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Escrito por Neo Mondo | 21 de agosto de 2025
Imagem gerada por IA - Foto: Ilustrativa/Divulgação
POR - OSCAR LOPES*, PUBLISHER DE NEO MONDO
Redução histórica reforça importância da ciência, da prevenção e da mudança de comportamento
Julho de 2025 trouxe um respiro para o Brasil e para o mundo. Foi o mês com a menor área queimada desde o início da série histórica do Monitor do Fogo do MapBiomas, em 2019. No total, 748 mil hectares foram consumidos pelas chamas — 40% a menos do que no mesmo mês do ano passado. Em comparação, em 2019, o fogo devastou mais de 1 milhão de hectares.
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Os números sinalizam algo importante: mesmo diante de um cenário global de crise climática, o Brasil mostra que é possível inverter trajetórias de devastação quando ciência, condições climáticas e mudança de comportamento se encontram.
Apesar da boa notícia, o Cerrado segue no epicentro do problema. Do total de julho, 76,5% da área queimada ocorreu em vegetação nativa, e a maior parte em formações savânicas. O bioma sozinho concentrou 571 mil hectares queimados, equivalentes a 76% do total nacional.
Ainda assim, houve um avanço: a área queimada no Cerrado foi 16% menor que em 2024. Estados como Tocantins (203 mil hectares), Mato Grosso (126 mil) e Maranhão (121 mil) lideraram o ranking — e todos estão dentro, parcial ou totalmente, desse bioma vital para a regulação climática e para a segurança hídrica do país.
A Amazônia apresentou um dado encorajador: apenas 143 mil hectares foram queimados em julho, uma redução de 65% em relação ao mesmo mês de 2024. Após dois anos de secas extremas, esse alívio se explica por chuvas mais intensas e prolongadas e pela maior cautela de comunidades e produtores, atentos aos prejuízos ambientais e econômicos dos últimos anos.
Mais do que números, esse resultado tem peso simbólico: a Amazônia, tantas vezes marcada por recordes negativos, agora aponta um caminho de esperança — mostrando que a preservação é possível quando a prevenção se antecipa à destruição.
De janeiro a julho, o Brasil queimou 2,45 milhões de hectares, contra 6,09 milhões no mesmo período de 2024. A queda de 59% representa o menor acumulado desde o início das medições.
O destaque positivo vem do Pantanal, que reduziu impressionantes 97% da área queimada. Já a Caatinga acendeu o alerta: registrou aumento de 54% no mesmo período. Esses contrastes revelam que os avanços não são homogêneos e que a luta contra o fogo exige estratégias adaptadas a cada bioma.

Para especialistas como Vera Arruda, pesquisadora do IPAM, a mensagem é clara: “Mesmo diante da queda, o Cerrado continua sendo o epicentro do fogo no Brasil. O início da estação seca, marcado pelo acúmulo de material combustível, exige redobrar a prevenção”.
Isso significa investir em brigadas locais, monitoramento em tempo real e políticas de fiscalização eficazes. Mas também exige algo mais profundo: mudar a cultura em relação ao uso do fogo, transformando-o de inimigo invisível em questão estratégica de gestão ambiental.
Em tempos de emergências climáticas cada vez mais graves, a redução registrada em 2025 é uma vitória a ser celebrada, mas sobretudo ampliada. O Brasil tem a chance de converter um dado estatístico positivo em política de Estado, capaz de reposicionar o país como referência mundial em sustentabilidade.
Para isso, será preciso:
Mais do que números em queda, o que está em jogo é a construção de um novo paradigma de convivência entre desenvolvimento, conservação e vida. Julho de 2025 mostrou que o Brasil pode ser protagonista nessa virada. Agora, o desafio é sustentar essa curva descendente — e transformá-la em legado.
Sobre o Monitor do Fogo:
O Monitor do Fogo é o mapeamento mensal de cicatrizes de fogo para o Brasil, abrangendo o período a partir de 2019, e atualizados mensalmente. Baseado em mosaicos mensais de imagens multiespectrais do Sentinel 2 com resolução espacial de 10 metros e temporal de 5 dias. O Monitor de Fogo revela em tempo quase real a localização e extensão das áreas queimadas, facilitando assim a contabilidade da destruição decorrente do fogo. Acesse o Monitor do Fogo e o Boletim Mensal de Julho
Sobre MapBiomas:
iniciativa multi-institucional, que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia, focada em monitorar as transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil, para buscar a conservação e o manejo sustentável dos recursos naturais, como forma de combate às mudanças climáticas. Esta plataforma é hoje a mais completa, atualizada e detalhada base de dados espaciais de uso da terra em um país disponível no mundo. Todos os dados, mapas, métodos e códigos do MapBiomas são disponibilizados de forma pública e gratuita no site da iniciativa: mapbiomas.org.
*Com informações do MAPBIOMAS/Aviv Comunicação.
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