Destaques Economia e Negócios Sustentabilidade Tecnologia e Inovação
Escrito por Neo Mondo | 16 de setembro de 2026
Riachuelo transforma aparas de jeans em matéria-prima para novos fios, fechando o ciclo da produção têxtil - Foto: Divulgaçã/Riachuelo
POR - REDAÇÃO NEO MONDO
Em parceria com a Cotton Move e Evotex, projeto Guara Circular já transformou 181 toneladas de resíduos têxteis em novos fios e deu origem à primeira coleção de jeans com algodão reciclado da própria fábrica
Em mais um avanço em sua jornada rumo a uma moda que
transforma, a Riachuelo anuncia uma coleção de jeans produzida com 100% algodão, sendo 25% proveniente de fibra reciclada. A potência da iniciativa está no projeto Guara Circular, que viabilizou a operação de reaproveitamento das aparas têxteis 100% algodão
no próprio ecossistema industrial da companhia – garantindo o retorno do resíduo à matéria-prima, conforme preconiza a economia circular.
Leia também: Moda em Loop: quando a sustentabilidade vira estilo de vida
Leia também: Quinze anos depois da lei, Brasil ainda recicla menos de 5% dos resíduos que produz
O fluxo do Guara Circular começa no corte da fábrica Guararapes, que por si só já é reconhecida por sua ecoeficiência, com 85% de aproveitamento dos tecidos cortados, com o uso de software especial e maquinário de alta precisão. A área passou por adequações em seus sistemas e capacitações do time para identificar e separar as sobras têxteis 100% de algodão em uma triagem de três categorias: malha, sarja e jeans.
“Foram quase dois anos de pesquisa, testes e desenvolvimento para alcançarmos um portfólio de fios feitos com 50% de fibras de algodão recicladas e 50% de algodão virgem que performam tão bem quanto o fio virgem em diversos tipos de base, do jeans à malha e tecidos leves. Com o apoio da Cotton Move, maior plataforma de circularidade têxtil da América Latina, e em parceria com a Evotex, spin-off da Ficamp, fiação paraíbana especializada em reciclagem têxtil, conseguimos desenvolver um hub crucial para a
ampliação da reciclagem têxtil, que poderá atender à nós e ao mercado. Podemos dizer que agora o Brasil tem o primeiro polo de reciclagem têxtil no Nordeste! É mais um grande passo na circularidade em escala industrial”, afirma Taciana Abreu, diretora de
Sustentabilidade da Riachuelo.
O objetivo da Riachuelo é expandir a produção de algodão reciclado a partir do reaproveitamento de mais de 1,2 milhão de quilos de aparas 100% algodão geradas na fábrica, reciclando o material gerado ao final do processo produtivo, para seu início, retornando como insumo para a produção de novas matérias-primas.
Além do diferencial regional e escala industrial, o projeto garante a rastreabilidade da origem do material, que é 99% algodão ABR comprado, cortado e triado pela própria Riachuelo, alcançando fios de extrema qualidade. Em 2025, passaram pelo corte da fábrica
Guararapes, uma das maiores do país, 9,6 mil toneladas de tecidos, destes, 47% são 100% algodão. Uma equipe capacitada realiza a triagem do material, que é então encaminhado para os processos de desfibragem e fiação na Evotex, em João Pessoa.
“Nosso maior desafio foi aplicar o know-how de reciclagem que tínhamos na Ficamp, que desenvolve fios reciclados mais grossos para redes e trabalhos artesanais, para a demanda da indústria têxtil que precisa de fios mais finos, limpos e lisos. A Evotex nasce para atender este novo segmento de mercado, que tem potencial enorme e faz parte do futuro da moda”, conta Ana Cecília Albuquerque, sócia-fundadora da Evotex. “A Ficamp foi pioneira na produção de fios reciclados quando circularidade ainda não ocupava o espaço que ocupa hoje na indústria, e acumulamos, ao longo desses quase trinta anos, uma experiência industrial muito valiosa na transformação de resíduos têxteis em matéria-prima”, complementa Juliana César, diretora da Ficamp.
A pesquisa e o desenvolvimento de fios, feita em parceria com a Cotton Move, gerou o portfólio mais amplo de fios reciclados do mercado, nos títulos 6, 8, 16 e 20 Ne, com potencial de criação de diversos tipos de base, do jeans à malha e tecidos leves. O resultado são tecidos compostos integralmente por algodão, uma fibra natural, renovável e reciclável no pós-consumo.
"Esse projeto é resultado de uma grande colaboração, viabilizada pela Plataforma Circular Cotton Move, que integrou todas as etapas da cadeia produtiva aos princípios de circularidade, desde a gestão de resíduos até o desenvolvimento e produção de fios e tecidos reciclados e recicláveis junto aos parceiros engajados. Com isso, temos orgulho em afirmar que esse ciclo não termina na loja, já que as peças poderão ser recicladas novamente, contando com o engajamento dos consumidores em utilizar nossos Pontos de
Entrega Voluntária no fim do ciclo de uso", afirma José Guilherme Teixeira, fundador da Cotton Move.
A coleção com o algodão reciclado faz parte da linha POOL LOOP e, neste lançamento, mais de 41 mil peças confeccionadas com o novo tecido estarão disponíveis a partir de setembro no e-commerce e nas lojas Riachuelo de todo o país, com modelos que variam entre calças, bermudas, shorts, macacões e jaquetas. A POOL LOOP, lançada em setembro de 2025, fomenta a circularidade na moda sob o conceito de “veste, vai e volta”, reduzindo o impacto ambiental da produção de roupas. A nova coleção marca o terceiro lançamento da linha que já contou, inclusive, com uma collab especial com o estilista Marcelo Sommer, um dos principais nomes da moda sustentável.
Com a parceria com a Cotton Move, a Riachuelo amplia a plataforma POOL LOOP com peças jeans circulares e acessíveis em escala nacional, ao mesmo tempo em que impulsiona a evolução técnica da reciclagem têxtil e prepara a cadeia fornecedora para novos modelos de produção.
No pós-consumo, os consumidores contam com mais de 247 pontos de coleta instalados nas lojas físicas da marca, que possibilitam o descarte adequado e o retorno de peças 100% algodão ao ciclo produtivo. As peças recolhidas são destinadas à parceira Retalhar,
onde passam por triagem. As que estão em boas condições são doadas para a Liga Solidária, sendo a renda revertida para projetos sociais. Já as roupas 100% algodão são desfibradas para serem reinseridas novamente na indústria têxtil e o que não é passível de
doação ou reciclagem é transformado em energia em ambiente controlado.
Para que o projeto tivesse saída comercial, foram envolvidas diversas tecelagens. A produção do jeans ficou por conta da mineira Souza e Cambos, a malha virá da própria malharia da Guararapes e da parceira Dalila Têxtil e os tecidos leves serão produzidos pela
Romatex.
Com esse movimento, Riachuelo impulsiona a economia circular na indústria da moda e mostra o quanto a indústria brasileira pode avançar quando experiência, inovação e colaboração caminham juntas.
Atafona perde 8 metros de praia por ano, e a obra que devia frear o mar ainda não existe