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Escrito por Neo Mondo | 22 de outubro de 2026
Cuida do oceano quem pesquisa, preserva e vive da costa. Levantamento nacional quer mapear e conectar essas iniciativas pelo Brasil - Imagem gerada por IA - Ilustrativa/Neo Mondo
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DO NEO MONDO
UFSC e Instituto Ambientes em Rede abrem levantamento nacional, com apoio do iCS, para mapear organizações, territórios e capacidades nas soluções climáticas ligadas ao mar
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Instituto Ambientes em Rede (IAR) abriram um levantamento nacional para descobrir quem atua, onde e com que recursos nas soluções para a crise climática baseadas no oceano e na zona costeira brasileira. O Projeto Oceano-Clima: Diagnóstico Nacional das Capacidades da Sociedade Brasileira recebe respostas por um questionário online que leva, em média, 15 minutos para ser preenchido, e conta com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS). As informações vão alimentar uma plataforma digital pública, a Oceano-Clima: conectando soluções para o Brasil, criada para que iniciativas espalhadas pelo litoral se enxerguem, cooperem e cheguem com mais peso às mesas de financiamento e de política pública.
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O projeto parte de uma ausência. Hoje não existe, em escala nacional, um registro organizado de quantas universidades, ONGs, cooperativas, prefeituras, empresas e coletivos trabalham com clima e oceano, nem em quais trechos da costa estão concentrados. “O levantamento quer produzir algo que hoje não existe de forma organizada em escala nacional: um retrato das capacidades já instaladas, dos territórios onde elas estão, das lacunas existentes e das possibilidades de articulação e cooperação”, diz Marinez Scherer, professora da UFSC e uma das idealizadoras da iniciativa. Doutora em Ciências do Mar, ela foi a enviada especial para o oceano da COP30 e copreside o grupo de trabalho da COI/UNESCO sobre planejamento e gestão sustentável do oceano. A conferência aconteceu em novembro de 2025, em Belém.
A escala do que está em jogo aparece nos números do IPCC. O oceano absorveu mais de 90% do calor excedente retido pelo sistema climático e capturou cerca de um quarto do CO2 emitido pela humanidade. Ao mesmo tempo, sofre com o aquecimento, a acidificação e o uso desordenado da costa, sem planejamento e gestão adequados. O mesmo mar que segura o clima recebe a conta dele.
O questionário está aberto a um leque amplo de atores. Podem responder organizações da sociedade civil, redes, coletivos, universidades, instituições de pesquisa, empresas, fundações, cooperativas, órgãos públicos e organizações comunitárias. As frentes de atuação também são variadas: conservação, pesca e aquicultura, turismo costeiro, cultura oceânica, planejamento e gestão, comunidades tradicionais, energia, financiamento, ciência, educação, produção de dados, adaptação e mitigação.
O formulário vai além de uma lista de nomes. Pergunta pelo perfil institucional, pela escala e pelo território de atuação, pelas áreas temáticas e pelas ações climáticas em curso. Também mede estrutura e recursos, além de capacidades técnicas, financeiras, de articulação e territoriais. Com esse material, a equipe promete gráficos interativos, recortes por território e por tema e sínteses que indiquem onde certas capacidades se concentram, onde faltam e onde há espaço para cooperação.
A qualidade desse retrato depende de quem responde. Marinez insiste nesse ponto. “Ter diversidade territorial, temática e institucional leva a resultados mais consistentes e, no fim, aumenta a capacidade de implementações de ações assertivas que combatam a crise climática”, afirma.
O IAR, que conduz o projeto ao lado da UFSC, quer que o resultado sirva a públicos diferentes. “Nosso objetivo é transformar uma base extensa de respostas em informação útil para a sociedade, para redes e organizações, empresas, instituições públicas, academia, financiadores e demais atores que atuam nessa agenda”, diz Leana Bernardi, diretora presidente do instituto.
Para quem já tem projeto em andamento, a plataforma funciona também como vitrine. A proposta é que iniciativas hoje pouco conhecidas passem a ser consideradas em discussões sobre cooperação, financiamento, políticas públicas e estratégias territoriais. Nos materiais de divulgação, a ferramenta aparece também como Mutirão Oceano-Clima, termo que ecoa o vocabulário da presidência brasileira da COP30, que lançou a plataforma Mutirão Global inspirada na tradição de esforço coletivo e solidariedade.
A tentativa de colocar o mar dentro da agenda climática brasileira já vinha ganhando forma antes de Belém. Em 15 de outubro de 2025, a sede do WWF-Brasil, em Brasília, recebeu o Workshop Mutirão Azul, dedicado a acelerar soluções climáticas baseadas no oceano. Na ocasião, Ana Paula Prates, diretora de Oceano e Gestão Costeira do Ministério do Meio Ambiente, lembrou que o oceano, embora seja o principal regulador do clima, ficou historicamente em segundo plano.
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