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Soluções Baseadas na Natureza ganham protagonismo para frear deslocamentos climáticos no Brasil

Escrito por Neo Mondo | 27 de maio de 2026

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Soluções que nascem da natureza podem ser a diferença entre resistir ou sucumbir aos impactos cada vez mais intensos da crise climática - Imagem gerada por IA - Foto: Ilustrativa/Neo Mondo

POR - REDAÇÃO NEO MONDO

Parceria entre a OIM, Agência da ONU para as Migrações, e a Fundação Grupo Boticário tem foco na adaptação à mudança do clima nos municípios

No Brasil, nos últimos 25 anos, mais de 10 milhões de deslocamentos internos foram causados por desastres, de acordo com Dados do Atlas Digital de Desastres no Brasil. Somente em 2024, com enchentes no Rio Grande do Sul, seca na Amazônia e incêndios florestais no Pará, mais de 800 mil novos deslocamentos foram registrados por causa de eventos relacionados à crise climática no país.

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Diante desse cenário desafiador, a OIM, Agência da ONU para as Migrações, e a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza anunciam uma parceria inédita para apoiar municípios na adaptação às mudanças climáticas e na prevenção do deslocamento e dos fatores adversos da migração. Uma Nota Técnica (Policy Brief) com o objetivo de traduzir dados científicos em recomendações práticas deve subsidiar prefeituras no uso de Soluções Baseadas na Natureza (SBN) como resposta integrada à escalada dos eventos extremos.

A publicação apresenta caminhos para a Adaptação baseada em Ecossistemas (AbE), conceito que reúne estratégias eficazes e com crescente reconhecimento internacional para tornar as cidades mais resilientes e seguras para a população. O objetivo é reduzir os impactos de inundações e alagamentos, ilhas de calor, deslizamentos de terra, secas e desertificação, erosão costeira e incêndios florestais e, consequentemente, prevenir e mitigar o deslocamento de pessoas impactadas.

O documento é resultado de uma parceria entre a OIM e a Fundação Grupo Boticário iniciada durante a COP30, realizada em Belém (PA), e reforça a importância do Plano Clima Adaptação do Brasil, atualizado em fevereiro de 2026. “Ao unir agendas de meio ambiente e mobilidade humana, a parceria reforça a mensagem de que conservar a natureza é investir na proteção das pessoas, e uma das formas mais eficazes de evitar deslocamentos por desastres no futuro é promover políticas públicas integradas que antecipem riscos e fortaleçam a resiliência das comunidades”, afirma Débora Castiglione, Oficial Nacional de Migração, Meio Ambiente, Mudança do Clima e Redução de Riscos de Desastres da OIM.

De acordo com dados da plataforma AdaptaBrasil publicados em 2024, 66% dos municípios apresentaram baixa ou muito baixa capacidade adaptativa frente a eventos climáticos extremos. “É necessário ampliar o acesso dos municípios a instrumentos, conhecimento e redes de apoio técnico para implementar as Soluções Baseadas na Natureza. O conhecimento é o primeiro passo para superar barreiras técnicas, institucionais e culturais que ainda limitam a expansão das SBN no planejamento urbano brasileiro”, afirma Juliana Baladelli Ribeiro, gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário.

A conservação e a restauração de manguezais são exemplos da aplicação de SBN para reduzir impactos negativos em regiões costeiras. “Estudos mostram que, a cada 100 metros de manguezal conservado, a energia das ondas pode ser reduzida em até 67%”, destaca Juliana. A ampliação de áreas verdes nas cidades, a conservação e restauração de matas ciliares e a recuperação da vegetação em encostas também são medidas importantes para tornar os municípios mais resilientes.

Além de uma questão humanitária, os desafios relacionados aos fatores adversos da migração também representam um impacto econômico relevante. O Relatório de Riscos Globais 2026, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, aponta os deslocamentos forçados entre os dez principais riscos à economia mundial no curto prazo, considerando os próximos dois anos.

