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Escrito por Neo Mondo | 28 de março de 2026
Centro de Pesquisa e Inovação: no coração do Cerrado, a biodiversidade resiste — e revela o quanto ciência e conservação precisam caminhar juntas para garantir o futuro dos ecossistemas brasileiros - Foto: Veado campeiro/Divulgação
POR - REDAÇÃO NEO MONDO
Portfólio reúne know how de pesquisadores e tecnologias sustentáveis com aplicação no agronegócio, na aquicultura e na conservação ambiental, conectando ciência, inovação e impacto socioeconômico nos biomas brasileiros
O Brasil abriga cerca de 20% de toda a biodiversidade do planeta, sendo dono de um patrimônio natural único que sustenta ecossistemas vitais e serviços ambientais essenciais, como regulação climática, polinização e preservação de recursos hídricos, segundo relatórios do World Wildlife Fund (WWF). Entre os biomas mais ricos do país estão a Mata Atlântica e o Cerrado, reconhecidos como hotspots de biodiversidade e, ao mesmo tempo, altamente ameaçados por fenômenos como o desmatamento e as mudanças climáticas, que colocam em risco espécies nativas e a qualidade de vida das comunidades locais.
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Para enfrentar esses desafios, o Brasil tem assumido compromissos globais e nacionais de preservação da biodiversidade. O país é signatário, por exemplo, da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD) desde 1994 e participa ativamente de metas internacionais, como a proteção de 30% das áreas terrestres e aquáticas até 2030, conforme registrado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP).
É nesse contexto de desafios ambientais e compromissos nacionais que se insere o Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima - CBioClima, centro de pesquisa e inovação dedicado a transformar ciência em soluções concretas para a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável. Atuando na interface entre tecnologia, pesquisa aplicada e impacto socioambiental, o CBioClima desenvolve iniciativas que reduzem os impactos ambientais, fortalecem cadeias produtivas locais e promovem práticas regenerativas, contribuindo para a preservação da Mata Atlântica e do Cerrado e o bem-estar das comunidades que dependem desses ecossistemas.
A inovação no CBioClima atua com três compromissos estratégicos. O primeiro é Pesquisa e Inovação, produzindo pesquisas e soluções sustentáveis baseadas na natureza, observando sempre os impactos locais e globais. O segundo compromisso é Integrar e Comunicar, promovendo parcerias, colaborações e comunicação pública da ciência, garantindo que as descobertas alcancem o setor privado, a indústria e órgãos públicos responsáveis por áreas como agricultura, aquicultura e gestão ambiental. Por fim, o CBioClima busca gerar Impacto Social, alinhando suas atividades aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, com foco especial em Vida na Terra (ODS 15), Ação Climática (ODS 13), Educação de Qualidade (ODS 4) e Igualdade de Gênero (ODS 5).
Segundo o coordenador de Inovação do CBioClima, Prof. Leonardo Fraceto, o a Inovação no CBioClima está em fazer com que as pesquisas ultrapassem o ambiente dos laboratórios. “Queremos que as soluções cheguem de forma rápida e efetiva à sociedade, apoiando os atores que necessitam de soluções, como os agricultores, as comunidades locais e os setores produtivos. A interação entre universidade-empresa-sociedade é um pilar essencial para transformar conhecimento em impacto real”, explica.
Em linha com esses compromissos, o CBioClima lançou recentemente seu portfólio de inovação, divulgando alguns atores responsáveis pela inovação no CBioClima, bem como algumas tecnologias e soluções desenvolvidas por grupos de pesquisa do Centro. Estas soluções são voltadas à conservação da biodiversidade, à eficiência produtiva e à sustentabilidade socioambiental. Entre as inovações destacam-se:
· Processo verde para obtenção de frações específicas de lignina kraft (LK) e aplicações em nanotecnologia: tecnologia que transforma um subproduto abundante da indústria de papel e celulose em polímeros biodegradáveis e nanopartículas de alto desempenho, com potencial de aplicação como insumo agrícola, proteção UV para coberturas e filmes, liberação controlada de nutrientes e maior estabilidade química e térmica, agregando valor à biomassa e reduzindo impactos ambientais.
· Processo de obtenção de nanopartículas de prata recobertas a partir de Trichoderma harzianum para controle de pragas agrícolas: solução biogênica para o manejo fitossanitário, que reduz a toxicidade e o uso excessivo de agroquímicos, oferecendo atividade prolongada e possibilidade de uso combinado com outros produtos no controle de doenças e pragas.
· Sistema e método sequencial de modelagem de dados para previsão bioeconômica e gestão operacional de fazendas aquícolas sob diferentes condições climáticas: plataforma tecnológica que integra conectividade, inteligência analítica e modelagem bioeconômica para apoiar a tomada de decisão na aquicultura, reduzindo perdas produtivas, desperdício de insumos e impactos ambientais, além de fortalecer a resiliência frente às mudanças climáticas.
· Método para retardar o amadurecimento de frutos com aplicação de doador de óxido nítrico (NO) em nanocápsula polimérica: estratégia de baixo custo para ampliar a vida útil pós-colheita, mantendo qualidade física e nutricional dos frutos, reduzindo perdas ao longo da cadeia produtiva e promovendo práticas mais sustentáveis de armazenamento, transporte e comercialização.

O portfólio completo do CBio Clima está disponível gratuitamente para consulta pública (AQUI). Interessados em conhecer as tecnologias em detalhes, acessar informações técnicas ou estabelecer parcerias podem visitar a página oficial do Centro e explorar as soluções desenvolvidas para promover biodiversidade, eficiência produtiva e desenvolvimento sustentável.
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