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Escrito por Neo Mondo | 22 de janeiro de 2019
Os principais recipientes de investimentos chineses em energia suja, em termos de capacidade proposta, são Bangladesh, Vietnã, África do Sul, Paquistão e Indonésia. O Brasil figura entre os países que possuem projetos energéticos de carvão com proposta de financiamento chinês. Segundo o relatório, quase US$ 1 bilhão estão propostos para projetos que deverão resultar na geração de 940 MW de energia a base de fonte suja.
Segundo Melissa Brown, consultora do IEEFA e uma das co-autoras do relatório, o financiamento de projetos de carvão deixa a China e os países recipientes de seus investimentos cada vez mais expostos a resultados econômicos negativos, já que a tendência global para esse tipo de geração de energia tem sido negativa.
"As projeções mais conservadoras da Agência Internacional de Energia (IEA) apontam para o declínio do comércio global de carvão nos próximos anos, e isso tem um bom motivo: os preços internacionais da energia de carvão seguem instáveis, o que deixa os países produtores desse tipo de energia presos a uma infraestrutura custosa", explica Brown. "Em contraste, as energias renováveis estão se beneficiando de grandes melhorias tecnológicas e têm um impacto deflacionário nos preços da energia".
O financiamento chinês para o carvão pode condenar os países recipientes a uma infraestrutura custosa e de altíssimo impacto em emissões de carbono exatamente no momento em que os custos da energia solar e eólica estão caindo e se tornando mais baratos que os do carvão.
Para Christine Shearer, outra co-autora do relatório, os países que ainda não assinaram esses acordos com a China precisam entender as mudanças no mercado global de energia antes de tomar uma péssima decisão. "Está na hora da China formalmente limitar seus investimentos em usinas termelétricas a carvão no exterior e passar a promover a adoção de energia renovável mais barata e de tecnologias de grid", diz Christine Shearer, uma das autoras do relatório. "Isso vem sendo feito dentro da China. Será que os outros países não merecem ter a mesma oportunidade?"
O relatório completo (em inglês) está disponível no link http://ieefa.org/wp-content/uploads/2019/01/China-at-a-Crossroads_January-2019.pdf
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