Cultura Destaques Sustentabilidade

Projeto Através do Vidro ressignifica o descarte de lixo em comunidades de São Paulo

Escrito por Neo Mondo | 19 de julho de 2021

Compartilhe:

Débora Muszkat, se apropriou da reciclagem de vidro como um dos meios de sua  expressão artística - Foto: Divulgação

POR - REDAÇÃO NEO MONDO

 
Em sua 3ª edição, o projeto idealizado pela artista plástica Débora Muszkat deve beneficiar mais de 80 pessoas em Paraisópolis e Parelheiros e amenizar a crise econômica da pandemia
  De acordo com o dicionário, lixo é tudo aquilo sem valor ou utilidade, qualquer coisa que se joga fora.  Mas, para a artista plástica Débora Muszkat este não é um conceito muito adequado para todo tipo de vidro descartado ou que, momentaneamente perdeu sua utilidade. Ao longo de sua trajetória, a artista e arte-educadora, escolheu o vidro como principal matéria de trabalho e pesquisa e, aplicou isso ao projeto “Através do Vidro” que chega a sua terceira edição este ano. O projeto é fruto da paixão da artista pela arte vítrea, associada à reciclagem, um outro tema que move seu trabalho: todas as suas obras são executadas com vidro de descarte doméstico e industrial. E é através do upcycling – técnica que propõe o reaproveitamento de objetos antigos ou descartados,  para criar novos produtos, utilizando a criatividade e o respeito ao meio ambiente. Para a artista, este é um dos pontos mais importantes: a constante ressignificação dos resíduos sólidos por meio da arte e sustentabilidade. Todo esse olhar especial sobre o vidro começou a ser compartilhado  por Débora neste mês de julho, com a realização de oficinas educativas em Parelheiros e em Paraisópolis. As aulas e oficinas do projeto “Através do vidro” seguem até o mês de outubro. “Um dos destaques desta edição do “Através do Vidro” é a doação de dois fornos para a comunidade de Paraisópolis, em São Paulo. Com isso, os participantes poderão utilizar, depois da formação, a técnica adquirida da arte vítrea como trabalho e fonte de renda, produzindo e vendendo seus produtos”, celebra Débora. Os participantes, ao longo do projeto, aprenderão a desenvolver processos de criação e produção de objetos artísticos, do design, e da arquitetura, por meio de oficinas com técnicas de manipulação de vidro a frio, altas e baixas temperaturas. Com a profissionalização dos participantes, a perspectiva é que cada participante, com auxílio do G10 Favelas, criado por Gilson Rodrigues, penetre neste mercado de trabalho, no qual a artista já está inserida desde os anos 2000. “O vidro está por todos os lugares em estado cortante, sujando a natureza e atrapalhando as pessoas, que recebem, em média, 15 centavos por quilo de vidro moído, e muitas vezes o fazem por necessidade de limpar o espaço”, justifica. Este será o primeiro investimento junto ao G10 favelas no mercado. Vale destacar que o G10 é uma organização que leva o empreendedorismo às 10 maiores favelas do Brasil, e que, com este projeto, e junto de Débora, irão lançar no mercado este produto único e inovador. “Queremos cumprir a missão de democratizar o conhecimento da arte vítrea, promovendo valores e ampliando a cadeia produtiva. E, através do ensino, criar reflexos de uma sociedade sustentável por meio de um material, cujo valor virou inexistente, uma vez que não existe uma distribuição consciente e que possa dar o destino que honre aquilo que a natureza gratuitamente nos oferece, completa Débora. O “Através do Vidro” foi viabilizado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura - ProAc SP (Programa de Ação Cultural de São Paulo), com patrocínio  da  O-I Illinois (Owens Illinos), e apoio do G10-Favelas e Divinal Vidros. Para participar do projeto “Através do Vidro” e seus workshops é necessário realizar inscrição através do site https://www.atravesdovidro.com/. Passarela - Em abril deste ano, em uma ação inicial do projeto, a artista Debora Muszkat e Gilson Rodrigues, presidente do G10 Favelas, colocaram em prática a ideia de transformar a favela em um espaço turístico, retirando o vidro da natureza e transformando em sustentabilidade. A iniciativa tem como referência o Parque Guell, em Barcelona, na Espanha, concebido por Antoni Gaudí, através de mosaicos de cerâmica, e a ilha de Murano, na Itália. Para isso, revestiram uma área de 600m2 com vidros que seriam descartados como “lixo”, transformando a passarela em um verdadeiro céu no chão de Paraisópolis.

Compartilhe:


Artigos anteriores:

Horizontes Azuis: Neo Mondo dentro da Rio Ocean Week 2026 com Alexander Turra

AXIA Energia leva uma ilha amazônica de 250 anos para dentro do Rock in Rio

Rio Ocean Week fecha com quase 20 mil visitantes e Bossa do Oceano no auditório do Museu do Amanhã


Artigos relacionados