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Escrito por Neo Mondo | 23 de setembro de 2025
A Família Schurmann vem documentando o maior crime ambiental silencioso do nosso tempo — a poluição plástica Foto: Divulgação/Voz dos Oceanos
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
Do êxtase ao alerta: quando o paraíso azul revela sua cicatriz
A gente adora romantizar o mar — e com razão. Ele é vasto, misterioso, poético. Mas a Família Schurmann, que há mais de 40 anos vive sobre as ondas, está aqui para nos lembrar que esse azul não é mais intocado. Com a expedição Voz dos Oceanos, eles vêm transformando sua paixão pelo mar em uma jornada de denúncia, arte e esperança.
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O que começou como mais uma volta ao mundo virou uma missão urgente: documentar o maior crime ambiental silencioso do nosso tempo — a poluição plástica. E o que eles têm encontrado é ao mesmo tempo fascinante e devastador.
Imagine estar no coração do oceano, cercado por aquele azul hipnótico que parece infinito. De repente, surge uma linha espessa de plástico — garrafas, sacolas, embalagens — cortando o horizonte como uma ferida aberta.
“Nunca tínhamos visto uma quantidade tão grande assim no meio do oceano”, confessa Wilhelm Schurmann, capitão do veleiro Kat.
A tripulante Erika Cembe Ternex descreve a cena como “uma muralha que nos separava do destino”, uma linha que se perdia no horizonte. A cereja amarga do bolo? Uma baleia e seu filhote passando em meio ao lixo. É de embrulhar o estômago.
A previsão da Fundação Ellen MacArthur de que, em 2050, teremos mais plástico que peixes nos oceanos não é mais só estatística para slides de conferência. É realidade se materializando na nossa frente.
Antes de topar com o tapete de lixo, a tripulação viveu um momento de pura beleza em Raja Ampat, um dos lugares mais biodiversos do planeta. Corais coloridos, cardumes dançantes, tartarugas, arraias-manta… parecia o sonho de qualquer mergulhador.
Mas a maré virou — e trouxe plástico. Literalmente. Heloisa Schurmann se emocionou:
“Que momento mais triste e impactante. Precisamos parar esse tsunami de plástico agora.”
Esse contraste brutal é a metáfora perfeita: o paraíso e o problema dividindo a mesma geografia. Não existe lugar distante o bastante para escapar do que jogamos fora. O lixo, mais cedo ou mais tarde, encontra seu caminho até o mar.
Desde que a China fechou as portas para o lixo importado em 2018, países do Sudeste Asiático, como a Indonésia, viraram destino de carregamentos legais e ilegais de resíduos. O resultado? Montanhas de lixo acumuladas em locais sem infraestrutura para dar conta.
Essa é a parte dura de engolir: não existe “jogar fora”. Existe só “jogar para outro lugar”. E o oceano acaba sendo o repositório final. Microplásticos já foram encontrados no sal que usamos na cozinha, no leite materno e até na placenta humana. O problema deixou de ser ambiental para ser existencial.
5 números que todo mundo precisa saber antes de dizer “não é comigo”:
💡 REFLEXÃO: cada canudo, garrafa ou saco descartado hoje pode continuar no ecossistema por centenas de anos. A escolha é nossa.
A Voz dos Oceanos está prestes a coroar sua jornada na COP30, em Belém. E não será apenas com discursos. A tripulação vai transformar o histórico Espaço Cultural Casa das Onze Janelas na Casa Vozes do Oceano, um espaço vivo de arte, ciência e conexão.
Lá, o público vai poder ver de perto imagens e instalações que traduzem o drama dos mares, conversar com cientistas, ONGs, ribeirinhos, povos originários e ativistas. É a chance de transformar indignação em ação.
“Sem o azul não existe o verde”, lembra David Schurmann, CEO da iniciativa.
É simples e direto: sem oceanos saudáveis, não há clima, não há floresta, não há vida como conhecemos.

Sim, já ouvimos falar de poluição plástica mil vezes. Mas cada nova imagem trazida pela expedição é um novo alerta — e talvez seja justamente o empurrão que precisamos para mudar de comportamento.
Essa não é a cruzada de uma família de velejadores. É uma luta que começa no carrinho do supermercado, na cobrança às empresas, no apoio a políticas públicas sérias.
“Ainda há esperança”, lembra David. E há mesmo. Há soluções surgindo todos os dias: materiais biodegradáveis, sistemas de logística reversa, comunidades inovadoras. Mas é preciso que a onda da transformação seja mais forte que o tsunami de plástico.
Quer se inspirar e embarcar nessa causa? Acesse Voz dos Oceanos e veja como se tornar parte dessa corrente.
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