Destaques Emergência Climática Saúde Segurança Sustentabilidade Turismo
Escrito por Neo Mondo | 9 de maio de 2018
POR - OBSERVATÓRIO DO CLIMA / NEO MONDO
Pesquisadores quantificam pela primeira vez pegada climática global do setor de viagens e descobrem que o turismo emite 8% do carbono do mundo; Brasil tem sexta maior participação

O que torna a conta climática das viagens tão salgada são, para começo de conversa, as próprias viagens: os transportes aéreos e terrestres têm um peso grande nas emissões do setor. Mas o que é emitido na produção da comida que alimenta os turistas e até das quinquilharias feitas na China que eles compram nas lojinhas de suvenir também entra na contabilidade.
Como esperado, os EUA são o gigante carbônico do setor, com cerca de 1 bilhão de toneladas de CO2 de pegada em 2013 – a maioria devida a viagens de americanos dentro do próprio país. Em seguida vem a China, cuja classe média em expansão tem viajado mais, mas que também se tornou um destino importante, em especial para o turismo de negócios. O Brasil ficou em sexto, com cerca de 200 milhões de toneladas de CO2 equivalente, obra e graça também das viagens domésticas da classe média (os dados são de antes de o país naufragar e a classe média voltar a andar de ônibus).
A maior pegada per capita, porém, é das insuspeitas Maldivas, um dos países mais vulneráveis do mundo ao aquecimento global. Com uma população pequena e um PIB quase inteiramente calçado no turismo internacional de luxo, o arquipélago emite por pessoa no setor mais do que os EUA.

Os pesquisadores também sugerem que as pessoas paguem mais por viagens aéreas de forma a neutralizar o carbono dos voos. Uma péssima ideia, na visão do ministro do Turismo do Brasil, Vinicius Lummertz.
“Aumentar o custo do transporte aéreo como forma de minimizar o impacto ambiental do setor não me parece um caminho correto. A medida pode tornar o setor de viagens um privilégio das camadas mais ricas da população sendo que lutamos por décadas para popularizar o avião como meio de transporte. Mais correto seria defender práticas de incentivo à pesquisa por soluções de transportes ou formas de propulsão alternativas que permitam minimizar o impacto do turismo na natureza.”
Ainda segundo Lummertz, o estudo “deixa de lado questões fundamentais”, como a contribuição do setor para a proteção ambiental por meio do ecoturismo e do turismo de aventura em áreas protegidas. “O turismo é um grande aliado na conservação do meio ambiente e na preservação de grandes áreas que ajudam a neutralizar o carbono.”

Skechers, 3a maior marca de calçados do mundo, anuncia parceria estratégica com o Parque Villa-Lobos
Manguezais: pesquisadores criam índice para avaliar a saúde do solo