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Escrito por Neo Mondo | 16 de outubro de 2019
Quem atende a este perfil de público? Segundo o documento, é preciso compreender que deslocados internos são pessoas, ou grupos de pessoas, forçadas ou obrigadas a fugir ou abandonar as suas casas ou seus locais de residência habituais, particularmente em consequência de ou com vista a evitar os efeitos dos conflitos armados, situações de violência generalizada, violações dos direitos humanos ou calamidades humanas ou naturais, e que não tenham atravessado uma fronteira internacionalmente reconhecida de um Estado. E qual é o deve do poder público? As autoridades nacionais têm o dever e responsabilidade primárias de garantir a proteção e a assistência humanitária aos deslocados internos que se encontrem na sua área de jurisdição.Segundo a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), desde o ano de 2009, estima-se que a cada segundo uma pessoa é deslocada em razão de um desastre ambiental. Em 2018, foram 17 milhões de novos deslocamentos relativos a desastres naturais e às mudanças climáticas, no planeta, de acordo com o Centro de Monitoramento de Deslocados Internos, que fica em Genebra. Nas próximas três décadas, o alerta é ainda maior. Segundo o Banco Mundial, a mudança climática deverá expulsar 140 milhões pessoas de suas casas. Todos estes dados reforçam que não é mais possível desconsiderar esta questão nas agendas das políticas públicas dos países e do próprio direito internacional. Visão multidisciplinar “A maior parte dos relatórios relacionados às mudanças climáticas e principalmente à seca analisa outras questões associadas de indução, como pobreza, marginalização, condição socioeconômica e algumas políticas setoriais”, explica a bióloga Patrícia Fernanda do Pinho, Doutora em Ecologia Humana, que integra o grupo de cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU). Sua área de atuação é especialmente relacionada a desigualdades, pobreza, desenvolvimento sustentável e objetivos do desenvolvimento sustentável. Patrícia reitera que principalmente na região do semiárido brasileiro, as pessoas têm abandonado as regiões rurais, indo para as cidades ou outros estados e regiões. “Isto, sem dúvida, é decorrente da incidência da seca, como também de outros eventos extremos, que ocasionam deslizamentos e erosão. Existem migrações que ocorrem em outros biomas, como a Amazônia”, alerta, apontando para a necessidade de se ter uma visão mais ampla no Brasil a respeito desta agenda emergente. Segundo a ecóloga, a terminologia “refugiados climáticos”, que abrange tanto os deslocamentos internos e externos ao país de origem, é uma categoria nova que ainda precisa ser melhor aprofundada no Brasil e no mundo. Mas já se tornou um dos principais desafios impostos nas negociações da Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, que será realizada no Chile, em dezembro. *Sucena Shkrada Resk – jornalista ambiental, especialista em política internacional, e meio ambiente e sociedade, é digital organizer da 350.org no Brasil.
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