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Escrito por Neo Mondo | 8 de junho de 2018
Na Educação Infantil, jogos e brincadeiras - longe de representarem perda de tempo - são elementos vitais para ajudarem a desenvolver as habilidades emocionais. A nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) considera como eixo estruturante da Educação Infantil as interações e as brincadeiras. Para Acedriana, todos os direitos de aprendizagem e desenvolvimento nessa fase – conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se – dependem do controle e da lida com as emoções para que possam avançar. “Como a BNCC determina onde se quer chegar, os currículos, obrigatoriamente, terão que compor os caminhos para alcançar o que está proposto no documento, contribuindo para esse processo de aprendizagem emocional”, reforça. Um bom exemplo, segundo Acedriana, são as situações nas quais as crianças devem ampliar o seu repertório, falando e ouvindo. “Este é um momento especial para desenvolver a capacidade empática de considerar o outro, ouvir com respeito o que ele tem a contar e acolher as diferenças”, explica.
Tão importante quanto destacar e ajudar a desenvolver o comportamento positivo é considerar no contexto da sala de aula o trabalho com as emoções negativas. Para Michelle Norberto, gestora e professora do 3º ao 5º ano do Colégio Positivo Júnior e especialista em Educação Inclusiva, assim como todas as demais emoções, a raiva e a tristeza devem ser discutidas e admitidas como válidas. “É fundamental que a criança saiba que, em alguns momentos, pode sentir essas emoções e que isso não é algo ruim. O que deve ser trabalhado são estratégias para que a criança possa identificar o que provoca essas emoções, que saiba nomear essas emoções quando as sentir e o que deve fazer em relação a isso”, explica a professora. Segundo a gestora, existem ferramentas para trabalhar com as crianças a inteligência emocional. Uma delas é o “emocionômetro”, pelo qual a criança pode demonstrar, a cada dia, como ela está emocionalmente. “Outra alternativa são os trabalhos de assembleias de classes - espaços de discussões proporcionados em sala, nos quais as crianças podem colocar seus sentimentos, preocupações e, por meio da mediação do grupo, ampliar essa inteligência”, descreve.
Para a professora Fabíula Galina, gestora do 6º e 7º ano do mesmo colégio, a abordagem com crianças e jovens deve ser diferente. “Atividades lúdicas, fantoches e teatros são boas alternativas para se trabalhar as emoções que rondam as crianças. No caso dos adolescentes, o que funciona bem são dinâmicas de grupo, filmes, jogos e roda de conversas”, afirma. O trabalho deve ser realizado de forma que eles aprendam a demonstrar as emoções negativas de maneira correta, sem adotar comportamentos agressivos ou de birra. “É importante destacar que não vivemos 24 horas por dia satisfeitos e felizes, temos que fazê-los entender que os sentimentos de tristeza e raiva fazem parte de nossa vida, e a forma de expressá-los é que fará a diferença”, destaca a professora. É o exercício da autopercepção e do autocontrole que vão consolidar a inteligência emocional.
O papel dos pais
Os pais também têm um papel fundamental no desenvolvimento da inteligência emocional dos filhos. A psicóloga escolar Mariana Drabik Vieira, do Colégio Positivo Júnior, dá dicas de como fazer isso.
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