Escrito por Neo Mondo | 20 de janeiro de 2022
Manoella Rodrigues da Silva, especialista em marketing pela Universidade Federal do Paraná - Foto: Divulgação[/caption]
Segundo Manoella, essa visão começa a mudar e, embora o modelo de liderança no agronegócio ainda seja masculino, os números pesquisados para elaboração do trabalho confirmam as mulheres em todas as esferas do agronegócio, desde o campo até a gestão de negócios. Do universo de mulheres pesquisadas, pelo menos 46% delas trabalham no campo, com atividades de plantação, ordenha ou até mesmo dirigindo máquinas agrícolas, e outras 54% trabalham em atividades administrativas (empresas, escritórios do agro).
Nas atividades que compõem a agropecuária, a presença feminina com maior expressividade é na hortifruticultura e avicultura com 18% e 12% respectivamente; na sequência grãos com 10% e bovinocultura com 9,7%.
Censo - Segundo Manoella Rodrigues da Silva, o trabalho mostra ainda que, conforme os dados do último Censo Agropecuário do IBGE (2017), dos 5 milhões de estabelecimentos agropecuários brasileiros, somente 19% pertencem às mulheres.
Outro dado interessante do estudo, é que a região nordeste é a que tem maior quantidade de produtoras rurais, com uma porcentagem de 25% a 30% dos estabelecimentos próprios. Em segundo lugar, a região norte do Brasil, onde de 20% a 25% dos estabelecimentos são de mulheres. Na sequência, a região centro-oeste e por último as regiões sul e sudeste com apenas de 10% a 15% dos estabelecimentos de posse feminina.
Outra informação relevante do Censo Agropecuário é sobre o perfil feminino no agro: 77% das mulheres agropecuaristas são brancas e 50% têm entre 40 e 60 anos e nível superior completo. Aliás, a taxa de mulheres com nível de escolaridade em nível superior dobrou no período de 2004 a 2015 segundo estudo do CEPEA (2019) e esta tendência pode ser vista não somente nas mulheres do agronegócio, mas em todo o mercado de trabalho nacional.
Segundo Manoella, as formas de inserção das mulheres no agronegócio, conforme os últimos estudos do IBGE, ocorrem primeiramente a partir de um processo de sucessão e, a segunda, mais moderna, onde as mulheres assumem cargos de liderança por meio de um desafio profissional. Neste contexto, e analisando o perfil das famílias, 60% dessas mulheres são casadas e têm filhos, e 14% dessas têm maior participação na contribuição financeira da família.
EUA - Segundo o último Censo Agropecuário realizado pela USDA (Departamento de Cultura dos Estados Unidos) em 2017, dos 3,4 milhões de produtores agrícolas norte americanos, 36% são mulheres. Porém 66% dessas mulheres têm outras atividades consideradas primárias.
Além disso, essas mulheres possuem em sua maioria fazendas de médio a grande porte, de 4 a 72 hectares, enquanto no Brasil elas possuem propriedades de pequeno a médio porte, ou seja, de 1 a 15 hectares. As propriedades com mais de 50 hectares continuam em sua maioria de posse masculina.
A visão patriarcal de que a mulher deveria servir o homem é ainda forte nos EUA. Para muitas mulheres, elas são somente as esposas dos fazendeiros e não as fazendeiras tomadoras de decisão, mesmo que isso ocorra na prática.
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