“Adotar Soluções Baseadas na Natureza é um caminho estratégico, viável e eficaz para enfrentar os impactos da mudança do clima sobre a mobilidade humana. Muitas dessas soluções já estão transformando comunidades e, quando integradas ao planejamento territorial e apoiadas por capacitação técnica e financiamento adequado, ampliam a resiliência local e geram benefícios ambientais, sociais e econômicos de forma integrada.” afirma Juliana.

Conhecimento sobre SBN

A Fundação Grupo Boticário tem realizado diversas ações para apoiar os gestores públicos na implementação das SBN no Brasil. Exemplo recente é a Incubadora de Projetos Solução Natureza, iniciativa desenvolvida em parceria com a C40 Cities Climate Leadership Group, com apoio do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos e da Aliança Bioconexão Urbana, que está oferecendo suporte técnico, capacitação e conexão com financiadores para 29 municípios brasileiros.

A Fundação também dissemina conhecimento por meio de pesquisas e publicações sobre SBN. O e-book “Cidades do Futuro – As Soluções Baseadas na Natureza ajudando a enfrentar a emergência climática” apresenta 15 tipologias de SBN mais usadas no Brasil, com exemplos de projetos já implementados e casos de sucesso em diferentes regiões do país e do mundo.

Conhecimento sobre mobilidade humana

A OIM, Agência da ONU para as Migrações, tem desenvolvido um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento de capacidades institucionais de municípios brasileiros para integrar a mobilidade humana nas políticas de adaptação à mudança do clima. Em parceria com governos locais e com o governo federal, a OIM apoia a elaboração de políticas públicas por meio de ações de capacitação de gestores, técnicos e analistas municipais, com foco na incorporação da mobilidade humana em agendas de resiliência climática, bem como o desenvolvimento de ferramentas e publicações técnicas que orientam a tomada de decisão baseada em evidências. Essas iniciativas são acompanhadas de ações de apoio técnico, contribuindo para o fortalecimento da governança local e para a construção de respostas integradas aos impactos da mudança do clima com incorporação transversal de aspectos da mobilidade humana.

Capacitação em Adaptação baseada em Ecossistemas (AbE)

Como parte do esforço para transformar conhecimento em ação imediata, destaca-se o curso gratuito “Adaptação baseada em Ecossistemas em Instrumentos de Política Pública Municipal”. Desenvolvido pela Fundação Grupo Boticário em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVces), a agência federal alemã GIZ, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e a Aliança Bioconexão Urbana, o treinamento é parte do curso de capacitação "Como Elaborar Planos de Adaptação à Mudança do Clima", do Programa  AdaptaCidades. Com carga horária de 10 horas e formato 100% EaD autoinstrucional, o curso é aberto a gestores públicos e cidadãos interessados em dominar o uso de infraestruturas naturais (como florestas e manguezais, além de outras tecnologias de SBN) para reduzir riscos climáticos e promover a justiça social nas cidades. As inscrições e o conteúdo estão disponíveis na plataforma da Escola Virtual de Governo (EV.G/ENAP), clique AQUI.

Diagnóstico de Precisão com a Plataforma Natureza ON
Para que os municípios possam identificar exatamente onde aplicar as recomendações do policy brief, a iniciativa destaca o uso da Plataforma Natureza ON. Desenvolvida pela Fundação Grupo Boticário em parceria com o MapBiomas e tecnologia Google Cloud, a plataforma digital gratuita combina dados públicos e análises técnicas para mapear áreas sob risco de inundações, deslizamentos e insegurança hídrica. Mais do que apontar vulnerabilidades, a ferramenta cruza dados de relevo e ocupação urbana para sugerir as Soluções Baseadas na Natureza mais adequadas para cada território e tipo de vulnerabilidade apresentada, permitindo que gestores públicos e a sociedade civil planejem intervenções precisas e eficazes contra o novo cenário de eventos climáticos extremos. O acesso está disponível em: naturezaon.com.br.

SERVIÇO:

Nota técnica: “Crise Climática e Mobilidade Humana – Como a natureza pode ser a solução para esse desafio”
Acesse a publicação neste link.

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