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Escrito por Neo Mondo | 28 de agosto de 2025
Calor extremo, ondas cada vez mais intensas, poluição invisível das cidades. Tudo isso não afeta apenas o planeta — afeta você - Imagem gerada por IA - Foto: Ilustrativa/Divulgação
ARTIGO
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Por – Dra. Marcela Baraldi*, articulista de Neo Mondo
Quando a crise climática e a poluição urbana deixam marcas visíveis no maior órgão do corpo humano
O que antes era tratado apenas como incômodo estético agora se mostra como um problema de saúde pública: a pele, nosso maior órgão, está sendo diretamente impactada pelas mudanças climáticas e pela poluição atmosférica. Ressecamento, vermelhidão, manchas, rugas precoces e inflamações não surgem apenas pela passagem do tempo, mas como reflexo de um planeta cada vez mais quente e poluído.
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Especialistas alertam que, em meio a ondas de calor extremo e à poluição urbana invisível, a pele se tornou um campo de batalha contra agressores ambientais. É preciso entender essa relação para repensar nossos hábitos, escolhas e até mesmo a forma como consumimos beleza.
As ondas de calor, que aumentaram em frequência e intensidade nas últimas décadas segundo o IPCC, não apenas causam desconforto, mas desidratam rapidamente a pele, comprometendo sua função de barreira. O fenômeno é conhecido como TEWL (Transepidermal Water Loss) – a perda acelerada de água para o ambiente.
Essa condição fragiliza a barreira cutânea, tornando-a mais suscetível a irritações, alergias e infecções. Doenças inflamatórias como rosácea e dermatite atópica se agravam em ambientes quentes. Além disso, o suor excessivo cria terreno fértil para micoses e foliculites.
“O calor fragiliza a pele de uma forma silenciosa. A desidratação não é só incômoda; é a porta aberta para inflamações e envelhecimento precoce”, explica a dermatologista Dra. Marcela Baraldi.
A poluição urbana é uma mistura perigosa de partículas tóxicas, gases e compostos químicos que atacam a pele diariamente. Substâncias como PM2.5, O3 e NO2 penetram a barreira cutânea e desencadeiam radicais livres, provocando o chamado polluaging — o envelhecimento precoce causado pela poluição.
As consequências são rugas, manchas, perda de elasticidade e sensibilidade aumentada. “A poluição danifica a barreira lipídica da pele e desencadeia um processo inflamatório contínuo, aumentando problemas como acne e dermatites”, afirma um estudo da World Allergy Organization.
Segundo a OMS, 99% da população mundial respira ar poluído, e as cidades brasileiras estão entre as mais afetadas da América Latina. O impacto desse cenário já pode ser observado diretamente na saúde cutânea.
O que mais preocupa os especialistas é que calor extremo e poluição não atuam separadamente. O calor fragiliza a pele e abre caminho para que poluentes penetrem mais profundamente, ampliando os danos. Essa sinergia destrutiva sobrecarrega as defesas antioxidantes naturais da pele, acelerando ainda mais o estresse oxidativo e a inflamação crônica.
“Estamos diante de um ciclo perverso: calor e poluição se alimentam mutuamente, e quem paga a conta é a nossa pele”, resume a Dra. Baraldi.
No meio desse cenário, cresce o conceito de ecobeauty — uma abordagem que une ciência dermatológica, sustentabilidade e consumo consciente. A ideia é simples, mas transformadora: cuidar da pele e do planeta ao mesmo tempo.
Entre as principais práticas recomendadas estão:
A dermatologia já reconhece que a saúde cutânea precisa ser analisada sob a ótica das mudanças climáticas. Cuidar da pele deixou de ser apenas um ato estético: tornou-se uma estratégia de saúde e de bem-estar integral.
Se o ar que respiramos e o calor que sentimos já não podem ser ignorados, o mesmo vale para a pele, esse órgão que, além de nos proteger, agora denuncia silenciosamente os impactos da crise ambiental.
O calor e a poluição são os novos vilões da saúde cutânea — mas também são lembretes de que nossa pele está conectada ao planeta. O conceito de ecobeauty mostra que é possível alinhar autocuidado e consciência ambiental. Cuidar da pele, nesse contexto, é um ato político, científico e afetivo. Afinal, ela não é apenas a nossa primeira defesa, mas também o reflexo do mundo que habitamos.
*Dra Marcela Baraldi, Médica Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, cadastrada no corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e consultório particular – CRM: 151733 / RQE: 66127.

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