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Não, não e não: como nossas negativas trouxeram o planeta Terra até aqui

Escrito por Neo Mondo | 2 de agosto de 2021

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Foto - Freepik

POR - CRISTIANA NEPOMUCENO*, PARA NEO MONDO

 

No dia 19 de julho de 2019 a Terra entrou no “cheque especial”, esgotando sua capacidade de renovação de recursos daquele ano, depois de uma série de maus tratos, excesso de poluição, desmatamentos, uso excessivo de agrotóxicos e tantos outros problemas que prejudicam a saúde do habitat humano. O planeta nos deu o sinal de que, se não mudássemos nossa forma de interagir com a natureza, estaríamos em perigo.

Mas, não e não! Isso era bobagem, afinal a Terra sempre se reinventa, seus recursos são inesgotáveis e ela suporta tudo. Afinal, serve para nos servir e nada mais.

Daí em diante, nada mudou, e no final daquele mesmo ano tomou-se conhecimento sobre o coronavírus, na China. Mas, poderia um vírus do outro lado do mundo chegar até aqui? Não e não.

Em março de 2020, o mundo “fechou”. Todos se viram isolados e o vírus tão temido chegou até aqui, afinal, vivemos em uma cadeia que conecta todos os seres vivos e também o meio ambiente. 

Com o mundo parado, o céu ficou mais bonito, no silêncio das ruas, podíamos ouvir novamente o cantos dos pássaros, e as espécies voltaram a aparecer nas nossas janelas, como carcarás, canarinhos, jacus e outros. E assim, percebeu-se que com as ruas vazias e a redução de gases poluentes, o ar ficou mais leve. Como consequência, conseguimos aumentar a sobrevida dos nossos recursos naturais e tivemos o marco do Dia de Sobrecarga da Terra apenas em 22 de agosto daquele ano. 

Mas, por que o mundo parou? Deveríamos voltar a produzir, e assim o fizemos, afinal, a natureza daria conta do recado, já que ela serve justamente para isso. Não?! 

Com o tempo, acreditou-se que o vírus não existia, não era preciso usar máscara e, no Brasil, ele nem era tão agressivo assim… Chegamos ao número de mais de 550 mil mortos.

Foto - Pixabay

Mas, não! Isso ainda não era o suficiente. 

E, de nossas casas, vimos que o desmatamento e as queimadas clandestinas se intensificaram, mesmo durante uma crise sanitária global, com a esperança de que a Terra se reinventaria e suportaria todos os danos causados. E, assim, continuamos vivendo nos excessos, consumindo muito, gerando muito lixo e causando uma sobrecarga irreversível em nosso ecossistema. 

Não e não! Ainda está tudo bem. 

E, continuamos seguindo nossas vidas, ignorando que o caos em que nos encontramos é consequência de tudo que temos plantado até aqui. Desmatamos florestas, retiramos o habitat natural de animais, que passam a invadir as cidades, e depois reclamamos dos vírus que eles trazem até nós. 

A Terra deu e está dando sinais claros de cansaço. 

O clima mudou, temos o maior frio dos últimos anos e até mesmo a neve chegou ao Brasil, um país tropical. A água, um recurso abundante e considerado infinito em nosso país,  resolveu ficar esgotável e com isso também enfrentamos uma das maiores crises hídricas vistas por aqui.

Não, não e não!

Até quando as negativas das governanças globais e da população, como um todo, continuarão ocultando um problema latente na vida dos seres humanos? Retrocedermos a data do Dia de Sobrecarga da Terra, justamente no período em que voltamos a ocupar as ruas, só mostra o quão grande são nossos impactos na vida e na renovação de recursos em nosso planeta. 

A Terra chegou em sua exaustão, mudanças climáticas estão acontecendo a todo momento e o que acontece com um, pode acontecer com todos. Nada nos difere do “todo”, somos conectados e dependemos dos animais, da água e das plantas para sobrevivermos. 

Não é a Terra que precisa se renovar, mas sim nós, como sociedade, para pararmos de caminhar rumo à própria extinção.

*Cristiana Nepomuceno-É graduada em Direito e Biologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Pós-Graduada em Gestão Pública pela Universidade Federal de Ouro Preto- MG. Especialista em Direito Ambiental pela Universidade de Alicante/Espanha. Mestre em Direito Ambiental pela Escola Superior Dom Helder Câmara - Foto: Divulgação

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