Cultura Destaques Educação Emergência Climática
Escrito por Neo Mondo | 20 de setembro de 2019

“Conhecimento mais acessível”
Denise Bacci, professora do Instituto de Geociências da USP, mostrou que é preciso aceitar que os processos de aprendizagem não levam a uma solução única, ou a um pensamento unificado. “Estamos pensando em como elaborar uma exposição científica abordando essa temática para que as comunidades compreendam isso, mas sem perder os valores e os conhecimentos particulares de cada comunidade.”
Como exemplo de ação para tornar o conhecimento científico mais acessível, Denise citou a pesquisa que está realizada nas cavernas do Parque Nacional Peruaçu, em Minas Gerais. Ela observou que alterações nos sedimentos nas rochas coincidem com o período da história em que o homem passou a ser o principal ator no processo de mudanças climáticas. Com essa prova visual, fica ainda mais difícil refutar o fato de que estamos vivendo uma emergência climática causada pelo ser humano.
A professora congolesa Armelle Cibaka, do ICLEI – uma rede que integra governos locais comprometidos com projetos sustentáveis de desenvolvimento urbano -, falou sobre a importância de a ciência estar em contato direto com gestores regionais: “o governo precisa entender que é necessário que ele se aproxime da universidade, porque ela tem respostas. A academia também deve entender que a sua pesquisa pode ser ainda mais interessante quando ela consegue ser aplicada a uma realidade que muda a vida das pessoas.”
Rachel Trajber, educadora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), mostrou trabalhos realizados em escolas localizadas em áreas de risco de tragédias ambientais, e os resultados positivos na vida dos integrantes das comunidades ligadas ao dia-a-dia daquelas escolas. Em outubro, o Cemaden vai abrir inscrições para projetos de escolas que promovam ações educativas em tempos de mudanças climáticas, com o objetivo de reduzir o risco de desastres.
Ela também defendeu que o termo “antropoceno” (como alguns historiadores definem a época atual, marcada por modificações planetárias causadas pelo ser humano) é injusto, porque nem todas as sociedades humanas são responsáveis pelas alterações ambientais e climáticas do planeta. “Para mim, o termo correto seria ‘capitaloceno’ – são as sociedades mais ricas do mundo que impactam, e não as indígenas e pobres”.
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