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Escrito por Neo Mondo | 21 de junho de 2018
“A Emenda do Teto de Gastos afeta todo o investimento público social pelas próximas duas décadas, mesmo em um eventual cenário positivo de receita, visto que todo o recurso extra será utilizado no pagamento da dívida pública. Significa o comprometimento do investimento que possa efetivamente superar a profunda e histórica desigualdade no Brasil. É, portanto, o esgarçamento do tecido social, assim como de qualquer projeto democrático de sociedade e da própria ideia de paz”.
Deborah Duprat ressaltou que, passados dois anos da implementação da Emenda nº 95, já se pode verificar a gravidade de seus impactos naquele que é considerado o tripé das políticas de promoção da igualdade: saúde, educação e assistência social.
“Na assistência social, 98% dos recursos foram cortados, impactando diretamente programas como Bolsa Família ou mesmo políticas voltadas a pessoas em situação de rua. Políticas de saúde e educação tiveram restrições orçamentárias entre 10 e 15%, sem considerar novos cortes que estão sendo feitos – como na recente suspensão da maior parte das bolsas assistência a indígenas, negros e quilombolas nas universidades. É também preciso dizer que na reforma agrária os cortes foram de 15% e que o atual orçamento da Funai é dez vezes menor do que o de 2003. Ou seja, vivemos a barbárie em termos de pacto social”.
A PFDC ressaltou ainda os reflexos da Emenda 95 nas próprias instituições do sistema de justiça. Duprat chamou atenção especialmente para a situação da Defensoria Pública, órgão essencial para o enfrentamento das desigualdades e, portanto, de cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável:
“Com a Emenda 95, a Defensoria Pública paralisou seu processo de interiorização e de aumento de quadros – e, como sequência, do próprio acesso ao sistema de justiça. Lembrando que estamos em um cenário de uma reforma que precarizou as relações de trabalho, onde o acesso aos bens está comprometido e no qual 11% das famílias brasileiras voltaram à condição de pobreza absoluta ”.
Ao menos seis ações tramitam no Supremo Tribunal Federal questionando a constitucionalidade da EC nº 95. A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão também encaminhou à Procuradoria Geral da República um conjunto de argumentos acerca dos graves impactos do congelamento de gastos sociais, tendo como perspectiva a necessidade de superação das profundas assimetrias que marcam a sociedade brasileira, em um compromisso não apenas com as gerações presentes, mas também para o futuro.
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