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Escrito por Neo Mondo | 28 de novembro de 2025
Aline Midlej - Foto: Fabio Rocha
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
O reconhecimento que ilumina o jornalismo negro — e o Brasil que queremos ver
Eu ainda estou digerindo a energia daquela noite histórica. São Paulo respirava potência na última terça-feira (25/11), quando jornalistas de todo o país se reuniram para celebrar algo que é maior do que qualquer troféu: celebrar quem muda narrativas.
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E ali, no palco dos +Admirados Jornalistas Negros e Negras da Imprensa Brasileira 2025, um nome brilhou de novo — com a força de quem abre caminho para muitos: Aline Midlej.
Bicampeã.
Sim, ela fez história. De novo.
Aline não estava fisicamente presente — porque, claro, estava fazendo o que tanto admiramos: jornalismo ao vivo, comandando o Jornal das Dez (J10), na GloboNews. Mas sua emoção atravessou a tela:
“Nós, jornalistas negros, dividimos este prêmio, nos apoiamos, nos amparamos, nos inspiramos. Este reconhecimento é um indicativo de que estou no caminho certo.”
Quando ouvi essa fala, confesso: senti o peito esquentar. Porque eu conheço bem o peso e o amor que existe nessas palavras. Eu estava lá, representando Neo Mondo, entregando alguns dos prêmios — e vi, com meus próprios olhos, uma celebração que não é apenas sobre conquistas individuais. É sobre ascensão coletiva.
Promovido por Jornalistas&Cia, 1 Papo Reto, Neo Mondo e Rede Jornalistas Pretos, esse prêmio é um espelho necessário para o país:
Quem conta as histórias do Brasil?
Quem ocupa as telas, os jornais, os microfones?
Quais vozes ainda precisam ecoar mais alto?
Aline tem essa coragem de olhar o país de frente. Ela tem a força de quem entende que jornalismo não é só narrar fatos — é disputar sentidos. É abrir portas que por tanto tempo estiveram trancadas para corpos negros, especialmente mulheres negras.
Aliás, que momento inesquecível ver a categoria Vídeo dominada por mulheres!
Todas no TOP 5!
Que recado poderoso!
Basília Rodrigues no topo, acompanhada por Flávia Oliveira, Adriana Couto, Joyce Ribeiro e Aline Aguiar — referências que me orgulham profundamente.
E a Renovação brilhou na categoria Áudio/Texto, com Edilene Lopes em primeiro lugar e estreias de nomes incríveis como Ed Wanderley, Cecília Oliveira, Cíntia Gomes e Juliana Cézar Nunes.
Dá pra sentir?
Tem uma geração inteira chegando com sede de impacto.

Ah, que privilégio testemunhar isso de perto.
O prêmio prestou homenagem a gigantes:
• Antonio Carlos Fon e Céres Marisa Silva dos Santos — homenageados com o Troféu Luiz Gama, celebrando quem abriu caminho quando quase tudo parecia impossível.
• Flávia Martins, com o Troféu Glória Maria — porque representatividade tem nome, força e legado.
Só de ouvir “Troféu Glória Maria” anunciado, o coração já acelera. Eu olhei para o palco e pensei:
“Estamos continuando a obra de quem nunca aceitou silenciamento.”
Esse prêmio não é sobre vaidades.
É sobre resistência.
Sobre talento que nunca foi exceção — apenas invisibilizado.
Sobre sonhos coletivos que agora encontram palco, luz e voz.
Eu saí daquela cerimônia com uma convicção ainda mais forte:
O Brasil só se tornará verdadeiramente democrático quando as narrativas forem tão diversas quanto o seu povo.
E eventos como esse provam que estamos andando.
Às vezes devagar.
Mas juntos.
E juntos, ninguém volta para trás.
Uma promessa de que a mudança já começou.
De que mais jovens negras e negros vão olhar para a TV — e se enxergar.
De que o jornalismo seguirá forte, plural, necessário.
Aline, obrigado por ser farol.
Obrigado por nos lembrar que ocupar espaços é, também, um ato de amor pelo Brasil.
Eu voltei pra casa com o coração cheio.
E com a certeza de que a imprensa brasileira está ficando cada vez mais parecida com a potência do nosso povo.
E isso… é só o começo.

O Prêmio +Admirados Jornalistas Negros e Negras da Imprensa Brasileira 2025 contou com patrocínios de Unilever e Uber.
O evento foi CARBONO NEUTRO, atestado pela GSS Impact Development Companies.
Confira no YouTube a premiação na íntegra.
Confira também o Álbum de fotos.
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