagem, tanta cultura e tanto propósito em torno da conservação.

“Quem visita a Grande Reserva Mata Atlântica descobre que aqui natureza, cultura e comunidade se entrelaçam em uma experiência única. Não deixe de conhecer este pedaço de paraíso paranaense — você vai sair transformado. Até a próxima aventura — que venham novos caminhos, novos encontros e novas histórias para contar.”

*Oscar Lopes, publisher de NEO MONDO , viajou para Morretes (PR) a convite da SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental) e da Grande Reserva Mata Atlântica.

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