Destaques Economia e Negócios Segurança Sustentabilidade
Escrito por Neo Mondo | 22 de setembro de 2025
Foto: Ilustrativa/Freepik
ARTIGO
Os artigos não representam necessariamente a posição de NEO MONDO e são de total responsabilidade de seus autores. Proibido reproduzir o conteúdo sem prévia autorização
Por - Daniela Santos, compliance officer da Evoy Consórcios , para Neo Mondo
Conhecer seus parceiros é proteger o próprio negócio. Costumo dizer que “Compliance é cuidar de quem faz acontecer e isso começa por quem está ao nosso lado”. Nos bastidores de qualquer programa de integridade que funciona de fato, existe uma lição recorrente: a maioria dos riscos não nasce dentro da empresa, mas nas relações que ela constrói. Em projetos que acompanho, especialmente em setores regulados, observo um padrão que se repete: a confiança em parceiros não substitui a necessidade de conhecê-los profundamente.
É nesse contexto que a due diligence se apresenta como ferramenta indispensável. Mais do que um item de checklist, ela é parte da inteligência estratégica que protege a reputação e fortalece os negócios. Em essência, due diligence é o processo estruturado de análise de terceiros, sejam pessoas físicas ou jurídicas, com os quais a empresa pretende se relacionar.
Vai além da simples coleta de documentos, uma vez que envolve observar a integridade, a reputação, o histórico de conduta e os riscos associados a cada parceiro ou colaborador estratégico. Ou seja, seu objetivo principal é permitir decisões conscientes. Não se trata apenas de saber com quem estamos lidando, mas de compreender o impacto que esse vínculo pode gerar sobre o negócio, a cultura organizacional e a confiança do mercado.
Em uma situação corriqueira, uma empresa terceiriza parte do atendimento ao cliente para uma consultoria externa. O contrato está formalizado, tudo parece em ordem, mas ninguém verificou que essa consultoria responde por processos trabalhistas graves e já esteve envolvida em um escândalo de vazamento de dados. O que parecia um serviço contratado torna-se, de repente, um problema institucional com reflexos diretos na imagem e nos indicadores. Se a due diligence tivesse sido aplicada com profundidade, talvez esse risco jamais tivesse se concretizado.
A due diligence deve fazer parte da rotina de Compliance e Gestão de Riscos em todas as relações capazes de gerar exposição significativa. Ela se aplica, por exemplo, a representantes comerciais, cuja análise de conduta e de alinhamento à identidade da marca é essencial; a fornecedores e prestadores de serviço, que precisam ter sua integridade e responsabilidade legal e técnica verificadas; a parceiros de negócios, cuja avaliação previne conflitos de interesse e protege a reputação compartilhada; a clientes em setores regulados, nos quais é obrigatório atender exigências de PLD/CFT e KYC; e também a colaboradores em cargos críticos, cujo exame cuidadoso ajuda a salvaguardar processos sensíveis.
Para que a due diligence seja eficaz, não basta a intenção, é necessário estruturar processos, utilizar fontes confiáveis e aplicar metodologias coerentes com os riscos do negócio.
O caminho costuma envolver a coleta de informações, como contratos sociais, certidões e declarações de integridade; a análise de reputação e integridade, considerando mídias, processos judiciais e listas restritivas; a classificação de risco, a partir de matrizes com critérios objetivos; a formalização por meio de cláusulas contratuais que tratem de compliance, LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) e conduta ética; e o monitoramento contínuo, com revisões periódicas conforme o perfil de risco identificado.
Os benefícios de uma due diligence bem executada vão muito além da conformidade legal. Ela ajuda a evitar surpresas e a reduzir prejuízos decorrentes de vínculos mal estabelecidos, melhora a qualidade da rede de relacionamentos institucionais, fortalece a tomada de decisão com base em fatos e evidências, demonstra diligência perante órgãos reguladores e auditorias e ainda cria um padrão de cultura ética que se estende para além dos limites internos da organização.
Em última instância, a due diligence é uma escolha estratégica que começa muito antes de qualquer problema aparecer. Trata-se de proteger a marca, mas também de preservar a confiança de quem acredita nela. É sobre desempenho e entrega, mas, sobretudo, sobre como e com quem essas entregas são feitas. É sobre compliance, sim, mas principalmente sobre responsabilidade com o futuro que estamos construindo. Afinal, cuidar de quem faz acontecer inclui, necessariamente, cuidar de quem está ao nosso lado no caminho.

Hidrogênio verde em Areia Branca, segurança energética em Berlim
Terras raras: o que há debaixo do Cerrado
Patagônia em chamas: um brasileiro na linha de frente