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Escrito por Neo Mondo | 8 de dezembro de 2021
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que entrou em vigor em 2010 por meio da Lei nº 12.305/10, trouxe uma série de obrigações para os produtores, importadores, fabricantes e revendedores de produtos de consumo.
A lógica desse processo é que desde os saquinhos plásticos e copinhos descartáveis de café, passando por geladeiras e computadores, até automóveis, tudo tenha um destino seguro ao final de sua vida útil: sendo reincorporado no processo produtivo do setor (o que já ocorre largamente na produção de latas de alumínio, por exemplo) ou servindo de base para novos produtos (como a transformação de garrafas PET pós-consumo em camisetas).
No rastro da lei surgiram muitos embates, especialmente na formação das cadeias produtivas responsáveis pela logística reversa: o retorno da embalagem para um ponto de descarte apropriado. Também despontaram inúmeras iniciativas exitosas de fortalecimento de atividades meio, como as cooperativas de coletores e as unidades recicladoras, encarregadas de alimentar a indústria de reaproveitamento de matérias primas.
Aos poucos, no entanto, começou-se a descobrir que os números não estavam exatos por conta da chamada colidência das notas fiscais que são emitidas para a comercialização de materiais reciclados. Como saber se as toneladas computadas por determinada empresa ou setor está correta? Como medir se o volume de redução de gases de efeito estufa anunciado pela empresa ou o setor espelham a realidade? Foi de olho nesses desafios que se apostou na criação de uma empresa certificadora para o setor de reciclagem e logística reversa. Lançada em agosto último com o aporte de uma empresa norte-americana, a Central de Custódia conseguiu a adesão das entidades gestoras das principais cadeias produtivas instaladas no Brasil.
Trata-se de um segmento que movimenta cerca de R$ 105 milhões, por ano, resultado da gestão de 800 mil toneladas de resíduos. “Nosso plano de negócio previa a certificação de 150 mil toneladas de embalagens ao final de 2021. Mas a expectativa é quase triplicar esse volume, fechando o período com 400 mil toneladas”, conta o diretor de Operações da Central de Custódia, Fernando Bernardes. “Esse montante representa metade de tudo que é destinado à logística reversa no Brasil.”
Fernando Bernardes, diretor de Operações da Central de Custódia - Foto: DivulgaçãoSemente de planta comum no Brasil mostra potencial para remoção de microplásticos da água
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