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Escrito por Neo Mondo | 18 de setembro de 2026
Futuro se constrói quando empresas, cooperativas e comunidades transformam mobilização em compromisso ambiental permanente - Imagem gerada por IA - Ilustrativa/Neo Mondo
Por - Gustavo de Souza*, especial para o Neo Mondo
A capacidade de enfrentar os desafios ambientais está diretamente ligada à qualidade das relações que construímos para resolvê-los. Empresas podem desenvolver tecnologias, financiar projetos e transformar processos produtivos. Organizações da sociedade civil acumulam conhecimento técnico e experiência nos territórios. Cooperativas e comunidades conhecem necessidades que nem sempre aparecem nos indicadores corporativos. Quando essas competências se encontram, se tornam possíveis soluções que dificilmente seriam alcançadas por uma organização atuando sozinha.
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Essa articulação precisa ocupar um lugar central na estratégia empresarial. A disponibilidade de água, o aproveitamento de materiais e a conservação dos ecossistemas influenciam a continuidade das operações e a qualidade de vida das pessoas. Investir em parcerias duradouras significa reconhecer que a capacidade de uma empresa prosperar também depende das condições ambientais e sociais dos lugares com os quais se relaciona.
O Dia Mundial da Limpeza, celebrado em 20 de setembro, torna visível a força da mobilização coletiva. Ao reunir pessoas para retirar resíduos de ruas, praias e rios, a data aproxima a sociedade de um problema cotidiano e também nos convida a refletir sobre a estrutura necessária para que esse esforço produza resultados que permaneçam depois do mutirão.
A urgência aparece nos números. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente projeta que a geração global de resíduos sólidos urbanos poderá alcançar 3,8 bilhões de toneladas em 2050. Segundo o Global Waste Management Outlook 2024, os custos anuais da gestão de resíduos, somados aos impactos da destinação inadequada sobre a saúde, o clima e o ambiente, poderão chegar a US$ 640,3 bilhões nesse horizonte. Um ultraje!
No Brasil, dados do IBGE divulgados em agosto de 2025 mostram que a coleta de lixo alcançava 93% dos domicílios em 2024, enquanto 4,7 milhões ainda queimavam resíduos na propriedade. O avanço da cobertura convive com dificuldades que exigem infraestrutura, educação e soluções adequadas a diferentes realidades. A disposição individual para separar materiais precisa encontrar serviços e cadeias capazes de recebê-los.
É nessa conexão que a cooperação ganha valor. Uma embalagem concebida para ser reciclável depende de coleta, triagem e demanda pelo material recuperado. A indústria precisa considerar essas etapas ao desenvolver produtos e investir em logística reversa. Quanto maior a integração entre os participantes de toda cadeia, melhores as condições para identificar obstáculos e fazer os materiais retornarem à produção.
Quem conhece o território precisa participar
As cooperativas de catadores são essenciais nesse processo. Seu trabalho reúne conhecimento sobre separação, qualidade dos materiais e condições de comercialização. Fortalecer essas organizações envolve equipamentos, capacitação, segurança e relações comerciais estáveis. Incluí-las no planejamento permite que os investimentos respondam às necessidades reais da cadeia e que os ganhos da reciclagem também se traduzam em trabalho e renda.
A mesma lógica se aplica à conservação das águas. O relatório Observando os Rios, divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica em março de 2026, reuniu 1.209 análises realizadas ao longo de 2025, com a participação de 133 grupos voluntários. Entre os 162 pontos monitorados, apenas cinco apresentaram boa qualidade. Nenhum atingiu classificação Ótima. Embora restrito aos locais analisados, o diagnóstico evidencia a necessidade de ações contínuas.
Há, nesse exemplo, uma contribuição que merece atenção: o envolvimento da população na produção de conhecimento. Comunidades que acompanham seus rios podem identificar mudanças e participar de discussões sobre o futuro das bacias. Com metodologia e orientação técnica, a ciência cidadã amplia a capacidade de observar o território. Esse conhecimento pode apoiar decisões de gestores públicos, organizações ambientais e empresas.
Na restauração florestal, ouvir quem vive e produz nas áreas envolvidas também é decisivo. A recuperação de uma nascente ou de uma mata ciliar exige planejamento, acompanhamento e compromisso com a manutenção. O resultado depende tanto da qualidade técnica do projeto quanto da relação construída com os proprietários e as comunidades.
Para empresas, apoiar essa construção requer constância! Parcerias ambientais precisam de objetivos compartilhados, responsabilidades definidas e recursos compatíveis com o tempo necessário para gerar resultados. Tudo é a longo prazo. A experiência das organizações locais deve orientar a execução, enquanto a capacidade de gestão e investimento empresarial pode contribuir para ampliar seu alcance.
O voluntariado corporativo faz parte dessa equação. Quando construído com os parceiros, preparado tecnicamente e conectado às necessidades locais, aproxima colaboradores dos desafios ambientais e fortalece a educação. Seu valor cresce quando a experiência alimenta o compromisso das pessoas e da organização ao longo do tempo.
Mensurar e compartilhar resultados completa esse trabalho. É preciso acompanhar a destinação dos resíduos, a evolução das áreas restauradas e o fortalecimento das organizações participantes, reconhecendo as contribuições de cada uma. O Dia Mundial da Limpeza pode estimular esse compromisso. Para as lideranças empresariais, a oportunidade está em transformar a mobilização em relações duradouras, capazes de sustentar o cuidado ambiental durante todo o ano.
*Gustavo de Souza é Diretor de P&D e Sustentabilidade da Ypê.

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