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Escrito por Neo Mondo | 11 de agosto de 2026
Sete das nove fronteiras planetárias já foram ultrapassadas, um retrato de como a pressão humana sobre os sistemas que sustentam a vida rompeu os limites de segurança do planeta - Imagem gerada por IA - Ilustrativa/Neo Mondo
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DO NEO MONDO
Em setembro de 2025, o Planetary Health Check, avaliação conduzida pelo Instituto de Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático com o Stockholm Resilience Centre, registrou que sete das nove fronteiras planetárias foram ultrapassadas, com a acidificação dos oceanos entrando na lista pela primeira vez, ao lado de mudança climática, integridade da biosfera, uso da terra, água doce, fluxos biogeoquímicos e entidades novas. Restam duas dentro do espaço seguro. Entre as rompidas está aquela que quase ninguém consegue nomear com precisão. A fronteira das entidades novas cobre substâncias criadas pelo ser humano, entre elas plásticos, químicos sintéticos, metais pesados e materiais radioativos, e é monitorada pela proporção de compostos em circulação sem teste de segurança adequado. Foi declarada transgredida em 2022.
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Não existe um número único capaz de expressar o que isso significa. Existe uma sequência de fatos que, lidos juntos, formam uma imagem incômoda. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente calcula que a poluição plástica pode triplicar até 2060 caso nenhum acordo internacional seja firmado. A produção global gira em torno de 516 milhões de toneladas por ano, e cerca de 9% desse volume é reciclado corretamente uma única vez. No Brasil, 45% dos 7 milhões de toneladas produzidas anualmente correspondem a itens de uso único. A ciência médica, por sua vez, deslocou o problema de lugar. Em abril de 2026, a revista Nature Health publicou a análise de 191 amostras de tecido cerebral humano e encontrou micro e nanoplásticos em quase todas. O material que a política pública brasileira trata como resíduo já circula dentro do corpo de quem legisla sobre ele.
Enquanto isso, a governança falhou de forma pública. A quinta sessão do comitê intergovernamental de negociação foi partida em duas etapas, Busan no fim de 2024 e Genebra em 2025, e o processo ficou suspenso no segundo semestre daquele ano por falta de consenso e pela polarização entre países produtores de petróleo e países que defendiam um tratado abrangente. Em fevereiro de 2026, elegeu-se novo presidente do comitê, o diplomata chileno Julio Cordano. Uma análise da Repórter Brasil concluiu que o lobby industrial influenciou a posição brasileira nessas tratativas. No plano doméstico, o país fez o movimento contrário: o Decreto 12.688, de 2025, passou a exigir 22% de conteúdo reciclado nas embalagens plásticas desde janeiro de 2026, com multas que alcançam R$ 50 milhões. No mesmo período, segundo levantamentos da Abremaplast e da consultoria MaxiQuim, a demanda por PET reciclado caiu 54% e os preços recuaram 41%, porque a sobrecapacidade global barateou a resina virgem. A lei existe. O mercado foi para o outro lado.
É desse conjunto que nasce o dossiê que o Neo Mondo publica a partir de 14 de setembro. Plástico, sociedade e natureza: uma relação que precisa ser reinventada reúne 33 peças editoriais originais e 24 especialistas convidados, sob curadoria científica de Alexander Turra, professor titular do Instituto Oceanográfico da USP, coordenador da Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN). São dez reportagens de apuração própria, entrevistas exclusivas com nomes que decidem os rumos do tema no país, da petroquímica aos catadores, da pesquisa de ponta à diplomacia, e artigos assinados por colunistas e convidados. A premissa que organiza tudo pertence ao curador e é deliberadamente incômoda: o plástico não é um resíduo. É um sistema econômico, industrial, científico e social, e qualquer leitura que o reduza ao descarte é, por definição, incompleta.
Meio século de política pública brasileira tratou o material pelo fim da linha, pela praia suja e pela lixeira de cor errada. Essa moldura produziu resultados que estão à vista. Ela também explica por que o país conseguiu escrever a norma mais ambiciosa de sua história sobre embalagens sem alterar o preço que decide, na prática, o que a indústria compra. Corrigir a moldura é trabalho editorial, não apenas regulatório.
Por isso este dossiê não termina em si mesmo. Ele inaugura a Coleção Neo Mondo, série bimestral dedicada aos grandes sistemas que definem o século. Economia do Plástico abre como Volume I. Seguem-se Floresta, Clima, Água, Oceano, Biodiversidade, Poluição e Ambientes Urbanos, a cada dois meses, de modo que os oito volumes se completam em pouco mais de um ano. A cadência tem razão de ser. Publicar um sistema por ano os transformaria em oito assuntos separados, cada um esquecido quando o seguinte chegasse. Publicá-los em sequência próxima mantém as ligações vivas: quando o Volume III tratar de clima, o leitor ainda terá na memória que o plástico é feito de petróleo. Quando o Volume IV tratar de água, saberá que é pelo saneamento precário que o material chega ao mar. Quando o Volume VI tratar de biodiversidade, reconhecerá as espécies em cujos tecidos as partículas já foram encontradas. A coleção existe para tornar essas ligações visíveis, e não para arquivá-las em editorias distintas.
Há ainda uma razão de método. Jornalismo de efeméride nasce com data de validade. Cada volume da coleção permanece no acervo do portal de forma perene, sem prazo de expiração, organizado como referência consultável. Um estudante que procurar, em 2031, o estado da economia do plástico brasileira em 2026 encontrará as 33 peças no lugar onde foram publicadas. Essa permanência é o produto, e não um efeito colateral da publicação.
Ao mercado anunciante, a coleção propõe algo distinto de inserção de marca em conteúdo. Cada volume abre um número limitado de cotas de parceria institucional, com assinatura no dossiê e crédito em todas as peças, e sem qualquer interferência na pauta. O Neo Mondo opera com separação formal entre conteúdo editorial e relação comercial, e essa separação é, ela mesma, o ativo que se oferece: uma marca associada a um trabalho que resiste ao escrutínio vale mais que uma marca associada a um trabalho que ninguém verifica. Quem entra no Volume I entra também na abertura de uma série de longa duração, com prioridade de negociação nos volumes seguintes.
"Falha não é inevitável; falha é uma escolha", disse Johan Rockström, diretor do Instituto de Potsdam, ao comentar os resultados de 2025. Ele lembrava, no mesmo texto, que a redução da poluição por aerossóis e a recuperação da camada de ozônio mostram que é possível mudar a direção do desenvolvimento global. Duas das nove fronteiras seguem dentro do espaço seguro justamente porque alguém decidiu, décadas atrás, medir, publicar e regular. O trabalho começa por onde sempre começou: alguém precisa contar a história inteira, com os números certos, antes que ela vire regulação.
Cotas de patrocínio limitadas. Empresas interessadas em integrar o Volume I da Coleção Neo Mondo podem falar com Oscar Lopes, publisher, pelo e-mail oscar@neomondo.org.br ou pelo telefone (11) 98234-4344.
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