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Escrito por Neo Mondo | 29 de julho de 2018
Os pesquisadores também identificaram no conjunto de fósseis encontrados na China uma fêmea de pterossauro com dois ovos no interior de seu corpo. A descoberta indicou que o animal tinha dois ovidutos – canal que serve para conduzir os ovos do ovário a outros órgãos do sistema reprodutor ou diretamente para fora do corpo materno – e não apenas um, como as aves. Os morcegos e as aves foram os únicos grupos de animais que desenvolveram a capacidade de voo ativo.
“Além dos ovos, encontramos na China centenas de ossos de pterossauros que, juntamente com os materiais que descobrimos em Cruzeiro do Oeste, permitirão estudar as variações ontogenéticas [o desenvolvimento desde o embrião] desses animais”, disse Kellner.
O estudo das variações ontogenéticas dos pterossauros permitirá aos paleontologistas entender melhor as mudanças na forma desses animais, que eram extremamente diversificados, ao longo de sua existência.
“Isso é importante porque quando se encontra animais diferentes, com estruturas totalmente distintas, pode ser que sejam da mesma espécie, mas estão em estágios ontogenéticos diferentes. E só podemos concluir isso ao encontrar materiais de uma mesma população, como os que descobrimos na China e em Cruzeiro do Oeste”, disse Kellner.
Problema de conservação
Embora os fósseis de pterossauros já tenham sido encontrados em praticamente todos os continentes, descobrir materiais bem preservados desses animais é um acontecimento raro. Isso porque há inúmeros processos físicos, químicos e geológicos que atuam na formação de um fóssil e afetam a preservação do material preservado, explicou Kellner.
“É extremamente difícil a preservação de fósseis de pterossauros, por isso eles são muito raros. Já foram descobertos fósseis com abertura alar acima de 5 metros, por exemplo, com uma espessura óssea de 2 milímetros”, exemplificou.
Alguns dos exemplares mais bem preservados de pterossauros foram obtidos em Cambridge Greensand, na Inglaterra, em Solnhofen, na Alemanha, e na bacia do Araripe, na divisa dos estados do Ceará, Piauí e Pernambuco, onde foi encontrado um dos melhores exemplares de pterossauro.
“Os fósseis encontrados na bacia do Araripe são destacados em nível mundial. Não existe praticamente nenhuma discussão sobre questões gerais de pterossauros que não contemple o material que encontramos lá”, disse Kellner.
O bom estado de conservação dos materiais encontrados na bacia do Araripe não significa, contudo, que o sítio arqueológico esteja protegido. Em uma de suas incursões para estudos de campo na região, o pesquisador descobriu uma base de crânio de um pterossauro que estava sendo usado como peso de papel em um bar na região.
“Não se conhecia a estrutura que encontramos no interior dessa base de crânio de pterossauro, que é muito semelhante à de aves, como a de corujas”, disse Kellner.
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