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COP30 — Dia 5: Quando a comunicação, a ciência e a diplomacia falam a mesma língua — a língua do Oceano

Escrito por Neo Mondo | 14 de novembro de 2025

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A COP do Oceano segue mais forte do que nunca - Foto: Ilustrativa/Freepik

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO

foto do logo da cop30

No quinto dia da conferência, Alexander Turra revela como jornalismo, ONU, G20 e navegação zero carbono se conectam para moldar o futuro azul do planeta

“Oceano na ONU, no G20 e no Futuro da Navegação”

O quinto dia da COP30 começou e terminou com aquela sensação vibrante de que o Oceano finalmente encontrou seu lugar — não num canto das discussões, mas no centro, onde decisões práticas e geopolíticas ganham forma. E foi assim que Alexander Turra, nossa voz oficial do Neo Mondo direto da Blue Zone, abriu mais um boletim diário: sorrindo, animado e diante do imponente Pavilhão do Oceano, cuja presença em Belém ele insiste — com razão — em chamar de “simbólica e histórica”.

Leia e assista também: COP30 — Dia 4: O Oceano pulsa no coração de Belém

Leia e assista também: O Oceano entrou de vez na agenda climática global

Hoje, o que Turra me contou não é apenas sobre ciência. É sobre coordenação global, jornalismo como força política, diplomacia oceânica e um futuro em que até a navegação precisa zerar suas emissões.
É como se cada peça estivesse finalmente encontrando o seu lugar no grande quebra-cabeça do clima.

O jornalismo como força planetária

Logo pela manhã, Turra participou de um painel liderado pelo Pulitzer Center, uma instituição que o mundo inteiro respeita quando o tema é jornalismo científico, climático e ambiental.

Ele me disse:

“O dia começou com uma discussão sobre a importância da comunicação para expandir a mensagem do Oceano.”

E é exatamente isso, prezado(a) leitor(a).
Nenhuma política pública se sustenta sem compreensão social. Nenhuma mudança climática é enfrentada sem informação de qualidade. Nenhuma agenda oceânica prospera sem jornalistas, comunicadores e divulgadores científicos traduzindo o que está em jogo.

O Pulitzer tem insistido nisso:
não há solução climática sem uma sociedade bem informada.

E Turra reforça: estamos no momento em que a comunicação virou instrumento de governança.

🇺🇳 UNOceans: quando 20 agências da ONU falam juntas

A seguir, Turra acompanhou um encontro extremamente relevante — e pouco conhecido do grande público: o grupo UNOcean, composto por mais de 20 instituições das Nações Unidas que lidam, direta ou indiretamente, com o Oceano.

Ele descreveu assim:

“Um grupo que discute avanços, sobreposições, lacunas e, principalmente, coordenação.”

Aqui entram:

  • FAO
  • PNUD
  • UNESCO
  • UNEP
  • IMO (Organização Marítima Internacional)
  • IOC/UNESCO (Comissão Oceanográfica Intergovernamental)
    … e tantas outras peças desse tabuleiro geopolítico marinho.

A IOC, sediada na UNESCO, funciona como o coração desse diálogo.
É ali que se constrói o entendimento global de que o Oceano não é apenas tema ambiental — é tema econômico, cultural, humanitário, político e civilizatório.

E Belém presenciou isso de perto.

O Oceano no G20: a diplomacia azul brasileira

Um dos trechos mais emocionados do relato de Turra foi sobre o papel do Brasil no G20 em 2024.

Ele lembrou que, sob coordenação da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, o país liderou o grupo de engajamento da sociedade civil que conseguiu um feito histórico:

“Em 2024, conseguimos colocar o Oceano definitivamente nas discussões do G20.”

Turra explicou que agora a África do Sul, que preside o G20 em 2025, está mantendo o tema vivo.
E os EUA — que assumirão em seguida — também já se mostram dispostos a não deixar essa pauta se perder.

Essa “passagem do bastão” tem nome:
diplomacia oceânica.
E é o que define o presente e o futuro dessa agenda entre as maiores economias do planeta.

Um futuro de navegação com emissões zero

No fim do dia, Turra participou de um evento que, segundo ele, “abriu horizontes”.
O tema:
navegação com zero emissões em toda a cadeia de valor.

Não só nos navios.
Mas também:

  • na produção dos combustíveis,
  • nos portos,
  • na logística,
  • na infraestrutura,
  • no descarte,
  • na reciclagem,
  • nas tecnologias ao redor da indústria marítima.

Ele resume assim:

“É pensar de forma ousada, com ambição e com ciência.”

É isso.
Futuro não se espera — se constrói.
E Belém está sendo o laboratório vivo dessa construção.

O dia termina, mas o Oceano não descansa

O boletim termina com Turra em meio à movimentação da COP: gente passando, debatendo, rindo, acelerando de um espaço para outro.

Naquele cenário efervescente, ele reforça:

“A COP do Brasil, a COP de Belém… é a COP do Oceano.”

E nós seguimos firmes com essa cobertura diária, conectando ciência, política, comunicação e emoção — porque é assim que Neo Mondo vê o mundo: com profundidade, responsabilidade e beleza.

Série especial “Boletins da COP30 | Horizontes Azuis”

A cada novo dia da COP30, o portal Neo Mondo publica um boletim em vídeo direto da Blue Zone, apresentado por Alexander Turra — professor da USP, coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano com a parceria estratégica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Os vídeos são incorporados às matérias escritas por Oscar Lopes, publisher do portal, conectando o olhar da ciência e da comunicação no maior evento climático do planeta.

foto de alexander turra, “COP30 deve pactuar sequestro de carbono em florestas e no oceano”, afirma Alexander Turra
Alexander Turra - Foto: Divulgação

Biólogo, educador, pesquisador e comunicador. Professor titular do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo e coordenador da Cátedra Unesco para a Sustentabilidade do Oceano, dedica-se a promover a aproximação entre o oceano e a sociedade.

logo da cátedra do oceano, na cop30

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