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Escrito por Neo Mondo | 26 de março de 2026
Influência é escolha — e toda escolha aponta para o futuro que estamos construindo - Foto: Divulgação
ARTIGO
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Por - Rodrigo V. Cunha, especial para Neo Mondo
A COP30 deixou algo muito claro para mim, algo que o setor criativo sempre soube, mas evitou encarar de frente por tempo demais: não existe neutralidade quando se trata de influência., mas evitou encarar de frente por tempo demais: não existe neutralidade quando se trata de influência. Cada campanha, cada estratégia, cada narrativa que colocamos no mundo empurra a sociedade para algum lugar. E, durante muito tempo, a nossa indústria ajudou a acelerar modelos baseados no consumo e a legitimar práticas que hoje sabemos serem incompatíveis com o futuro do planeta.
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É por isso que acredito que o lançamento do Creative Integrity Playbook no palco presidencial da COP30 marcou um ponto de virada, ali, a ambiguidade acabou. E com o lançamento do guia, pela primeira vez, as Nações Unidas reconheceram oficialmente a indústria criativa como uma alavanca climática. E, com esse reconhecimento, vem uma responsabilidade que não pode mais ser ignorada: se moldamos a cultura, somos responsáveis pelo impacto que essa cultura gera no mundo real.
O manual, desenvolvido pelo Creatives for Climate com contribuições da Ethical Agency Alliance, parte de um princípio simples e inegociável para mim: não é mais possível falar de sustentabilidade enquanto se trabalha para indústrias que ativamente a sabotam. O documento oferece critérios, ferramentas e referências para ajudar agências e marcas a alinhar suas decisões à ciência do clima, deixando claro o papel central da comunicação. Afinal, ela influencia comportamentos, que influenciam mercados, e mercados moldam políticas públicas.
Esse é o conflito ético que a publicidade e as relações públicas precisam encarar de uma vez por todas. Ainda vemos empresas se posicionando como líderes climáticas enquanto contratam agências ligadas aos setores de petróleo e gás. No Brasil, essa contradição é ainda mais grave. Somos um país-chave para a transição energética global. Continuar promovendo narrativas desenhadas para atrasar mudanças é um desserviço à sociedade — e compromete a credibilidade da própria indústria.
Como membro da Ethical Agency Alliance, a Profile fez uma escolha clara: romper esse ciclo. E faço questão de dizer que isso não tem a ver com idealismo ingênuo. Tem a ver com visão estratégica. A transição energética é inevitável e já está em curso. Alinhar-se a ela não é apenas uma decisão ética, é também uma decisão competitiva.
A criatividade usada para sustentar modelos ultrapassados perde relevância.
A criatividade colocada a serviço das soluções ganha poder cultural.
A COP30 também reforçou algo que eu já acreditava: a comunicação é uma das forças mais poderosas na construção da sociedade. Antes de qualquer política pública ou avanço tecnológico, existe uma narrativa. Se nossa indústria continua alimentando a desinformação climática, estamos contribuindo diretamente para o atraso da ação global. Mas, se usamos nosso talento para amplificar soluções e fortalecer a ciência, podemos provocar mudanças reais e em larga escala no comportamento e na tomada de decisões.
Este é um momento que exige clareza. A ideia de neutralidade simplesmente não se sustenta mais. Servir aos interesses dos combustíveis fósseis não é uma posição técnica — é uma escolha política, com consequências diretas para o nosso futuro coletivo.
A comunicação precisa assumir sua responsabilidade e abandonar a ilusão de que isso é apenas trabalho. Comunicação gera influência. E influência gera consequências.
A indústria criativa será lembrada como parte do problema ou como parte da solução. Podemos continuar vendendo narrativas que atrasam a transição ou assumir a liderança na construção de novos caminhos. Podemos reforçar o modelo que nos trouxe até aqui ou ajudar a criar o que vem depois.

Acredito profundamente que a criatividade não perde força quando é guiada pela integridade, pelo contrário. Ela se torna mais relevante, mais ousada e mais alinhada com um mundo que exige coragem.
O futuro está sendo disputado agora. E essa disputa é, acima de tudo, narrativa. A pergunta que eu deixo é simples: para qual futuro queremos que a nossa criatividade trabalhe?
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