Escrito por Neo Mondo | 8 de dezembro de 2017
POR - AGÊNCIA AMBIENTE ENERGIA / NEO MONDO
O Brasil retornou à primeira posição na América Latina e no Caribe, e ao segundo lugar no ranking geral, ficando apenas atrás da China, devido à consistência do país em seus investimentos em energia limpa, políticas públicas adequadas e aumento do poder de demanda, apesar dos três anos de crise econômica. O País recebeu US$ 125 bilhões de investimentos em plantas de energia limpa nos últimos 10 anos (2007-2016), o segundo maior investimento entre os 71 países do Climatescope, apenas atrás da China.
Segundo o documento, de 2007 a 2016, os países da América Latina e do Caribe receberam mais de US$ 198 bilhões em investimentos em projetos de energia limpa. Entretanto, os investimentos na região caíram em 32%, de US$ 23,2 bilhões, em 2015, para US$ 15,7 bilhões em 2016.
Quatro dos 10 países com maior pontuação no Climatescope 2017 são da América Latina (Brasil, México, Chile e Uruguai). Três deles são da Ásia (China, Índia e Vietnã), dois da África (África do Sul e Quênia) e um do Oriente Médio (Jordânia).
A América Latina atraiu o maior e mais estável fluxo de investimento proveniente de investidores estrangeiros, atingindo US$ 3 bilhões por ano, desde 2010. A região se beneficiou do uso de licitações de energia limpa, o que oferece aos investidores maior certeza de retornos a longo prazo.
O forte desempenho geral da América Latina no Climatescope 2017 ocultou variados níveis de atividade entre os países da região. No Brasil, Chile, Honduras, Uruguai e Peru, o investimento em energia renovável diminuiu em 2016 em relação aos níveis de 2015. Por outro lado, recentemente, outros países começaram a se destacar, com destaque para o México, como consequência de uma reforma energética que abriu o mercado para investidores estrangeiros e estabeleceu ambiciosas metas de energia limpa.
Nos objetivos estabelecidos nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês), a América Latina e o Caribe formam a única região do Climatescope que, em conjunto, poderia alcançar reduções absolutas de emissões se seus objetivos condicionais forem cumpridos. É também a região onde as energias renováveis têm o maior impacto potencial para que os países cumpram suas obrigações. De fato, os países da América Latina e Caribe, em conjunto, podem alcançar seus objetivos incondicionais mitigando as emissões somente do setor elétrico.
A capacidade de geração de energia solar cresce a passos largos nos mercados emergentes. Equipamentos de baixo custo e aplicações inovadoras estão impulsionando esse crescimento e permitindo que milhões de pessoas tenham acesso a energia, concluiu a Bloomberg New Energy Finance (BNEF) em um novo e completo estudo sobre a atividade de energia limpa nas principais nações em desenvolvimento. O documento foi simultaneamente divulgado em Londres, Washington e Shanghai.
Um total de 34 gigawatts de nova capacidade de geração de energia solar entrou em operação nos 71 países emergentes pesquisados pela BNEF como parte do estudo anual Climatescope (www.global-climatescope.org), divulgado em Shangai durante a BNEF Future of Energy Summit (Cúpula da BNEF sobre o Futuro da Energia). No acumulado, a capacidade de geração de energia solar cresceu 54% em um ano e mais do que triplicou em três anos. A capacidade adicionada em 2016 seria suficiente para suprir a demanda anual de eletricidade de 45 milhões de residências na Índia ou de todo o consumo residencial do Peru ou da Nigéria.

• Em termos de política, 76% das nações pesquisadas pela BNEF estabeleceram metas nacionais de contenção das emissões de CO2. Entretanto, só dois terços (67%) introduziram as chamadas tarifas de aquisição (feed-in tariffs) ou leilões para apoiar projetos de energia limpa, e apenas 18% estabeleceram políticas domésticas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Esses regulamentos detalhados e técnicos têm sido críticos para que os países em desenvolvimento consigam atrair capital privado para investir em energia limpa e facilitar sua expansão;
• A China ficou outra vez no topo do estudo. O país manteve seu posto de maior mercado mundial para o desenvolvimento de energia limpa, mas viu os investimentos em novos ativos (projetos) encolherem US$ 36,6 bilhões em relação ao ano anterior. Na edição deste ano, sete das dez primeiras nações do estudo pontuaram menos do que na edição anterior. Brasil, Jordânia, México, Índia, África do Sul, Chile, Quênia, Uruguai e Vietnã também estão no Top 10 do estudo.
A metodologia da Bloomberg New Energy Finance para contar a capacidade do projeto de energia solar instalada difere da metodologia do governo chinês. A BNEF considera os projetos solares como completos após o fim da construção ser anunciado pelo construtor, enquanto o governo considera somente quando os projetos estão conectados à rede. Isso geralmente resulta em discrepâncias entre a BNEF e os números oficiais do governo.
O Climatescope é uma avaliação exclusiva realizada país por país, um relatório interativo e um índice que avalia o progresso de mercados emergentes em sua transição energética. Desde 2012, ele reporta anualmente os investimentos em energia limpa e as atividades de implantação de energia limpa em um número crescente de países, que chega a 71 em 2017.
Desde 2014, o Climatescope tem o apoio do Departamento de Desenvolvimento Internacional do Reino Unido em parceria com a Bloomberg New Energy Finance. O Fundo de Investimento Multilateral do Grupo do Banco Interamericano de Desenvolvimento e a Agência Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos, por meio de sua iniciativa Power Africa, também já foram parceiros do projeto.

Mulheres que curam: ciência, pele e liderança sustentável
O Brasil quer liderar a bioeconomia global. Mas ainda não sabe o que ela é
Mudanças climáticas encurtam o período de floração e frutificação de espécies do Cerrado