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A queda dos fósseis: energia limpa conquista a economia global

Escrito por Neo Mondo | 22 de julho de 2025

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A transição energética já não é uma aposta de futuro — é uma realidade econômica do presente - Imagem gerada por IA - Foto: Divulgação

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

Com 91% dos novos projetos mais baratos que alternativas fósseis, o mundo avança na transição energética — e o Brasil se firma como potência renovável

Uma transformação histórica está em curso — silenciosa, mas avassaladora. Não é ditada pelas armas, nem pelos grandes mercados financeiros, mas pelo sol, pelos ventos e pela inteligência humana aplicada à sobrevivência planetária. O novo relatório da Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA) marca um divisor de águas: as fontes limpas não apenas venceram a batalha da viabilidade técnica — agora também venceram a guerra dos custos.

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Segundo o relatório Custos de Geração de Energia Renovável em 2024, 91% dos novos projetos renováveis comissionados no último ano foram mais baratos que qualquer alternativa fóssil. É uma virada que redefine os rumos da economia global. A energia solar fotovoltaica foi, em média, 41% mais barata que a fonte fóssil de menor custo. Já a energia eólica onshore superou todas as demais, sendo 53% mais econômica.

E o Brasil brilha nesse cenário. Foi o quarto país que mais adicionou capacidade renovável em 2024, atrás apenas de China, Estados Unidos e União Europeia. Mas nos custos, somos referência: energia eólica onshore a apenas USD 30/MWh e solar fotovoltaica a USD 48/MWh — níveis comparáveis aos da China e imbatíveis no Ocidente.

Essa conquista tem raízes bem firmes: leilões públicos transparentes, contratos de longo prazo com garantias reais e um ambiente regulatório que ainda mantém certa previsibilidade. Tudo isso tem atraído investimentos, democratizado o acesso à energia e acelerado a transição.

Além do fator preço, as renováveis oferecem o que o mundo hoje mais valoriza: segurança energética, soberania nacional, estabilidade climática e independência geopolítica. Em 2024, a adição global de 582 gigawatts em capacidade renovável poupou o uso de combustíveis fósseis em cerca de US$ 57 bilhões.

Mas o caminho não é isento de desafios. O relatório da IRENA aponta gargalos crescentes: atrasos em licenciamento, redes sobrecarregadas, custos de financiamento elevados e barreiras comerciais. Países do Sul Global, em especial, enfrentam dificuldades para acessar capital a juros compatíveis com a urgência climática. Enquanto a taxa de custo de capital na Europa ficou em torno de 3,8%, em mercados africanos ela chegou a alarmantes 12%.

A tecnologia, porém, tem respondido. O custo dos sistemas de armazenamento por baterias caiu 93% desde 2010, chegando a USD 192/kWh. As chamadas soluções híbridas — que integram solar, eólica e baterias — ganham força. Ferramentas digitais com inteligência artificial também vêm aprimorando o desempenho de usinas, otimizando a integração das fontes variáveis às redes. Mas, para que esse avanço se consolide, o mundo precisa de infraestrutura digital robusta, expansão das redes e coragem política.

foto de energia renovável, eólica, solar e bagaço de cana
A energia limpa deixou de ser uma opção ética ou ambiental apenas — tornou-se a escolha mais inteligente para a economia global - Foto: Ilustrativa/Divulgação

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, foi direto:

“Energia limpa é economia inteligente — e o mundo está seguindo o dinheiro.”

Já o Diretor-Geral da IRENA, Francesco La Camera, é enfático:

“A competitividade das renováveis é real. Mas não garantida. A transição é irreversível, mas seu ritmo e sua equidade dependem das escolhas que fazemos hoje.”

O Brasil, com sua matriz já majoritariamente renovável e seu enorme potencial solar, eólico e biomássico, tem tudo para liderar essa nova era energética com justiça, eficiência e ousadia.

A transição já começou. E a energia do futuro — limpa, acessível, abundante e soberana — está ao nosso alcance.

Leia AQUI (em inglês) o relatório completo Renewable Power Generation Costs in 2024. 

Sobre a Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA)
A IRENA é a principal agência intergovernamental para a transição energética baseada em renováveis, dedicada a promover uma mudança sistêmica nos setores de energia. Uma agência global de energia composta por 169 países e a União Europeia, com outros 14 países em processo de adesão, a IRENA oferece conhecimento, assistência técnica e capacitação, além de facilitar projetos e investimentos. A Agência viabiliza cooperação internacional e parcerias para combater as mudanças climáticas e promover o desenvolvimento sustentável, o acesso à energia, a segurança energética e economias e sociedades resilientes.

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